O faturamento real das pequenas e médias empresas brasileiras (PMEs), que compreende todo o valor referente a produtos ou serviços prestados, teve um aumento de 1,2% em 2025, na comparação com o ano anterior, aponta o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs).
No quarto trimestre, o avanço foi ainda maior, de 6,4%, também na comparação anual, acelerando frente à alta de 2,7% observada no terceiro trimestre.
Com suporte das indústrias e serviços, esses números revelam maior fôlego para essas empresas.
O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões e acompanha cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.
Em 2025, o índice foi marcado por um primeiro semestre desafiador para as pequenas e médias empresas. De acordo com o IODE-PMEs houve retração média de 2,3% nesse período, considerando os resultados do ano anterior.
Segundo o levantamento, esse resultado é reflexo principalmente dos choques de custos e deterioração da confiança dos consumidores, que dificultaram a evolução das vendas e o repasse de preços pelas empresas.
Ao longo do ano, o mercado passou a reagir de forma mais consistente, ganhando tração no último trimestre.
Nos resultados obtidos por meio do IODE-PMEs são evidentes diferenças de desempenho entre os segmentos, assim como foi observado nos trimestres anteriores. Com maior destaque, a Indústria apresentou avanço de 3,9% no faturamento médio em 2025, na comparação anual, enquanto no quarto trimestre a alta foi de 11,2%.
O crescimento foi disseminado na indústria de transformação. Dos 23 subsetores acompanhados, 16 registraram expansão no ano.
Entre os destaques estão: preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados, fabricação de outros equipamentos de transporte, fabricação de autopeças e fabricação de produtos alimentícios.
Já o setor de Serviços registrou crescimento de 2,8% no faturamento real em 2025, com aceleração ao longo do segundo semestre.
O desempenho positivo também se refletiu no mercado de trabalho, já que a maior parte da expansão do saldo de empregos formais no ano esteve concentrada em atividades de Serviços.
No quarto trimestre, o resultado foi mais concentrado em atividades específicas, como atividades financeiras e de seguros, transportes, alojamento, saúde humana e serviços sociais.
Por outro lado, segmentos relevantes para o universo das PMEs tiveram recuperação mais lenta, como o de alimentação, atividades profissionais, científicas e técnicas.
Em relação ao Comércio, o IODE-PMEs aponta retração de 2,6% no faturamento em 2025, com recuo de 0,5% no quarto trimestre, na comparação anual. O resultado foi pressionado especialmente pelo varejo, que recuou de 4,7% no ano, refletindo o ambiente macroeconômico restritivo.
Segmentos mais dependentes de crédito contribuíram para o resultado negativo, como o comércio especializado em equipamentos e suprimentos de informática, equipamentos de telefonia e comunicação e material de construção.
Já os negócios mais sensíveis à renda apresentaram desempenho superior à média do varejo das PMEs, como medicamentos veterinários, artigos de armarinho e produtos farmacêuticos.
Já o atacado registrou expansão de 3,2% em 2025 e alta de 6,1% no quarto trimestre. Entre as atividades com melhor resultado estão o comércio atacadista de café em grão, sorvetes, resíduos e sucatas metálicos, carnes bovinas e suínas e seus derivados.
Em Infraestrutura, o crescimento de 1,2% no quarto trimestre não compensou as perdas acumuladas ao longo de 2025. O setor encerrou o ano com retração de 4,8%, a mais intensa entre os grandes segmentos acompanhados.
O desempenho refletiu o impacto das taxas de juros elevadas e das condições de crédito restritivas sobre atividades como obras de infraestrutura, construção de edifícios, água, esgoto, gestão de resíduos e descontaminação.
Ainda assim, a Construção registrou avanço de 4,9% no quarto trimestre, sustentada pelos serviços especializados para construção.
Mesmo com a manutenção das taxas de juros em patamares historicamente elevados, o que restringe o acesso ao crédito de empresários e consumidores, as PMEs foram beneficiadas pela continuidade do crescimento da renda das famílias, sustentada pelo mercado de trabalho.
