O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), nomeou Chamberlain Harris, ex-recepcionista e assistente executiva de 26 anos, para integrar a CFA (Comissão de Belas Artes), órgão federal que supervisiona a construção do salão de festas da Casa Branca, avaliado em US$ 400 milhões.
A indicação será oficializada na 5ª feira (19.fev.2026), conforme reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, que destacou a ausência de experiência significativa da jovem na área de artes e planejamento urbano.
A nomeação se dá enquanto o presidente busca colocar aliados na CFA e na NCPC (Comissão Nacional de Planejamento da Capital). As duas comissões examinam os planos para o salão de baile e deverão analisar outros projetos de construção presidenciais, como um arco nas proximidades do Memorial Lincoln.
A estratégia de nomeações tem provocado preocupações sobre a independência das comissões responsáveis por preservar a integridade arquitetônica de Washington.
Harris foi uma das 7 pessoas indicadas para a CFA em janeiro, após Trump demitir todos os 6 comissários do colegiado em outubro, coincidindo com a demolição da Ala Leste da Casa Branca.
A demolição da Ala Leste foi realizada em outubro com pouca antecedência de aviso, para abrir espaço ao projeto do salão de festas. O procedimento recebeu críticas de historiadores, políticos democratas e eleitores, além de resultar em uma ação judicial movida pelo Fundo Nacional para a Preservação Histórica.
Atualmente, Harris trabalha como diretora adjunta de operações do Gabinete Oval na Casa Branca, segundo informações de sua página no site da CFA. Ela coordenou o Projeto de Retrato Presidencial de Trump em parceria com a Galeria Nacional de Retratos da Instituição Smithsonian e a Associação Histórica da Casa Branca.
A CFA é uma agência federal independente que fornece assessoria especializada ao presidente, ao Congresso e aos governos federal e do Distrito de Columbia sobre “questões de design e estética” na capital do país. De acordo com o site da comissão, o órgão é formado por especialistas “em disciplinas relevantes, incluindo arte, arquitetura, arquitetura paisagística e design urbano”.
Harris concluiu seu bacharelado em ciência política pela Universidade de Albany, SUNY (State University of New York), em 2019, com especializações secundárias em comunicações e economia. Iniciou sua trajetória profissional como estagiária na Casa Branca no final de 2019, antes de ingressar como assistente no Escritório de Administração em 2020. Em setembro de 2020, assumiu o cargo que ficou conhecido como de “recepcionista dos Estados Unidos” e seguiu trabalhando para Trump como sua assistente executiva quando ele deixou a presidência no 1º mandato, no início de 2021.
O diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, defendeu a nomeação de Harris ao Washington Post: “Ela entende a visão do presidente e sua apreciação das artes como poucos e traz uma perspectiva única que servirá bem à comissão. Ela será um tremendo ativo para a Comissão de Belas Artes e continuará a servir nosso país com honra”.
Por outro lado, Alex Krieger, arquiteto e professor da Escola de Design de Harvard que integrou o painel de 2012 a 2021, criticou a decisão. “É desastroso. Algumas dessas pessoas simplesmente não têm qualificações para avaliar questões de design, arquitetura ou planejamento urbano”, disse.


