O Bitcoin ampliou sua recente retração, aumentando preocupações no mercado de cripto. Embora a correção pareça ordenada, dados apontam para maior pressão estrutural.
Historicamente, padrões semelhantes marcaram transições iniciais para períodos de baixa. Métricas on-chain atuais indicam rotação de capital ainda fraca. Contudo, alguns indicadores sugerem que as condições não se deterioraram completamente, criando um cenário complexo para investidores.
O Realized Profit/Loss Ratio traz dados relevantes sobre a dinâmica de fluxo de capital do Bitcoin. O indicador mede a proporção entre ganhos realizados e perdas efetivadas. Sua média móvel de 90 dias recuou para a faixa entre 1 e 2.
Historicamente, esse nível tem representado transições de fases iniciais de baixa para ambientes de maior estresse. Quando a razão se aproxima de 1, as perdas realizadas passam a predominar nas movimentações do mercado. Esse estreitamento reflete redução no apetite por realização de lucros e pouca rotação de liquidez.
Enquanto a Razão de Lucro/Prejuízo Realizado não superar de forma consistente o patamar acima de 2, a fraqueza estrutural tende a persistir. Uma alta sustentada indicaria retomada da lucratividade e reforço nos fluxos de capital. Sem essa mudança, o viés do mercado permanece voltado para a cautela.
Dados sobre a atividade de rede oferecem outro sinal de alerta. Em comparação com cinco anos atrás, o Bitcoin registrou 42% menos endereços únicos realizando transações. Além disso, houve queda de 47% na criação de novos endereços.
Esse distanciamento evidencia ritmo menor de crescimento da rede, apesar da resiliência do preço. Ciclos de alta consistentes, em geral, contam com a participação crescente de usuários. Para uma recuperação sustentável, será necessário aumento de endereços ativos e aceleração na criação de carteiras, refletindo nova demanda orgânica.
O preço do Bitcoin está cotado em US$ 66.721 no momento desta reportagem. O valor permanece um pouco acima do suporte crucial em US$ 66.550. Essa região conteve novas quedas ao longo de várias sessões. Apesar disso, a moeda segue respeitando a tendência de baixa iniciada no fim de janeiro.
Se o movimento de baixa persistir, o Bitcoin pode ter dificuldade para superar a resistência descendente. Caso não consiga reverter a tendência, o valor pode cair da faixa de US$ 66.550 para a região de suporte em US$ 60 mil. Caso o suporte seja perdido, a pressão vendedora poderá aumentar, levando o preço até o próximo nível relevante, próximo de US$ 52.775.
O Realized Price se encontra atualmente em US$ 54.920. Historicamente, períodos prolongados de baixa ocorreram após quebras sustentadas abaixo desse patamar. Uma queda até o nível de Fibonacci em 1,23 aumentaria esse risco. Essa movimentação poderia consolidar o início de um ciclo de baixa prolongado.
Para reverter o cenário de baixa, o Bitcoin precisa recuperar de forma consistente o nível de US$ 66.550. Um rompimento acima dos US$ 71.693 indicaria fortalecimento da força compradora. Recuperar a média móvel de 20 dias reforçaria as chances de reação. Uma alta sólida além de US$ 80 mil traria ainda mais confiança no potencial de retomada no longo prazo.
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