Presidente interino afirma que decisão da Suprema Corte norte-americana é "muito importante para o Brasil" e amplia as trocas comerciaisPresidente interino afirma que decisão da Suprema Corte norte-americana é "muito importante para o Brasil" e amplia as trocas comerciais

Derrubada do tarifaço nos EUA “abriu avenida” para comércio, diz Alckmin

2026/02/21 04:26
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O presidente interino e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), disse nesta 6ª feira (20.fev.2026) que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de considerar as tarifas globais do presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), como ilegais “abriu a avenida” para o comércio exterior.

“A negociação continua, o diálogo continua e acho que abriu uma avenida ainda maior para a gente poder ter aí um comércio exterior mais pujante. O que significa emprego e renda”, declarou a jornalistas na sede do Mdic, em Brasília (DF).

Alguns setores serão beneficiados com a medida, de acordo com Alckmin. Mencionu armamento, máquina, motores, madeira e café solúvel. Segundo o presidente interino, o Brasil manterá conversas com os EUA sobre a taxação específica a alguns setores, como aço e alumínio, por meio da  Seção 232.

Outros itens também entram em pauta. Citou data centers, minerais estratégicos e terras raras, bem como etanol.

Com a decisão da Suprema Corte dos EUA, a Casa Branca deve já adotar as medidas para suspender as tarifas.

Foram 6 votos a 3. O entendimento da maioria da Corte é que o presidente não pode criar tarifas por conta própria sem autorização expressa do Congresso. A Constituição norte-americana atribui ao Legislativo o poder de instituir impostos e tarifas de importação.

A decisão foi redigida pelo juiz-chefe John Roberts. Segundo ele, “o presidente deve apontar para uma autorização clara do Congresso para justificar sua extraordinária alegação de poder para impor tarifas”. Eis a íntegra (PDF – 738 kB, em inglês).

O Tribunal chegou a essa conclusão ao analisar ações judiciais movidas por pequenas empresas afetadas pelas tarifas e por 12 Estados norte-americanos. Os autores argumentaram que Trump extrapolou sua autoridade ao impor taxas amplas sobre produtos importados de diversos países.

Trump classificou como “uma vergonha” a determinação judicial. “A decisão da Suprema Corte sobre as tarifas é profundamente decepcionante. E eu tenho vergonha de certos membros da corte, absolutamente vergonha por não terem a coragem de fazer o que é certo para o nosso país […] Eles são contra tudo que torna a América forte, saudável e grande novamente. Eles também são, francamente, uma vergonha para nossa nação”, afirmou.

TARIFA GLOBAL DE 10%

Depois de a Suprema Corte derrubar o tarifaço, o presidente dos EUA anunciou uma taxa global de 10%. “Hoje, assinarei uma ordem para impor uma tarifa global de 10% ao abrigo da Secção 122, para além das nossas tarifas normais já em vigor”, disse Trump em pronunciamento oficial.

Alckmin minimizou a decisão de Trump. “Os 10% global são para todos. Não perdemos competitividade”, declarou.

IMPACTO SOBRE O BRASIL

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 37,7 bilhões em 2025. Trata-se de um recuo de 6,6% na comparação com 2024, quando o total foi de US$ 40,4 bilhões.

As exportações aos EUA representam 10,8% do total do que foi vendido pelo Brasil ao mundo. O percentual corresponde ao menor patamar desde 2020, quando foi de 10,3%.

As tarifas definidas por Trump entraram em vigor em 6 de agosto. O presidente norte-americano determinou uma alíquota de 50% sobre os produtos brasileiros: uma taxa geral de 10%, acrescida de uma cobrança adicional de 40%.

A medida deixou as exportações do Brasil aos Estados Unidos mais caras. Em 14 de novembro, Trump havia anunciado a redução das tarifas de importação sobre diversos produtos, como carne bovina, café, tomate e banana.

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