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O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava a exercer uma pressão indevida sobre ele na tentativa de garantir uma resolução para a guerra de quase quatro anos que opõe Kiev a Moscovo.
Zelenskyy, numa entrevista ao site norte-americano Axios publicada na terça-feira, afirmou também que qualquer plano que exigisse à Ucrânia ceder território que a Rússia não capturou na região oriental de Donbas seria rejeitado pelos ucranianos se fosse submetido a referendo.
O Axios citou Zelenskyy dizendo que não era "justo" que Trump continuasse a apelar publicamente à Ucrânia, e não à Rússia, para fazer concessões na negociação dos termos de um plano de paz.
"Espero que sejam apenas as suas táticas e não a decisão", citou o Axios Zelenskyy dizendo na entrevista, realizada por telefone enquanto negociadores russos, ucranianos e norte-americanos mantinham conversações em Genebra.
Trump sugeriu duas vezes nos últimos dias que cabia à Ucrânia e a Zelenskyy tomar medidas para garantir que as conversações fossem bem-sucedidas.
"É melhor a Ucrânia vir à mesa rapidamente. É tudo o que vos digo", disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One na segunda-feira.
Zelenskyy, segundo o Axios, sugeriu que poderia ser mais fácil pressionar a Ucrânia do que a Rússia.
Agradeceu novamente a Trump pelos seus esforços de pacificação e disse ao Axios que as suas conversas com os principais negociadores dos EUA, o enviado Steve Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, não envolveram o mesmo tipo de pressão.
"Respeitamo-nos mutuamente", citou o Axios. Acrescentou que não era "esse tipo de pessoa" que cederia facilmente sob pressão.
Zelenskyy disse ao Axios que aceder à exigência da Rússia de assumir toda a região de Donbas – que atualmente detém cerca de 88% dela – seria inaceitável para os eleitores ucranianos se lhes fosse pedido para considerá-lo num referendo.
"Emocionalmente, as pessoas nunca perdoarão isto. Nunca. Não perdoarão... a mim, não perdoarão (os Estados Unidos)", disse Zelenskyy, acrescentando que os ucranianos "não conseguem compreender porquê" lhes seria pedido para ceder território adicional.
"Isto faz parte do nosso país, todos estes cidadãos, a bandeira, a terra."
Apelou novamente para que as posições fossem congeladas nas linhas de frente atuais do conflito.
"Penso que se colocarmos no documento... que ficamos onde estamos na linha de contacto, penso que as pessoas apoiarão isto (num) referendo", citou o Axios. – Rappler.com


