Após nove meses consecutivos de crescimento e um de estabilidade, o volume de serviços no Brasil recuou 0,4% em dezembro na comparação com o mês anterior, conforme aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (12).
Apesar da queda no fim do ano, o setor encerrou 2025 com avanço acumulado de 2,8%, ficando 19,6% acima do nível pré-pandemia. Estabelecendo uma comparação com o ponto mais alto da série histórica, o nível atual fica 0,4% abaixo do registrado em novembro de 2025.
Nesta leitura, três das cinco atividades pesquisadas mostraram retração na passagem de novembro para dezembro. O movimento também foi observado em 16 das 27 unidades da federação, com São Paulo e Santa Catarina liderando as perdas do setor.
O economista Maykon Douglas destaca que o crescimento recente do setor de serviços foi menos disseminado e, ao mesmo tempo, mais dependente do segmento de transportes e logística, que tem puxado o setor. “Como esse segmento “tropeçou” em dezembro, o volume de serviços acaba sofrendo”, afirma.
O especialista prevê que o setor deve continuar resiliente e que, apesar do aperto monetário, a renda da população deve ganhar fôlego ao longo dos próximos meses, dado o impulso fiscal.
A principal pressão negativa no mês de dezembro veio dos transportes, que registraram queda de 3,1% no período, com impacto em todos os segmentos analisados: terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), aéreo (-5,5%) e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%).
Nessa leitura, também foi observada queda em outros serviços (-3,4%) e nos serviços profissionais e administrativos (-0,3%).
Já as variações positivas ficaram com os setores de informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%).
No acumulado de 2025, quatro das cinco atividades investigadas tiveram avanço, e 53,6% dos 166 tipos de serviços investigados registraram aumento de volume. A contribuição mais relevante veio de informação e comunicação (5,5%).
Também avançaram os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%), com influência de transporte aéreo de passageiros, rodoviário de cargas, logística de cargas, operação de aeroportos e navegação interior de carga.
Nos serviços profissionais, administrativos e complementares (2,6%), pesaram atividades como agenciamento de espaços de publicidade, consultoria em gestão empresarial, intermediação de negócios por aplicativos ou plataformas de e-commerce, limpeza e gestão de ativos intangíveis não financeiros.
Já os serviços prestados às famílias (1,1%) foram explicados, principalmente, por empresas de bufê, hotéis e produção e promoção de eventos esportivos.
No sentido contrário, outros serviços (-0,5%) exerceram a única influência negativa no ano, pressionados por menor receita em atividades auxiliares dos serviços financeiros, manutenção e reparação de veículos, administração de cartões de crédito, manutenção de computadores e corretores e agentes de seguros, previdência complementar e saúde.
Na passagem de novembro para dezembro, as quedas mais intensas ocorreram em São Paulo (-0,3%), Santa Catarina (-3,9%) e Rio Grande do Sul (-2,8%). Em seguida aparecem Pará (-7,3%), Minas Gerais (-0,8%), Ceará (-3,3%) e Mato Grosso do Sul (-5,2%).
Os principais impactos positivos vieram de Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e Mato Grosso (4,3%).
No acumulado do ano, 22 das 27 unidades da federação apresentaram crescimento. O maior impacto partiu de São Paulo (4,2%), seguido por Rio de Janeiro (1,7%), Distrito Federal (7,0%), Paraná (3,0%) e Santa Catarina (3,2%), enquanto a influência negativa mais relevante foi do Rio Grande do Sul (-4,4%).
O agregado especial de atividades turísticas atingiu o nível máximo da série histórica em dezembro de 2025, com alta de 0,2% frente a novembro, marcando o quinto resultado positivo consecutivo e ganho acumulado de 3,1% no período.
Regionalmente, quatro dos 17 locais pesquisados acompanharam o crescimento nacional. O destaque positivo foi o Rio de Janeiro (7,6%), seguido por São Paulo (0,8%) e Paraná (1,3%).
As principais perdas ocorreram em Pará (-7,9%), Bahia (-2,5%), Minas Gerais (-1,6%) e Rio Grande do Sul (-2,6%).
Entre as unidades onde o indicador é investigado, nove mostraram avanço no mês, com destaque para Rio de Janeiro (15,2%), seguido por Paraná (6,8%), Rio Grande do Sul (2,5%) e Espírito Santo (6,7%).
Em contrapartida, São Paulo (-2,5%) exerceu o principal impacto negativo, seguido por Minas Gerais (-8,9%), Goiás (-16,1%) e Santa Catarina (-4,8%).
No acumulado de 2025, o turismo avançou 4,6% frente a igual período de 2024, impulsionado por empresas de transporte aéreo de passageiros, serviços de buffet, reservas de hospedagem e hotéis.
Catorze dos dezessete locais registraram taxas positivas, com destaque para São Paulo (3,9%), Rio de Janeiro (10,8%), Rio Grande do Sul (11,4%), Bahia (6,6%) e Paraná (5,5%).
As únicas perdas no ano ocorreram em Minas Gerais (-4,4%), Mato Grosso (-1,2%) e Goiás (-0,4%).
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