Investidores brasileiros buscam refúgio em metais preciosos e crescimento em tecnologia no mercado americano.
O mercado financeiro brasileiro atravessa uma transição estrutural profunda, impulsionada pela maturidade dos investidores locais e pela busca por diversificação global. Em janeiro de 2026, esse movimento consolidou-se com números recordes tanto na negociação direta no exterior quanto no mercado doméstico de BDRs de ETFs.
Os brasileiros que investem diretamente nos Estados Unidos estão refinando suas alocações. Embora as ações de tecnologia, como NVIDIA (NVDA) e Microsoft (MSFT), continuem no topo das preferências, o mês de janeiro revelou um apetite crescente por ativos defensivos e alternativos.
A busca por proteção e diversificação levou investidores a aportarem em:
Essa mudança de mentalidade ecoa a filosofia de John Bogle, que revolucionou o mercado ao defender que a diversificação ampla por meio de índices é a forma mais eficiente de capturar o crescimento econômico no longo prazo.
No cenário doméstico, os BDRs de ETFs (títulos emitidos no Brasil que representam cotas de fundos estrangeiros) apresentaram um desempenho explosivo. O volume negociado saltou de R$ 1,4 bilhão em dezembro para R$ 2,6 bilhões em janeiro de 2026.
A base de investidores acompanhou esse ritmo, expandindo-se para 46,8 mil pessoas. Desse total, investidores institucionais detêm 74,5% da custódia, enquanto a pessoa física já ocupa 21,5% do mercado. Os ativos que lideraram esse giro foram o BSLV3 (prata), com 38% do total, seguido pelo BIAU3 (ouro) e BEEM3 (mercados emergentes).
Apesar do crescimento, o Brasil ainda tem um vasto campo para expansão. Enquanto a indústria global de ETFs já supera US$ 12 trilhões em ativos, o mercado brasileiro encerrou 2025 com aproximadamente R$ 90 bilhões sob gestão.
Para Fábio Murad, CEO da SpaceMoney, este cenário reforça que a dolarização e o uso de instrumentos eficientes são essenciais para evitar a “ilusão do crescimento local”, garantindo que o patrimônio do investidor não seja corroído pela desvalorização cambial ou inflação interna.
A pesquisa com escritórios de assessoria revela que 75% deles já oferecem ETFs, mas o uso ainda é superficial, muitas vezes limitado a índices tradicionais como o S&P 500 (IVVB11) ou Ibovespa (BOVA11). A transição para modelos de remuneração por fee fixo (taxa fixa sobre o patrimônio) promete ser o ponto de inflexão: 76% dos escritórios pretendem adotar ou ampliar esse modelo, o que elimina conflitos de interesse e favorece o uso de ETFs por sua previsibilidade e baixo custo.


