O JPMorgan Chase contestou a tentativa de Donald Trump de nomear o seu CEO, Jamie Dimon, numa grande ação judicial contra o banco, alegando numa nova petição judicial que a sua inclusão foi feita "fraudulentamente".
Em janeiro, Trump intentou uma ação contra o gigante bancário, acusando-o de o colocar a si e aos seus negócios numa "lista negra" após o seu primeiro mandato, efetivamente excluindo-o do sistema bancário. A ação alega ainda que esta decisão foi dirigida por Dimon e exige 5 mil milhões de dólares em indemnizações.
Foi esse detalhe que a empresa contestou numa petição judicial apresentada na quinta-feira, segundo um relatório da Bloomberg. Nela, o JPMorgan Chase afirmou que a inclusão de Dimon por Trump como réu na ação foi feita "fraudulentamente", a fim de conseguir que o caso fosse apresentado num tribunal estadual da Flórida, onde Trump tem tendência a obter juízes simpáticos, e evitar ir para um tribunal federal.
A empresa explicou que Dimon não pode ser incluído na ação ao abrigo da lei de práticas comerciais desleais da Flórida citada pelo presidente, porque ele é "estreita e exaustivamente regulado pelas agências bancárias federais". A petição procura que o caso seja transferido para um tribunal federal em Miami, com planos de o transferir novamente para um tribunal estadual em Nova Iorque mais adiante.
O objetivo final do banco é ter a ação "infundada" rejeitada. Os advogados do banco acusaram a ação de ser "pouco clara" em pontos-chave do seu argumento, particularmente sobre a "lista negra" no centro do seu argumento.
"Eles não explicam o que esta 'lista negra' implica, quando foi criada, a quem foi supostamente distribuída, ou qualquer outro detalhe que a descreva", disseram os advogados do banco. "Nem é plausível que o JPMorgan pudesse criar tal lista de forma consistente com o complexo esquema regulamentar federal ao qual está sujeito."
Numa declaração à Bloomberg, a equipa jurídica de Trump manteve as alegações na ação, embora não tenha fornecido provas para contrariar as afirmações do JPMorgan. A equipa também alegou, como tem feito frequentemente, que Trump está a processar a empresa em nome do cidadão comum, pois ele "está a defender todos aqueles que foram injustamente excluídos do sistema bancário pelo JPMorgan Chase e pelos seus cúmplices".
"Por sua própria admissão, o JPMorgan Chase, sob a direção do CEO Jamie Dimon, excluiu ilegalmente do sistema bancário e colocou na lista negra o Presidente Trump, a sua família e vários dos seus negócios, causando danos financeiros e de reputação esmagadores", lia-se na declaração.
No mesmo dia em que esta petição foi apresentada, o Financial Times informou que o JPMorgan Chase tem estado em negociações para fornecer serviços bancários para a iniciativa "Board of Peace" de Trump. Não está claro como este acordo poderá afetar a ação judicial e vice-versa. Embora não seja conhecido como um opositor declarado de Trump, Dimon criticou recentemente a exigência de Trump de limitar todos os juros de cartões de crédito a 10 por cento, chamando a ideia de "desastre económico".


