A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, disse que vai “construir uma economia forte e resiliente”. A declaração foi feita depois que as projeções indicaram que seu partido, o PLD (Partido Liberal Democrático, direita) e seu parceiro de coalizão, o Inovação do Japão, devem conquistar de 302 a 366 das 465 cadeiras na Casa Baixa do parlamento nas eleições realizadas neste domingo (8.fev.2026).
“Temos enfatizado consistentemente a importância de uma política fiscal responsável e proativa”, afirmou Takaichi, segundo a Al Jazeera. “Vamos dar prioridade à sustentabilidade da política orçamental. Vamos garantir os investimentos necessários. Os setores público e privado devem investir. Vamos construir uma economia forte e resiliente”, declarou.
Se os resultados das projeções se confirmarem, a coalizão governista terá a maioria do parlamento.
A sigla governista ocupa o poder de forma quase ininterrupta desde a década de 1950. Nos últimos tempos, vem enfrentando problemas relacionados à divisões internas e desgaste depois de sucessivas controvérsias políticas.
As eleições foram uma espécie de referendo sobre o trabalho da primeira-ministra. Ao anunciar, em 19 de janeiro, que o Japão teria eleições, Takaichi disse que queria que “o povo soberano” decidisse se ela é apta a ocupar o cargo. “Estou apostando meu próprio futuro político como primeira-ministra nesta eleição”, declarou na época. Caso o PLD fosse derrotado, a premiê afirmou que renunciaria.
Takaichi assumiu o cargo em 21 de outubro de 2025, representando a ala nacionalista do PLD. Antes de conquistar a liderança do partido, ela havia sido derrotada em duas tentativas anteriores –em 2021 contra Fumio Kishida e em 2024 contra Shigeru Ishiba. É a 1ª mulher a ocupar o cargo.
Desde que assumiu o cargo, Takaichi tem adotado um discurso firme na área de defesa. Poucas semanas depois da posse, provocou a maior crise diplomática com a China em mais de uma década ao detalhar publicamente possíveis respostas de Tóquio a um eventual ataque a Taiwan. A posição rendeu críticas de Pequim, que acusa o governo japonês de estimular o ressurgimento do militarismo no país.
No campo econômico, a premiê enfrenta maior resistência. A promessa de suspender o imposto sobre vendas de alimentos, para aliviar o custo de vida, aumentou a desconfiança de investidores. A saída de capitais de títulos públicos e a pressão sobre o iene refletem esse receio.
Mesmo assim, Takaichi chegou à eleição com um bom índice de aprovação e capital político para enfrentar o pleito. Com o aumento da representação parlamentar de sua coalizão, a premiê poderá estabelecer um governo mais estável.
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