O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) encerrou 2025 com crescimento de 2,45% na comparação com 2024, na série sem ajuste sazonal, informou o Banco Central nesta quinta-feira (19).
O indicador, no entanto, não é idêntico ao cálculo oficial divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e reúne estimativas para indústria, serviços, agropecuária e impostos.
Na métrica acumulada em 12 meses, houve leve aceleração ante novembro, quando o avanço era de 2,39%.
O índice da agropecuária acumulou alta de 13,05% em 2025. Já o indicador ex-agro, que exclui o setor das contas, avançou 1,80%.
Indústria e serviços também aceleraram no acumulado. A indústria passou de 1,26% até novembro para 1,45% no fechamento do ano. Os serviços foram de 2,00% para 2,06%. O indicador de impostos ficou praticamente estável, em 1,24%.
O desempenho reforça o peso do setor agropecuário no crescimento de 2025, enquanto os demais segmentos mostraram ritmo mais moderado.
Na comparação mensal, o IBC-Br recuou 0,18% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. A queda foi menos intensa que a mediana das estimativas do mercado, que apontava recuo de 0,40%.
O economista Leonardo Costa, do ASA, afirmou que o dado confirma moderação na atividade, em linha com indicadores recentes. Segundo ele, a retração mensal ficou concentrada em serviços (-0,26%), enquanto a indústria subiu 0,32% e a agropecuária avançou 2,26%.
Para o Santander, a indústria foi o principal destaque positivo no mês, possivelmente influenciada pela mineração. Ainda assim, os economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan avaliam que o resultado é neutro para o cenário macroeconômico.
Apesar da queda em dezembro, o trimestre móvel encerrado no mês registrou alta de 0,4% frente aos três meses anteriores, na série com ajuste sazonal.
Na comparação interanual, contra dezembro de 2024, o IBC-Br cresceu 3,05%, acima da mediana das projeções do mercado, de 2,30%.
Leonardo Costa afirma que o resultado sugere desaceleração gradual, não contração estrutural. O ASA projeta crescimento de 0,2% para o PIB do quarto trimestre ante o terceiro.
Já o Santander mantém expectativa de queda de 0,1% no PIB do quarto trimestre e crescimento de 2,2% para 2025 e 1,5% para 2026.
A leitura de atividade mais moderada tende a influenciar a curva de juros. Segundo Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, o dado ajuda o mercado a precificar cortes da Selic ao longo do ano, ao reduzir o risco de reaceleração inflacionária.
Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, avalia que o ambiente pode favorecer ativos de risco caso o ciclo de juros doméstico mude de direção, embora o cenário externo limite movimentos mais intensos.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que a fraqueza industrial dialoga com um ambiente global mais desafiador, incluindo oscilações na China e nas commodities metálicas. Segundo ele, isso pode afetar empresas como a Vale (VALE3) e influenciar a dinâmica do Ibovespa.
O consenso entre analistas é que o crescimento segue positivo, porém em ritmo menor. O foco do mercado passa a ser a intensidade da desaceleração e seus reflexos sobre juros, crédito e renda variável ao longo de 2026.
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