O mercado cripto entrou em um novo estado de tensão nesta quarta-feira, quando os ETFs de Bitcoin registraram saídas de US$ 133 milhões, um movimento que reforça o clima de cautela. O dado ganhou ainda mais peso porque o IBIT da BlackRock perdeu US$ 84 milhões em um único dia, elevando o alerta entre analistas.
Mesmo assim, o volume de negociação permaneceu abaixo de US$ 3 bilhões. Esse comportamento indica uma postura defensiva, mas sem sinais claros de pânico generalizado.
As retiradas já somam US$ 238 milhões na semana, o que pode levar os ETFs a registrarem a primeira sequência de cinco semanas de saídas desde março de 2025. Desde o início do ano, os resgates acumulados já alcançam US$ 2,5 bilhões, embora os fundos ainda administrem mais de US$ 83,6 bilhões em ativos.
Esse contraste mostra que o movimento atual se parece mais com uma rotação estratégica do que com um abandono completo. Mesmo assim, o sentimento permanece frágil, especialmente porque os ETFs de Ethereum perderam US$ 41,8 milhões e os de XRP enfrentaram saídas de US$ 2,2 milhões no mesmo período.
No entanto, um ponto chama atenção. Enquanto Bitcoin, Ethereum e XRP enfrentam retirada de capital, os ETFs de Solana seguem no sentido oposto. Eles registram seis dias consecutivos de entradas, acumulando cerca de US$ 113 milhões no ano e quase US$ 700 milhões desde o lançamento em 2025.
Apesar do sentimento global de “medo extremo”, Solana continua atraindo recursos. Ainda assim, o ritmo diminuiu. Em fevereiro, as entradas somam apenas US$ 9 milhões, bem abaixo dos US$ 105 milhões de janeiro. A desaceleração sugere que, embora ainda exista apetite por Solana, ele já não ocorre na mesma velocidade dos meses anteriores.
Os fundos de XRP, lançados em novembro, também surpreendem porque ultrapassaram US$ 1 bilhão em ativos sob gestão, mesmo com as saídas recentes. Essa divergência reforça a tese de que o mercado atravessa uma redistribuição interna, não uma fuga absoluta.
Enquanto isso, o índice de medo e ganância permanece travado na zona de medo extremo, apesar da recuperação do Bitcoin acima dos US$ 60 mil. Analistas do Standard Chartered preveem que o BTC pode testar os US$ 50 mil antes de buscar US$ 100 mil até 2026.
Além disso, dados da CryptoQuant mostram que o índice de Sharpe de curto prazo atingiu níveis que precederam fortes altas no passado. Segundo Ignacio Moreno De Vicente, padrões semelhantes costumam antecipar movimentos explosivos.
Assim, embora as manchetes falem em saídas expressivas, o contexto mais amplo mostra que apenas 3% dos ativos totais dos ETFs de Bitcoin foram retirados. O número impressiona, mas não aponta para um colapso estrutural. Agora, o mercado aguarda para ver se essa pressão continuará ou se dará espaço a uma fase de estabilização.
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