Vacina russa serviria para aumentar a imunidade contra diferentes tipos de câncer Getty Images Embora as notícias de uma eventual vacina contra o câncer de Vacina russa serviria para aumentar a imunidade contra diferentes tipos de câncer Getty Images Embora as notícias de uma eventual vacina contra o câncer de

Enteromix: o que se sabe sobre a vacina contra o câncer que está sendo desenvolvida pela Rússia

2026/02/13 05:06
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Vacina russa serviria para aumentar a imunidade contra diferentes tipos de câncer — Foto: Getty Images Vacina russa serviria para aumentar a imunidade contra diferentes tipos de câncer — Foto: Getty Images

Embora as notícias de uma eventual vacina contra o câncer desenvolvida por cientistas russos possa trazer esperanças, especialistas preferem tratar o assunto com cautela. O motivo principal: a falta de transparência sobre o processo de desenvolvimento da vacina e os testes já realizados.

Segundo o site NIN, da Sérvia, a vacina Enteromix foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, o mesmo que produziu a vacina Sputnik V contra a Covid-19 . Apesar de a palavra “vacina” geralmente ser associada à prevenção, neste caso trata-se de um tratamento para quem já tem a doença. Ela recebeu esse nome por ter sido desenvolvida com a chamada tecnologia de mRNA, tradicionalmente ligada às vacinas, por aumentar a imunidade.

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É preciso esclarecer também que, diferentemente das vacinas convencionais, uma “vacina” contra o câncer não pode ser produzida em massa porque, segundo especialistas, ela precisa ser preparada individualmente para cada paciente, com base no tumor específico.

O primeiro câncer a ser tratado com a vacina russa será o melanoma. A primeira paciente será Jovana, da Sérvia, que deve iniciar a terapia dentro de um ou dois meses, diz o NIN.

Ensaios clínicos

De acordo com o NIN, alguns especialistas manifestam preocupação com a falta de informações detalhadas sobre o medicamento. Ainda não está claro, por exemplo, se a vacina passou pelas três fases obrigatórias de ensaios clínicos.

Autoridades russas afirmam que a vacina apresentou excelentes resultados em testes com animais. No entanto, não há artigos publicados em revistas científicas relevantes que permitam a médicos e farmacêntidos examinar os dados e eventualmente apontar problemas.

Segundo o NIN, todo esses mistério pode estar relacionado ao atual isolamento da Rússia, devido à guerra na Ucrânia. É possível também que os pesquisadores russos estejam relutantes em divulgar suas descobertas e métodos por receio de serem copiados - isso tiraria da Rússia o trunfo de ter encontrado "cura para o câncer". A questão é que, na ausência de dados verificáveis, a única opção seria confiar cegamente na palavra das autoridades.

O professor Vladimir Jakovljević, um dos principais especialistas em fisiologia da Sérvia, disse ao NIN que a vacina contra o câncer passou por todo o procedimento de testes segundo as normas russas e que agora está entrando em uso entre pacientes oncológicos.

Jakovljević, que faz parte da equipe que trabalha com terapia personalizada contra o câncer em Moscou, afirma ainda que as regulamentações no Ocidente são diferentes: há, segundo ele, menos burocracia administrativa em situações que envolvem pacientes em estado grave e com opções limitadas de tratamento.

“Eles aprovaram esse tipo de terapia para melanoma maligno, mas em teoria ela poderia ser aplicada a outros tumores também, porque é uma terapia personalizada. Vamos ver como isso evolui. Os procedimentos deles, como em outros países orientais poderosos, podem ser lentos, mas são viáveis. E, quando acontecem, costumam ser bons. Por enquanto, ainda não há dados sobre um número maior de pacientes que possam nos dar um resultado definitivo”, disse Jakovljević.

Com base no que os russos fizeram até agora — e considerando que o projeto é apoiado pelo Instituto Gamaleya, que ele descreve como uma das instituições de vacinas mais fortes do mundo —, Jakovljević acredita que os resultados provavelmente têm base na realidade.

“Claro que ainda precisamos ver onde isso vai dar. Não quero dar falsas esperanças às pessoas. Simplesmente precisamos esperar para ver. O que posso dizer é que foi concedida aprovação para que a primeira paciente da Sérvia receba essa vacina, e que isso deve ser possível dentro de cerca de um mês a seis semanas. O professor Boljević e eu, como membros da equipe envolvida, estamos trabalhando intensamente nisso e espero que em breve tenhamos resultados concretos”, afirmou.

Segundo ele, a vacina russa contra o câncer usa tecnologia de mRNA, semelhante à utilizada nas vacinas contra a Covid-19 da Moderna e da Pfizer. A diferença, explica, é que aquelas eram vacinas preventivas destinadas à população em geral.

“Aqui estamos falando de terapia personalizada, baseada nessa tecnologia, adaptada a um paciente e a um tumor específico. Supondo que o paciente desenvolvesse outro tipo de câncer, ela não funcionaria mais - uma nova variante teria que ser criada. Vi os achados e análises feitos em preparação para aplicar a vacina, e eles envolveram médicos sérios”, disse Jakovljević.

Emina Milošević, imunologista do Instituto de Microbiologia e Imunologia da Faculdade de Medicina de Belgrado, disse ao NIN que supõe que o uso russo da vacina provavelmente faça parte de algum tipo de ensaio clínico, e não de uma prática estabelecida, já que ainda não há dados publicados.

"Os ensaios clínicos geralmente são registrados em plataformas públicas para que qualquer pessoa possa ver o desenho do estudo e em que fase ele está. A impressão é que foi anunciado com muito alarde que o Gamaleya está trabalhando em vacinas contra o câncer — como se ninguém mais estivesse. Ensaios de fase um e fase dois para vacinas personalizadas em certos tipos de câncer também estão em andamento em outros lugares. A BioNTech, por exemplo, trabalha nisso. A forma como foi apresentado dá a impressão de que os russos são os primeiros e os únicos. E não são", afirmou.

Vacina personalizada

Emina Milošević explicou como essas vacinas funcionam. O princípio é determinar quais antígenos estão presentes em um tumor — porque cada tumor é diferente — e se o sistema imunológico de um determinado paciente consegue reconhecer esses antígenos.

“Nesse sentido, é algo personalizado. Você analisa o tumor com base em seus sequenciamentos e depois seleciona antígenos candidatos. A vacina funciona produzindo RNA correspondente a esses antígenos candidatos, que então desencadeiam uma resposta imune no organismo ao serem traduzidos em proteína”, disse Milošević.

Perguntada se isso significa que não haverá produção em massa e se cada vacina precisa ser feita para uma pessoa específica, ela respondeu que sim. Na visão da eseecialista, um uso mais amplo — se esse for o objetivo — exigirá ensaios clínicos para estabelecer tanto a eficácia quanto asegurança. E os resultados terão que ser verificados em publicações científicas. Milošević ressalta que essas fases ainda não foram concluídas.

“Presumo que nossa paciente tenha sido recrutada para esse tipo de estudo clínico, mas isso não é declarado em lugar nenhum dessa forma”, disse. A cientista reforça que não há informações claras sobre o quão avançado está o projeto russo e que a questão central continua sendo se ainda está na fase de ensaios clínicos ou já caminha para um uso mais amplo. "Esses não são detalhes menores, mas as questões principais", enfatiza.

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