A recuperação da confiança também contribuiu. Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor (FGV/Ibre), houve melhora relevante ao longo do quarto trimestre de 2025, com expansão média de 1% ao mês na série livre de efeitos sazonais.
Além disso, foi observado certo alívio inflacionário na segunda metade do ano, reflexo dos juros elevados, da valorização cambial e da queda nos preços de commodities básicas.
Segundo dados do IGP-M (FGV), que mede a variação de preços no atacado, na construção e no consumidor, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 8,58% ao final do primeiro trimestre para -1,05% no final de 2025.
Apesar da retomada no fim do ano, o levantamento IODE-PMEs revela que desempenho das empresas ficou abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, revertendo o padrão observado entre 2022 e 2024.
Segundo o Boletim Focus, a mediana das expectativas de mercado para o PIB de 2025 é de 2,3%, enquanto o IODE-PMEs encerrou o ano com expansão de 1,2%.
No Sudeste, o mercado ficou praticamente estável na média de 2025 (-0,2%), mas apresentou retomada no segundo semestre, enquanto no quarto trimestre, a região cresceu 5,9% na comparação anual.
No mesmo período, houve manutenção do crescimento no Nordeste (+11,3%), no Centro-Oeste (+6,7%) e no Sul (+2,1%). Já a região Norte registrou retração de 5,8% no quarto trimestre.
O mercado de PMEs inicia 2026 em condições mais favoráveis do que em 2025. O maior controle inflacionário e a recuperação gradual da confiança dos consumidores reduzem parte das pressões enfrentadas no ano anterior, quando a combinação de custos elevados e baixa confiança levou à retração no primeiro semestre.
Apesar das incertezas que ainda cercam o ambiente de negócios, o cenário-base para 2026 não contempla interrupção da expansão da atividade econômica no país. Nesse contexto, o IODE-PMEs prevê expansão de 2,9% para este ano, resultado que representa uma melhora frente a 2025 (+1,2%), mas ainda abaixo da média anual de 7% observada entre 2022 e 2024.
Segundo o Boletim Focus, a mediana das expectativas de mercado indica crescimento de 1,8% do PIB em 2026, em um contexto de inflação mais controlada e início do ciclo de redução da taxa Selic, que deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, abaixo dos atuais 15%, mas ainda em patamar elevado.
A expansão esperada tem como pano de fundo a continuidade do crescimento do consumo das famílias, sustentada pela manutenção da expansão da renda. Em 2025, os rendimentos reais dos trabalhadores avançaram 3,6%. O reajuste do salário mínimo e a ampliação da isenção do imposto para rendas de até R$ 5 mil mensais tendem a elevar a renda disponível, favorecendo o consumo.
O maior controle inflacionário também contribui ao reduzir as pressões sobre itens básicos, ampliando o poder de compra das famílias e criando condições para melhora gradual do ambiente de negócios.
No cenário de crédito, a expectativa do IODE-PMEs é de retomada do ciclo de cortes da Selic ao longo de 2026.
Ainda assim, diante de uma situação fiscal mais sensível e das incertezas associadas ao calendário eleitoral, o espaço para reduções mais intensas da taxa básica no curto prazo tende a ser limitado.
O cenário de 2026 inclui incertezas fiscais, calendário eleitoral e maior volatilidade macroeconômica, tanto no ambiente doméstico quanto internacional. Tensões comerciais e geopolíticas também podem afetar fluxos de comércio e condições financeiras globais.
No âmbito doméstico, anos eleitorais historicamente não estão associados a retrações expressivas da atividade, mas tendem a induzir postura mais cautelosa por parte dos agentes econômicos, especialmente nas decisões de investimento. Além do acompanhamento das pesquisas eleitorais, o empreendedor deve observar os desafios fiscais que se colocam para o próximo governo.
Outro ponto central é o início efetivo da implementação da Reforma Tributária em 2026. A mudança estrutural na tributação sobre o consumo introduz um novo vetor de risco para empresas de todos os portes.
Embora os impactos imediatos sobre as PMEs tendam a ser graduais, a transição exigirá maior disciplina na gestão, controles financeiros mais rigorosos e adaptação dos modelos operacionais.
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