A Truth Social Funds, braço de investimentos da Trump Media and Technology Group (DJT), protocolou na última sexta-feira pedidos para o lançamento de dois novos fundos negociados em bolsa (ETFs) focados em criptomoedas. A iniciativa, realizada em parceria com a exchange Crypto.com, visa criar produtos de investimento que incluam Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e, de forma inédita, o token Cronos (CRO). A movimentação ocorre em um cenário de volatilidade, onde o mercado busca sinais claros sobre o futuro regulatório nos Estados Unidos.
Em termos simples, a empresa ligada ao ex-presidente Donald Trump está buscando expandir sua marca “America First” para o setor de ativos digitais, oferecendo produtos que vão além da simples exposição ao preço das moedas. A proposta inclui mecanismos de staking — uma forma de gerar renda passiva com as criptomoedas mantidas em carteira —, algo que historicamente tem enfrentado resistência por parte da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
Essa solicitação chega em um momento crucial. Enquanto a Casa Branca debate destravar leis de clareza regulatória, a aprovação de um ETF com componentes de renda passiva (staking) seria um marco regulatório significativo. Na prática, a Trump Media tenta alavancar a narrativa de tornar os EUA a “capital mundial das criptomoedas”, utilizando a infraestrutura da Crypto.com para viabilizar a custódia e as operações complexas desses fundos.
Os documentos submetidos detalham dois produtos distintos com estruturas específicas para atrair diferentes perfis de investidores:
A custódia dos ativos ficará a cargo da Crypto.com, conforme confirmado pelo CEO Kris Marszalek em nota citada pelo FinanceFeeds. A consultoria de investimentos será gerida pela Yorkville America Equities.
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Para o investidor brasileiro, essa notícia sinaliza uma possível abertura para ETFs de altcoins (moedas alternativas) além das duas principais. O Brasil possui uma base forte de usuários da Crypto.com e detentores de Cronos (CRO), que poderiam ver uma valorização do ativo caso ele ganhe o selo de aprovação institucional nos EUA.
Além disso, a tendência de diversificação de produtos institucionais é global. Assim como a Trump Media busca inovar com CRO, outras gestoras, como a Bitwise, que planeja um ETF spot de Uniswap (UNI), estão testando os limites da SEC. Se aprovados lá fora, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários no Brasil) tende a analisar produtos espelhados (BDRs de ETFs) com mais agilidade, facilitando o acesso local via B3.
Apesar do otimismo político, a aprovação não é garantida. A SEC, até o momento, forçou emissores de ETFs de Ethereum a removerem componentes de staking para obterem aprovação. A insistência da Trump Media em manter o staking pode atrasar ou inviabilizar o lançamento. Analistas apontam que as chances de aprovação imediata são baixas, especialmente dado o momento de saídas líquidas recentes nos ETFs de Bitcoin à vista.
Investidores devem monitorar a resposta da SEC nas próximas semanas. A fragilidade do mercado também é um ponto de atenção; conforme análises recentes sobre a resiliência dos ETFs de Bitcoin mesmo com quedas bruscas, novos produtos exóticos como o de Cronos podem sofrer mais volatilidade em períodos de baixa.
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