O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), reverteu os ganhos da véspera e encerrou o pregão desta quinta-feira (12) em queda de 1,02%, aos 187.766,42 pontos, em um movimento de realização de lucros.
O ambiente externo também impediu um melhor desempenho do índice, com investidores migrando recursos para ativos considerados mais seguros. A pressão ganhou força com a queda do petróleo no mercado internacional após a Agência Internacional de Energia revisar para baixo sua estimativa de consumo global em 2026.
O reflexo foi direto nas ações da Petrobras, cujos papéis ordinários caíram 3,09%, enquanto os preferenciais recuaram 2,55%, figurando entre as maiores contribuições negativas do pregão.
A Vale, ação de maior peso no índice, também operou no vermelho, com baixa de 0,95%, em meio à espera pela divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025.
O setor financeiro acompanhou o movimento de queda: o Itaú Unibanco amargou perda de 2,29% (PN), enquanto o Bradesco caiu 1,44% e o Santander Brasil chegou a recuar até 4,88% na mínima intradiária. A exceção veio do Banco do Brasil, que avançou 4,5% após a divulgação do resultado trimestral.
Entre as maiores altas do dia, destaque para Assaí, com ganho de 5,09%, e Ambev, que subiu 4,76%. Na ponta negativa, a Raízen despencou 12,99%, enquanto a Braskem caiu 11,27%, após a confirmação de que a Petrobras não pretende exercer direitos de compra ou venda conjunta de participação.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em alta de 0,25% frente ao real, cotado a R$ 5,20, com aversão ao risco no exterior e as expectativas para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos.
No cenário internacional, a agenda concentra as atenções na divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que pode reabrir a discussão sobre quando o Federal Reserve (Fed) terá espaço para iniciar o ciclo de cortes de juros, tema que perdeu força depois do payroll acima do esperado.
A mediana das estimativas aponta desaceleração da inflação anual de 2,7% em dezembro para 2,5% em janeiro no índice cheio. No núcleo, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, a projeção também é de recuo, de 2,6% para 2,5%.
Enquanto dirigentes do Fed repetem que precisam de sinais mais firmes de convergência da inflação para a meta antes de reduzir o custo do dinheiro, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, classificou o resultado como decisivo para a próxima reunião do FOMC.
Apesar disso, as apostas de mercado ainda indicam cautela. Na plataforma do CME Group, a probabilidade majoritária segue sendo de manutenção dos juros no próximo encontro. A expectativa predominante de corte aparece apenas a partir de junho.
No campo político, a Câmara dos Estados Unidos entra em recesso sem votar o orçamento do Departamento de Segurança Nacional. Sem recursos aprovados, o órgão pode paralisar parte das atividades.
O calendário também altera o funcionamento dos mercados. Nova York não terá negociações na segunda-feira (16), feriado do Dia do Presidente. Já a China inicia um feriado prolongado de 9 dias do Ano Novo Lunar, com bolsas fechadas, enquanto Hong Kong interrompe as negociações a partir de terça-feira (17).
No Brasil, o noticiário institucional ganhou tração à noite com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retirar o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master. A mudança ocorreu após reunião extraordinária convocada pelo ministro Edson Fachin, motivada por relatório da Polícia Federal que mencionava o magistrado em mensagens no celular de Daniel Vorcaro.
O processo foi redistribuído por sorteio para André Mendonça. Em nota, o STF informou que a troca ocorreu a pedido de Toffoli, ressaltou não haver suspeição ou impedimento e afirmou que permanecem válidos todos os atos já praticados.
As Bolsas da Europa operam com cautela após a deterioração do humor em Nova York, em meio a incertezas ligadas à inteligência artificial.
Investidores também esperam os dados de inflação dos Estados Unidos (CPI). Destaque para a segunda leitura do PIB da Zona do Euro no quarto trimestre, que veio em linha com o previsto.
Na Ásia, a maioria dos índices encerraram a semana em alta, mesmo após a queda puxada por tecnologia em Wall Street no dia anterior.
Em Tóquio, o índice Nikkei fechou em queda de 1,24% e na Coreia, o Kospi registrou perda de 0,28%, enquanto em Taiwan, o Taiex subiu 1,61%.
Em Nova York, os índices futuros operam em queda com o mercado à espera da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI). O dado de inflação ganhou peso depois que o relatório de emprego (payroll) veio acima do esperado, levando investidores a diminuírem as apostas de corte imediato nos juros pelo Federal Reserve.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o foco recai sobre o índice de preços ao consumidor (CPI) de janeiro. O histórico recente recomenda cautela: nos últimos três anos, a leitura tem surpreendido para cima, rompendo padrões sazonais e forçando revisões nas expectativas para a política monetária.
Parte do mercado espera que o impacto de tarifas comece a aparecer de forma mais clara, adicionando pressão à inflação corrente.
Ainda no noticiário internacional, reportagem do Financial Times afirma que o governo americano avalia reduzir parte das taxas aplicadas sobre produtos de aço e alumínio. A leitura dentro da administração é que as tarifas têm pesado sobre o consumidor final, ao encarecer itens como embalagens e utensílios domésticos.
Na China, os números do mercado imobiliário seguem no radar. Os preços de moradias nas 70 maiores cidades recuaram 3,3% em janeiro na comparação anual, aprofundando a queda de dezembro. A maioria dos municípios pesquisados voltou a registrar retração, reforçando dúvidas sobre a força da recuperação do setor.
No Brasil, o dia começa com a divulgação das vendas no varejo de dezembro pelo IBGE, que fecharam 2025 com alta de 1,6%, no mesmo nível de crescimento registrado nos anos anteriores e razoavelmente distribuído.
No comércio varejista ampliado, o volume de vendas em dezembro caiu 1,2% frente novembro (+0,6%), fechando 2025 acumulando variação positiva de 0,1%.
Também saiu pela manhã o IGP-10 de fevereiro, em baixa de 0,42% em fevereiro, após avanço de 0,29% em janeiro, acumulando queda de 0,13% no ano e de 2,25% nos últimos 12 meses.
A agenda ainda traz mais um dia da reunião trimestral promovida pelo Banco Central com economistas, desta vez em São Paulo.
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