O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de depósito em 2% ao ano nesta quinta-feira (5), pela quinta reunião consecutiva. Com decisão unânime, a autoridade monetária também manteve a taxa principal de refinanciamento em 2,15% e a taxa de empréstimo em 2,4%.
Segundo o BCE, a inflação deve se estabilizar na meta de 2% no médio prazo. Apesar disso, o Conselho reforçou que o cenário permanece indefinido, em meio à persistente incerteza comercial e às tensões geopolíticas.
O BCE informou que suas decisões sobre as taxas de juros continuarão sendo baseadas na avaliação das perspectivas para a inflação e dos riscos associados.
Essa análise levará em conta os dados econômicos e financeiros divulgados, a dinâmica da inflação subjacente, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, e a solidez da transmissão da política monetária.
Em entrevista após a divulgação da decisão sobre os juros, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que a zona do euro continua enfrentando um ambiente político global instável e reconheceu os riscos que o aumento da incerteza pode trazer para a demanda.
“Novas fricções no comércio internacional poderão perturbar as cadeias de abastecimento, reduzir as exportações e enfraquecer o consumo e o investimento”, disse.
Ela destacou que as tensões geopolíticas, especialmente a guerra na Ucrânia, seguem como uma importante fonte de incerteza. Segundo Lagarde, os gastos em defesa e infraestrutura podem impulsionar o crescimento da zona do euro além do esperado.
“Novos acordos comerciais e uma maior integração do nosso mercado único europeu poderão também impulsionar o crescimento para além das expectativas atuais”, afirmou.
No comunicado, o BCE avaliou que a economia da zona do euro segue resiliente em um contexto global desafiador. Entre os fatores citados estão o baixo desemprego, os balanços sólidos do setor privado, a implementação gradual dos gastos públicos em defesa e infraestrutura e os efeitos positivos dos cortes anteriores nas taxas de juros.
Segundo a autoridade monetária, esses elementos continuam sustentando o crescimento econômico.
Sobre a dinâmica de preços, Lagarde afirmou que as perspectivas para a inflação continuam mais incertas do que o habitual, devido à volatilidade do ambiente político global.
Segundo ela, a inflação poderá ser menor caso as tarifas reduzam a demanda por exportações da zona do euro. Por outro lado, o aumento dos gastos em defesa pode pressionar a inflação no médio prazo.
A presidente do BCE também alertou que disrupções nas cadeias globais de abastecimento podem elevar os preços.
Lagarde reiterou que o BCE não mira uma taxa de câmbio específica, mas afirmou que a valorização do euro frente ao dólar já foi incorporada ao cenário-base da instituição, considerando seus impactos sobre inflação e crescimento.
“Nós monitoramos se o impacto [da apreciação do euro] está sendo repassado como o esperado e como isso afeta nossa função de reação”, disse, acrescentando que a faixa atual está alinhada à média histórica.
Ao comentar o papel global da moeda, Lagarde afirmou que ainda há trabalho a ser feito na zona do euro em termos de previsibilidade, segurança jurídica e fortalecimento institucional para consolidar o euro internacionalmente.
Segundo ela, acordos comerciais, como o firmado com o Mercosul, contribuem para o fortalecimento da moeda.
No contexto do ambiente externo e de investimentos, Christine Lagar afirmou que o setor manufatureiro continua resiliente e que o mercado de trabalho segue sustentando os rendimentos.
Ela destacou que as empresas estão investindo cada vez mais em tecnologia digital e que o investimento empresarial deve se fortalecer ainda mais. Segundo Lagarde, os gastos do governo devem contribuir para a demanda interna.
No entanto, destacou que “o ambiente externo continua desafiador”, acrescentando que as perspectivas para a inflação são mais incertas do que o habitual.
Lagarde afirmou ainda que o aumento planejado nos gastos fiscais pode impulsionar o crescimento mais do que o esperado. Ao mesmo tempo, alertou que o ambiente político global é volátil e que a incerteza pode afetar a demanda.
Segundo ela, o ambiente comercial segue desafiador devido às tarifas e ao comportamento do euro. Ainda assim, os indicadores de inflação subjacente sofreram poucas alterações.
A presidente do BCE reforçou que a instituição não tem como meta uma taxa de câmbio específica. No entanto, afirmou que “um euro mais forte poderia reduzir a inflação mais do que se prevê atualmente”.
Lagarde observou que o euro se valorizou desde março do ano passado e que a variação atual está alinhada à média histórica desde a criação da moeda.
Ela alertou que a inflação poderá ser maior caso haja uma alta persistente nos preços da energia.
Segundo Lagarde, o BCE prevê que a inflação atinja a meta de 2% no médio prazo, caminhando gradualmente nessa direção. Ela afirmou que a autoridade monetária está em uma posição confortável e que a inflação está sob controle.
De acordo com os dados mais recentes, o índice de preços ao consumidor da zona do euro caiu para 1,7% em janeiro, após marcar 2% em dezembro. O núcleo da inflação recuou de 2,3% para 2,2% no mesmo período.
“A inflação está no caminho que antecipamos, em direção à meta”, afirmou.
Segundo análise da presidente do Banco Central, o mercado interno está respondendo fortemente. Para Lagarde, o consumo está melhorando, enquanto o investimento é o principal destaque.
Ela afirmou que o atual boom de investimentos está relacionado à inteligência artificial e a setores ligados à tecnologia e pontua que ainda levará algum tempo para avaliar os impactos desse movimento sobre a produtividade e a inflação.
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