Ale Youssef e Ale Natacci, fundadores do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta — Foto: Divulgação
Em 2009, dois amigos e empresários da noite, Ale Natacci e Ale Youssef, decidiram criar um bloco de Carnaval nas ruas de São Paulo chamado Acadêmicos do Baixo Augusta. Inspirados por tradicionais blocos do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, os dois conseguiram atrair quase 3 mil pessoas. No último sábado (7), data que abre o “pré-Carnaval” paulistano, o bloco reuniu 1,6 milhão de pessoas.
No caminho entre esses dois números, há mais do que crescimento: há uma narrativa de ocupação cultural, identidade urbana e reinvenção constante.
Ale Youssef lembra que, em 2009, havia um contexto histórico pulsante em São Paulo. “Era um momento de luta pelo direito à cidade, com pessoas ocupando as ruas com cultura e arte. Era o momento dos cicloativistas, do Parque Augusta, do Minhocão”, diz.
Edição de 2026 do bloco do Acadêmicos do Baixo Augusta — Foto: Divulgação
A vida cultural de São Paulo, segundo ele, era intensa, mas concentrada em ambientes fechados. “Era maravilhosa, mas era dentro da boate, do cinema, do teatro.” O bloco nasceu como uma realização pessoal e também como expressão do espírito do tempo. “Foi uma conquista de quem amava samba e de quem amava a cidade”, afirma Natacci.
A construção do Acadêmicos do Baixo Augusta, no entanto, não foi uma tarefa pontual, com começo e fim. “É um processo contínuo de renovação, para trazer uma galera mais jovem e se perpetuar”, diz o empresário.
A maior prova disso, na sua visão, é que o bloco foi incorporado ao imaginário paulistano, num calendário que se estende além do desfile oficial. “A gente meio que abre o Carnaval da cidade com os ensaios”, afirma Youssef. “Independentemente do que aconteça ou da opinião do poder público, estamos impregnados na cidade”.
A visibilidade crescente do Carnaval de São Paulo ajudou nesse processo. Só neste ano, estima-se que a data vai injetar aproximadamente R$ 3,4 bilhões na economia de São Paulo, segundo estimativas da Prefeitura. E o Baixo Augusta, na visão de seus fundadores, foi essencial para essa consolidação.
Nos primeiros anos, a estrutura era improvisada: autorização “de meio-fio”, com o bloco desfilando pela rua da Consolação, com carros ao lado. “Essa luta ano a ano deu uma grande força para o nosso projeto, que , no fim, nada mais é do que a proposta de ocupar a rua com cultura e arte”, diz Youssef.
Bloco reunião 1,6 milhão de pessoas na cidade de São Paulo — Foto: Divulgação
A inovação também veio pelo uso de temas anuais, algo que, segundo eles, se tornou referência. Neste ano, o bloco defendeu a vida noturna. “A noite vai se modificando, se adaptando aos novos tempos, mas está aí. Somos prova viva disso”, afirma Natacci, citando os bares em que são proprietários, o Laje do Baixo e o Formosa Hi-Fi.
A projeção nacional e internacional também cresce. A banda do bloco, que conta com artistas como Simoninha, participa de shows, eventos e festivais. O grupo já foi duas vezes ao festival de Cannes e deve retornar neste nano. Além disso, buscam fechar parcerias com grandes marcas: a edição de 2026 contou com o apoio da Amstel.


