A BlackRock realizou sua primeira aquisição direta de tokens de governança de Finanças Descentralizadas (DeFi) ao comprar UNI, o ativo nativo da exchange descentralizada Uniswap. O movimento estratégico impulsionou o preço do token, que chegou a atingir US$ 4,60 (aproximadamente R$ 26,60) antes de estabilizar na faixa de US$ 3,80 a US$ 4,00 (cerca de R$ 22,00 a R$ 23,00). Essa compra ocorre em paralelo à plena integração do fundo tokenizado BUIDL na arquitetura da Uniswap, sinalizando que a maior gestora de ativos do mundo vê valor fundamental na infraestrutura descentralizada.
Em termos simples, a BlackRock está ultrapassando a barreira dos ETFs de Bitcoin e Ethereum para interagir diretamente com protocolos que operam contratos inteligentes. A aquisição de tokens UNI não é apenas especulativa; ela serve como uma ferramenta de governança e alinhamento com a infraestrutura da Uniswap, que agora suporta a negociação do fundo tokenizado BUIDL.
Esta operação é o resultado de 18 meses de colaboração entre as equipes da gestora em Manhattan e os desenvolvedores da Uniswap. Anteriormente, a Uniswap já havia integrado o fundo tokenizado da BlackRock em sua interface, mas a compra direta do token de governança marca um novo nível de compromisso. Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock, classificou a integração como um salto na interoperabilidade entre rendimentos tokenizados em dólares e stablecoins.
A entrada da gestora trouxe métricas relevantes para o ecossistema, validando a tese de convergência entre finanças tradicionais (TradFi) e DeFi:
Segundo analistas ouvidos pelo CryptoBriefing, a parceria com a Securitize foi essencial para garantir a conformidade regulatória e a custódia segura necessária para essa operação.
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Para o investidor brasileiro, a chancela da BlackRock reduz significativamente a percepção de risco institucional sobre o setor DeFi. Embora o uso direto do BUIDL ainda seja restrito a investidores qualificados, a valorização do token UNI impacta diretamente quem possui o ativo em corretoras locais ou carteiras globais.
Além disso, a movimentação fortalece a tese de futuros produtos de investimento regulados focados em DeFi. Recentemente, a Bitwise planejou um ETF spot de Uniswap (UNI), e a entrada da BlackRock pode acelerar a aprovação ou criação de produtos similares acessíveis via B3 no futuro. É um momento para observar como a conversão de taxas e a liquidez em dólares (USD) vão interagir com o mercado global, lembrando sempre de considerar a volatilidade cambial do Real (BRL) ao investir em ativos dolarizados.
Apesar do otimismo, o investidor deve manter cautela. O setor DeFi ainda enfrenta escrutínio regulatório nos Estados Unidos, e a própria Uniswap já recebeu avisos da SEC no passado. A participação da BlackRock na governança do protocolo deve ser monitorada de perto: como a gestora votará em propostas de atualização do protocolo?
Analistas do The Block destacam que o sucesso dessa integração dependerá da expansão do acesso ao BUIDL para além de investidores institucionais iniciais. No curto prazo, a volatilidade do UNI pode permanecer alta enquanto o mercado “precifica” essa nova fase de adoção institucional.
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