O Bradesco foi o terceiro grande banco listado na B3 (Bolsa de Valores brasileira) a divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025. A instituição reportou lucro líquido de R$ 6,5 bilhões, alta de 5% em relação ao terceiro trimestre e de 20,6% na comparação anual.
Em seu guidance (projeções), no entanto, o Bradesco informou que espera um lucro líquido entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2026, com ROE entre 14% e 17%. O ponto médio, de R$ 27 bilhões, ficou abaixo das expectativas do mercado.
Em reação à projeção, após o fechamento do mercado, às 20h (horário de Brasília), as ADRs do Bradesco (recibos negociados na Bolsa de Nova York que representam ações do banco) caíam 5,25%, a US$ 4. Na sessão regular, haviam fechado em alta de 1,27%, em um dia de baixa das bolsas americanas.
Nesta sexta-feira (6) às 15h (horário de Brasília), as ações preferenciais do banco (BBDC4) caíam 3,07%, enquanto as ações ordinárias (BBDC3) cediam 2,09%.
O presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, declarou em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados que a pressão do mercado sobre os resultados é maior que a cobrança interna.
“Eu vi que ele [mercado] aumenta a bitola na hora de tirar sangue a cada trimestre, mas não dá para fazer com aquela bitola do trimestre passado (sic). Agora é um pouco mais. Então eles já estavam com expectativa de R$ 30 bilhões [para o lucro de 2026], querendo que a gente cresça 30% ao ano o lucro líquido e esqueça a competitividade negativa, a gente não vai fazer isso”, disse.
“Se puder fazer mais um trimestre [de crescimento acelerado], dois trimestres, a gente vai fazer. Agora, vamos manter o pé no chão. Sem perder a capacidade de alavancar a nossa competitividade”, complementou.
O principal foco do mercado foi o guidance divulgado para 2026. O Bradesco projeta crescimento da carteira de crédito entre 8,5% e 10,5% e margem financeira líquida entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões. Em 2025, a carteira de crédito cresceu 11% e a margem financeira somou R$ 40 bilhões.
O banco estima ainda um lucro líquido entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em 2026, com ROE entre 14% e 17%. O ponto médio, de R$ 27 bilhões, ficou abaixo das expectativas do mercado.
Sobre as projeções, os analistas do UBS BB avaliam que o guidance foi a principal surpresa negativa: “o ponto médio indica lucros de R$ 27,5 bilhões, o que acreditamos ser excessivamente conservador (e abaixo das expectativas)”.
A receita total do trimestre alcançou R$ 36,1 bilhões, registrando um crescimento de 9,8% em 12 meses.
Já a margem financeira total, que mede o resultado do banco com operações de crédito e investimentos, somou R$ 19,24 bilhões, alta anual de 13,2%. Dentro desse indicador, a margem financeira com clientes avançou 18,4%, para R$ 19,1 bilhões.
Já a margem com mercado recuou 85%, para R$ 126 milhões e a margem financeira líquida fechou o trimestre com alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que indica quanto o banco gera de retorno para cada real investido pelos acionistas, atingiu 15,2% no quarto trimestre, aumento de 2,5 pontos percentuais na comparação anual.
Quando o ROE supera o custo de capital, significa que a empresa passa a criar valor para o acionista. Sobre esse desempenho, Marcelo Noronha afirmou: “é um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, de forma gradual e segura, ‘step by step’”.
Apesar do avanço, o ROE do Bradesco segue abaixo dos 24,4% registrados pelo Itaú Unibanco e dos 17,6% apresentados pelo Santander no mesmo período.
As receitas do banco com prestação de serviços cresceram 8% no trimestre, para R$ 11 bilhões, enquanto as despesas operacionais totalizaram quase R$ 17 bilhões, equivalente à alta de 3,3%.
No acumulado de 2025, as receitas de serviços cresceram 8,9% e as despesas avançaram 8,5% em relação a 2024. Para 2026, o banco projeta alta de 3% a 5% nas receitas de serviços e de 6% a 8% nas despesas operacionais.
O segmento de seguros apresentou desaceleração relevante no trimestre, mas manteve níveis sólidos de rentabilidade. A seguradora do grupo registrou lucro de R$ 2,8 bilhões no quarto trimestre.
A despesa com provisão para devedores duvidosos (PDD) expandida somou R$ 8,8 bilhões no quarto trimestre, acima dos R$ 8,56 bilhões registrados no trimestre anterior.
A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,1%, estável na comparação trimestral. Entre pessoas físicas, o índice permaneceu em 5,4%.
No segmento de micro, pequenas e médias empresas (PMEs), houve alta de 3,7% para 3,8%. Já entre grandes empresas, o indicador caiu de 0,4% para 0,3%.
O J.P. Morgan destaca como pontos positivos a estabilidade da qualidade dos ativos, o forte crescimento do crédito para pequenas e médias empresas (similar ao observado no Itaú) e o avanço de 11% no resultado de seguros e previdência em relação ao trimestre anterior, impulsionado pela redução de impostos.
O J.P. Morgan avalia que a projeção de lucro no ponto médio fica cerca de 2,4% abaixo de sua estimativa, que era de R$ 28,2 bilhões. O banco destaca que o guidance pressupõe uma alíquota de imposto menor em 2026, entre 18% e 19%, ante cerca de 20% em 2025.
Ainda assim, observa que a projeção implica queda de 6% no lucro antes dos impostos em relação às estimativas, devido a uma redução de 2% na receita líquida de juros ajustada ao risco e aumento de 2% nas despesas operacionais.
“É importante ressaltar que o Bradesco também adotou uma postura conservadora em 2025, com projeções anteriores indicando aproximadamente R$ 22,5 bilhões, mas apresentando um resultado de cerca de R$ 24,7 bilhões”, afirmou o banco.
No fim da avaliação, o JPMorgan manteve recomendação neutra para os papéis.
Já o Itaú BBA segue com recomendação de compra, destacando que pode haver realização de lucros no curto prazo após a valorização recente.
“Manteremos nossa projeção no limite superior, com R$ 29,2 bilhões para o lucro de 2026, e realizaremos lucros ao longo do ano”, avaliou o BBA.
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