O Carnaval de 2026 deve levar o turismo nacional a faturar R$ 18,6 bilhões em fevereiro, segundo projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Se confirmado, esse resultado representará alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi registrada a marca de R$ 16,9 bilhões.
Segundo a FecomercioSP, esse será o melhor desempenho para o mês desde 2011, início da série histórica construída com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quando o faturamento foi de R$ 13,8 bilhões.
O Ministério do Turismo estima que as festas de Carnaval envolvam 65 milhões de pessoas em todos os estados, que corresponde a um avanço de 22% na comparação anual.
Somente as chamadas capitais do Carnaval, como Salvador, Olinda, Recife e Rio de Janeiro, devem reunir mais de 40 milhões de foliões.
Estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo, em parceria com a FIA Business School, aponta que, entre 2024 e 2026, essas cidades lideraram o crescimento da preferência dos consumidores.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA, Rio de Janeiro e São Paulo apresentam crescimento relevante como destino. Segundo ele, o Rio demonstra maior intensidade turística e identidade ligada ao Carnaval, enquanto São Paulo opera com forte volume urbano e consumo interno.
Em Salvador e Recife, a dinâmica se repete com impacto mais acentuado, já que a festa é estrutural para a economia turística local.
Parte do avanço do turismo decorre da base de comparação, considerando que em 2025 o Carnaval ocorreu em março.
O presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze, afirma que o movimento também está associado ao fortalecimento do poder de compra da população, à renda sustentada pelo mercado de trabalho, à inflação em desaceleração e ao maior acesso ao crédito para parcelamentos.
“Mesmo que as famílias não viajem para destinos distantes e que o carnaval não seja um feriado, mas um ponto facultativo, a data costuma movimentar o setor, especialmente os segmentos de transporte aéreo e rodoviário, hospedagem, locação de veículos e alimentação”, diz Dietze.
Ele acrescenta que deslocamentos menores também contribuem para o resultado. “Assim, o empresário do Turismo pode se beneficiar do potencial aumento de receita nessa esteira do segmento de lazer, que começa em dezembro e se estende até o carnaval.”
Além das viagens, a festa amplia gastos com entretenimento. Nos grandes centros urbanos, os lançamentos e aquecimentos, com desfiles de blocos e eventos especiais, movimentam a economia antes da data principal. Esse fluxo também se estende para o fim de semana posterior ao Carnaval.
Conforme divulgado pela Forbes, o IBEVAR projeta um crescimento líquido médio de 4,9% no volume de negócios do varejo brasileiro em 2026 frente a 2025.
Em cidades como Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Olinda, o setor de serviços responde por fatia entre 60% e 75% da economia local.
Os segmentos impactados pelo Carnaval podem representar entre 15% e 25% do Produto Interno Bruto (PIB) urbano. Em estimativa aproximada, o efeito adicional do Carnaval poderia corresponder de 0,3% a 0,6% do PIB anual no Rio de Janeiro e em Salvador.
Em capitais com maior dependência do turismo carnavalesco, como Recife e Olinda, a faixa pode variar de 0,4% a 0,8%.
“No Rio, a economia é mais diversificada, o que dilui proporcionalmente o efeito da festa, embora o impacto absoluto seja elevado”, afirma Felisoni.
Em Salvador, o público pode ultrapassar 11 milhões neste ano, com a chegada de 1,2 milhão de turistas entre 12 e 18 de fevereiro, segundo o Observatório do Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A ocupação hoteleira deve ficar acima de 90%.
Para a Bahia, a FecomercioSP estima arrecadação de R$ 12,4 bilhões em fevereiro, enquanto em Pernambuco, a movimentação prevista é de R$ 10,79 bilhões no mês, considerando exclusivamente a circulação de mercadorias.
Recife calcula receber mais de 3,6 milhões de pessoas, com impacto financeiro de R$ 2,7 bilhões e em Olinda, a expectativa é superar 4 milhões de turistas.
No Rio de Janeiro, levantamento da Riotur projeta circulação de 8 milhões de pessoas e injeção de R$ 5,7 bilhões na economia local.
Em São Paulo, a prefeitura estima 16,5 milhões de foliões, geração de R$ 3,4 bilhões e criação de 50 mil empregos. O número de blocos programados é de 627, acima dos 601 registrados no ano anterior.
Os principais bens e serviços consumidos durante a festa estão 8,6% mais caros em 12 meses, alerta a FecomercioSP.
Com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o levantamento da entidade aponta que a inflação geral acumulada foi de 4,3%, enquanto a cesta de Carnaval avançou 5,6%.
Fabio Pina, assessor da entidade, afirma que a pressão está concentrada em serviços intensivos em mão de obra e com oferta limitada no curto prazo: “Trata-se de uma pressão inflacionária setorial, sazonal e concentrada nos Serviços, e não de um aumento generalizado de preços”, explica.
Na alimentação fora do domicílio, o cafezinho subiu 15,5%, enquanto lanches avançaram 11,4%, o vinho registrou alta de 10,9% e o sorvete aumentou 10,2%. Aluguel comercial, custos trabalhistas e energia elétrica aparecem entre os principais fatores que contribuem para o movimento.
Segundo Pina, a diferença não está na cadeia industrial, mas no serviço agregado durante o período festivo.
O grupo de turismo e diversão registrou variação de 8,2% em 12 meses, enquanto clubes subiram 10,1%, hospedagens e casas noturnas 9,6% e pacotes turísticos 7,1%.
Quando a ocupação se aproxima do limite da capacidade instalada, os preços tendem a ser ajustados antecipadamente.
Na mobilidade, a inflação ficou em 4,6%. Transporte público avançou 9,2% e estacionamento 6,4%. Os combustíveis tiveram variação de 2,3%. No sentido oposto, no vestuário, a alta foi de 4,2%, abaixo da inflação geral.
Luan Gabellini, CEO da Betalabs, destaca que a concentração de receitas em poucos dias evidencia a dependência de datas específicas.
“Quando o negócio depende exclusivamente do time comercial ou do funcionamento da loja, qualquer feriado prolongado vira risco direto para o caixa. Nos modelos de assinatura, cobranças automáticas seguem acontecendo todos os dias, inclusive durante o Carnaval, sem exigir operação ativa”, afirma.
Dados do Banco Central (BC) indicam que o país registrou mais de 140 bilhões de transações recorrentes em 2025. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços aponta avanço desse modelo em áreas como serviços digitais, educação e clubes de produtos.
Gabellini afirma que a recorrência permite planejamento financeiro. “A questão central não é quanto o Carnaval vende, mas se o empresário quer continuar dependente dessas datas para faturar”, conclui.
Dados do IBEVAR mostram que o consumo acelerado durante o período vem acompanhado de risco. Em sete de cada dez indicadores analisados, houve avanço da inadimplência após o Carnaval, com destaque para o crédito rotativo do cartão.
O resultado sugere que parte relevante das despesas é financiada no curto prazo, o que pode dificultar a recomposição do orçamento das famílias.
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