A balança do mercado: o equilíbrio entre o cenário político doméstico e os choques econômicos globais.
Historicamente, o comportamento dos ativos brasileiros em anos eleitorais é marcado por uma volatilidade que nem sempre tem origem no pleito em si, mas em uma combinação de fatores domésticos e choques globais. Análises de mercado indicam que os ciclos eleitorais aumentam a sensibilidade dos ativos, mas raramente atuam de forma isolada sobre os preços.
Especialistas apontam que quatro vetores principais explicam a oscilação de preços em anos de eleição no Brasil:
No mercado de câmbio, o padrão é mais nítido, com picos de volatilidade entre abril e julho, período em que investidores começam a precificar o risco político. Na bolsa, a dinâmica costuma concentrar movimentos no primeiro semestre, com a oscilação aumentando conforme o pleito se aproxima. Já nos juros, não há uma sazonalidade clara, sendo o mercado mais guiado por expectativas fiscais e pela condução da política monetária pelo Banco Central.
Para Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, essa instabilidade reforça a necessidade de buscar proteção. “A moeda fraca e a instabilidade política tornam o Brasil um país hostil para a acumulação de riqueza no longo prazo”, afirma Murad. Ele ressalta que “dolarizar parte do portfólio é um movimento estratégico que amplia horizontes e reduz a dependência de um único sistema econômico”.
Para o ciclo de 2026, observa-se que a antecipação da discussão eleitoral, iniciada ainda no fim de 2025, trouxe a volatilidade para mais cedo no ciclo. A elevada polarização sugere uma disputa apertada, o que tende a elevar o prêmio de risco e exigir cautela redobrada do investidor.
Fábio Murad pontua que o investidor brasileiro muitas vezes sofre com a “ilusão do crescimento local”, enquanto seu poder de compra global é corroído pela inflação e pelo câmbio. “Investir fora permite reduzir o risco político e aumentar as chances de retornos consistentes”, conclui o CEO da SpaceMoney.


