Um novo relatório da CoinShares afirma que o risco da computação quântica ao Bitcoin costuma ser exagerado.
Segundo a gestora, apenas uma fração muito pequena do suprimento representa ameaça prática ao mercado.
Christopher Bendiksen, chefe de pesquisa em Bitcoin da CoinShares, liderou o estudo. De acordo com o relatório, estimativas que apontam risco para até 50% do BTC em circulação misturam cenários muito distintos.
Além disso, a CoinShares concentrou a análise apenas em endereços legados do tipo Pay-to-Public-Key (P2PK). Nesses casos, a chave pública permanece visível de forma permanente na blockchain.
A gestora calcula que cerca de 1,6 milhão de BTC, o equivalente a 8% da oferta total, esteja nesses endereços, entretanto, apenas 10.200 BTC aparecem concentrados em volumes capazes de gerar disrupção relevante no mercado.
O restante se distribui em mais de 32 mil UTXOs, com média de 50 BTC cada. Por isso, mesmo um ataque quântico exigiria tempo e recursos impraticáveis, inclusive em cenários otimistas.
Segundo a CoinShares, os computadores quânticos atuais ainda estão muito abaixo do necessário. Para quebrar uma chave em um único dia, um sistema precisaria de 13 milhões de qubits físicos.
Esse nível representa um poder cerca de 100 mil vezes superior ao das máquinas mais avançadas hoje, para realizar o mesmo ataque em uma hora, a exigência sobe para 3 milhões de vezes mais capacidade.
Charles Guillemet, CTO da Ledger, reforçou essa avaliação.
Atualmente, o computador quântico Willow, do Google, opera com apenas 105 qubits, além disso, cada novo qubit eleva exponencialmente a dificuldade de manter a estabilidade do sistema.
O relatório também aborda o debate sobre queimar moedas vulneráveis via soft fork. O cypherpunk Jameson Lopp já defendeu essa proposta publicamente.
Entretanto, a CoinShares rejeita essa ideia, para a gestora, queimar moedas inativas viola princípios básicos de propriedade privada.
Além disso, a empresa alerta contra a adoção apressada de formatos pós-quânticos.
Segundo o relatório, mudanças prematuras aumentam o risco de bugs e desperdício de recursos, por isso, a recomendação aponta para uma transição gradual e defensiva.
Adam Back concorda com essa visão. Segundo ele, o Bitcoin pode adotar assinaturas pós-quânticas sem comprometer sua evolução.
Para a CoinShares, o risco quântico existe, mas segue distante e controlável. Assim, não há urgência técnica nem justificativa para medidas drásticas no curto prazo.
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