A Ripple Labs e a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos encerraram oficialmente a sua batalha legal de quase quatro anos, marcando um dos casos mais observados na história das criptomoedas. A medida fez com que o XRP subisse mais de 13% após o anúncio.
Na quinta-feira, ambas as partes apresentaram uma notificação conjunta ao Tribunal de Recursos dos EUA para o Segundo Circuito, declarando que retirariam voluntariamente os seus respetivos recursos.
A SEC abandonou o seu desafio à decisão de 2023 que considerou que o token XRP da Ripple não era um título quando vendido em bolsas públicas. A Ripple, por sua vez, retirou o seu recurso cruzado. Cada lado concordou em cobrir os seus próprios custos legais.
O caso começou em 2020, quando a SEC processou a Ripple sob o então presidente Jay Clayton, acusando a empresa de angariar fundos através de uma oferta de títulos não registada ao vender XRP. O processo, apresentado no Distrito Sul de Nova Iorque, rapidamente se tornou um caso de teste para como a lei dos EUA deveria tratar os tokens digitais.
Em julho de 2023, a juíza distrital dos EUA Analisa Torres emitiu uma decisão dividida. Ela descobriu que a Ripple tinha de facto violado as leis de valores mobiliários quando vendeu XRP diretamente a investidores institucionais.
No entanto, ela disse que as vendas a investidores de retalho através de bolsas públicas não atendiam à definição de uma oferta de títulos, uma conclusão amplamente vista como uma vitória parcial para o setor mais amplo de criptomoedas.
A SEC recorreu da parte da decisão relativa às vendas de retalho no ano passado, enquanto a Ripple apresentou um recurso cruzado procurando defender a sua posição na íntegra.
Mas depois de Donald Trump retornar à Casa Branca e instalar uma nova liderança na SEC, a agência começou a recuar em várias ações de execução. Mais de uma dúzia de casos e investigações relacionados com criptomoedas foram desde então abandonados.
A Ripple e a SEC concordaram em junho do ano passado em resolver as penalidades restantes ligadas ao caso. A juíza Torres impôs uma multa de 125 milhões de dólares e uma liminar permanente impedindo a Ripple de violar as leis de valores mobiliários em futuras vendas institucionais de XRP. Essa penalidade, agora em custódia, será transferida para o Tesouro dos EUA após a conclusão dos recursos.
As negociações no início deste ano para reduzir o valor da penalidade falharam, com a juíza Torres rejeitando várias propostas devido a questões processuais. A rejeição dos recursos finaliza os termos do acordo, encerrando a disputa de longa data.
Agora, com a decisão de 2023 intacta, observadores legais dizem que o caso pode se tornar uma referência chave para como os tribunais avaliam se os ativos de criptomoedas se qualificam como títulos. Para a Ripple, isso abre caminho para expandir operações, particularmente em jurisdições que já adotaram diretrizes regulatórias mais claras.


