Raio-x — Foto: Arte EN
Cerca de 3,6 bilhões de exames de diagnósticos por imagem são realizados globalmente a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). E entre eles o raio-X ainda é a modalidade mais comum.
Essa tecnologia, que utiliza radiação eletromagnética de alta energia para visualizar estruturas internas do corpo, foi descoberta em 8 de novembro de 1895 pelo físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845–1923), na época em que era professor da Universidade de Würzburg.
Ele realizava experimentos com tubos de raios catódicos - tubos de vidro, dentro dos quais um condutor metálico aquecido emite elétrons - quando percebeu que uma placa de material fluorescente (bário) brilhou, e que o brilho permanecia mesmo após ser recoberto com papel.
O físico, então, concluiu que o tubo emitia, além dos raios catódicos, algum tipo de radiação invisível e desconhecida. Como não sabia exatamente o que era, chamou de “raio-X”, usando o “X” como símbolo do desconhecido.
“Röntgen logo identificou o potencial da descoberta na Medicina”, diz Augusto Antunes, diretor de Comunicação do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). “Ele percebeu que aqueles raios atravessavam matéria, incluindo tecidos moles. E, dependendo da densidade da matéria, atenuavam mais ou menos o raio.”
A primeira imagem radiográfica da história foi feita da mão da esposa do físico, Anna Bertha, no dia 22 de dezembro de 1985. A fotografia revelou nitidamente os ossos e o anel que ela usava no dedo. Segundo relatos históricos, ao ver a imagem, Bertha teria dito “Vi minha própria morte”.
Primeiro raio-x — Foto: Domínio público/Wikimedia Commons
O impacto do raio-x foi imediato, pois, pela primeira vez, médicos podiam enxergar o interior do corpo humano sem a necessidade de abri-lo, transformando assim a relação entre diagnóstico e tratamento.
“Em 1896, já tinha um monte de papers falando sobre as radiações e como elas poderiam ser usadas de uma forma interessante na Medicina, já que se podia justamente fazer diagnóstico sem abrir a pessoa. Isso ajudou muito, principalmente em fraturas, mas também na identificação de corpos estranhos no organismo e em cirurgias”, relata Antunes.
Ele continua: “Essa é uma inovação que foi adotada de forma muito rápida porque não é cara. E a partir dela surgiu a área que hoje chamamos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, fundamental para a área de saúde”.
Em 1901, Röntgen recebeu o primeiro Prêmio Nobel de Física, em reconhecimento à importância científica e prática da descoberta do raio-X. Contudo, ele se recusou a patenteá-la, pois acreditava que deveria beneficiar toda a humanidade, e não gerar lucro pessoal.
Uma das responsáveis pela aplicação prática da radiologia na área médica foi a física e química polonesa-francesa Marie Curie (1867-1934), que conduziu pesquisas pioneiras sobre radioatividade. Ela desenvolveu as primeiras unidades móveis de radiografia, apelidadas de "petites Curies", e as utilizou para diagnosticar soldados feridos na Primeira Guerra Mundial, na década de 1910.
Como Röntgen desejava, o raio-X trouxe mesmo benefícios para toda a humanidade. O que ele encontrou em seu laboratório abriu caminho para o desenvolvimento de tecnologias fundamentais na área da saúde, incluindo o próprio equipamento de raio-X, bem como os de tomografia computadorizada e mamografia.
E não só isso. A técnica extrapolou a medicina, tendo ampla aplicação científica, industrial e de segurança. Por exemplo, para inspeção de tubulações, escaneamento de cargas e estudo de fenômenos cósmicos.
Importante destacar que, inicialmente, os riscos da radiação eram pouco compreendidos. Profissionais e pacientes eram expostos a doses elevadas, muitas vezes sem proteção. Ao longo do século XX, estudos demonstraram os efeitos biológicos da radiação ionizante, levando ao desenvolvimento de protocolos de segurança, blindagens e limites rigorosos de exposição.
Além disso, com o desenvolvimento da tecnologia, hoje os equipamentos utilizam doses significativamente menores de radiação. Fora que são digitais e produzem imagens de altíssima resolução.
Banner da série Invenções — Foto: Clayton Rodrigues


