A relação entre proprietário e locatário frequentemente azeda quando surge o primeiro vazamento ou a necessidade de uma pintura. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245) estabelece regras claras sobre quem deve colocar a mão no bolso em cada situação. Em 2026, com os contratos de aluguel cada vez mais digitais, entender essas cláusulas tornou-se vital para evitar processos judiciais e despejos desnecessários.
O princípio básico da lei divide as responsabilidades em dois grupos: manutenção de uso e estrutura do imóvel. O inquilino deve devolver o imóvel no mesmo estado em que recebeu (salvo o desgaste natural). Portanto, ele paga por tudo aquilo que quebrou pelo uso ou que precisa de reparo simples, como uma torneira pingando, uma tomada solta ou a limpeza de calhas.
Por outro lado, o proprietário responde pelos problemas estruturais e anteriores à locação. Infiltrações no telhado, rachaduras nas paredes, problemas na fiação elétrica interna ou estufamento de piso são responsabilidade do dono. Se um temporal destelhar a casa, o locador deve pagar o conserto, pois ele deve garantir a habitabilidade do imóvel durante todo o contrato.
Documentos exigidos para arrematar imóvel em leilão e garantir a transferência da propriedade
Quando o inquilino decide reformar, a lei classifica a obra em três tipos para definir se haverá reembolso. A confusão entre “benfeitoria útil” e “necessária” causa a maioria das brigas nos tribunais. Saber a diferença garante que você não gaste dinheiro em um imóvel alheio sem garantia de retorno.
A tabela explica quem paga o quê:
| Tipo de Benfeitoria | Definição | Indenização / Autorização |
|---|---|---|
| Necessária | Essencial para habitar (ex: telhado quebrado) | Proprietário paga (não exige autorização) |
| Útil | Melhora o uso (ex: grade na janela, cobertura) | Indenizável se autorizada por escrito |
| Voluptuária | Estética/Luxo (ex: piscina, paisagismo) | Não indenizável (pode retirar ao sair) |
Atenção a este detalhe: a lei permite que o contrato estipule regras diferentes para benfeitorias úteis e voluptuárias. É comum encontrar contratos onde o inquilino abre mão do direito de indenização por qualquer benfeitoria. Se você assinou essa cláusula, não poderá cobrar o valor da grade de segurança ou do armário embutido que instalou, mesmo que eles valorizem o imóvel do dono.
Dicas para evitar conflitos na reforma:
Cálculo proporcional da multa rescisória em contratos de aluguel conforme o tempo restante do imóvel
Leia também: CNH pode ser suspensa mesmo sem multas graves se o motorista acumular pontos demais
Se o imóvel apresentar problemas que o tornem inabitável (como um vazamento grave não consertado), o inquilino pode pedir a rescisão do contrato sem pagar a multa rescisória. A lei protege o morador que é forçado a sair porque o proprietário negligenciou a manutenção estrutural.
A Lei do Inquilinato busca o equilíbrio. O dono entrega um teto seguro, e o inquilino cuida dele como se fosse seu. O segredo para uma locação tranquila é a comunicação formalizada e o bom senso na hora de definir o que é desgaste do tempo e o que é mau uso.
O post Lei do Inquilinato define quem paga reformas e evita brigas entre dono e inquilino apareceu primeiro em Monitor do Mercado.


