Diego Ramiro afirma que a autoridade monetária já tem o sistema bancário para supervisionar e defende "fortalecer a CVM"Diego Ramiro afirma que a autoridade monetária já tem o sistema bancário para supervisionar e defende "fortalecer a CVM"

É erro transferir fiscalização de fundos ao BC, diz presidente da Abai

2026/02/21 21:00
Leu 4 min
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O presidente da Abai (Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos), , 39 anos, define como um “erro” transferir a fiscalização de fundos de investimento ao Banco Central. Há uma defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para que haja a ampliação do perímetro regulatório da autoridade monetária.

Criada em 7 de dezembro de 1976, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é responsável por fiscalizar, estabelecer normas e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil. A autarquia é vinculada ao Ministério da Fazenda. A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), por sua vez, faz a autorregulação privada.

[A CVM] tem hoje técnicos que, na nossa visão, são os mais gabaritados junto com a Anbima para a fiscalização. E o Banco Central já tem um hall de fiscalização enorme, que é o sistema bancário”, afirma Ramiro ao Poder360.

“Até prejudica, porque o Banco Central não faz isso. Nunca fez. Quem faz isso é a CVM há muitos anos”, acrescenta.

Assista (2min39s):

Segundo o especialista, o que poderia ser feito é reforçar o quadro de funcionários da comissão: Faltam servidores –acho que vocês já falaram dos concursos que poderiam ter–, mas eles são extremamente capazes de fazer esse serviço de fiscalização”.

CASO MASTER

Ramiro classifica o caso do Banco Master como “a maior fraude do sistema bancário brasileiro” e afirma que vários atores falharam. “Entendo que a culpa foi de todos: Banco Central, CVM, distribuidoras, plataformas, investidores”, declara.


Leia também:

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O presidente da Abai diz que foi um “choque para o mercado financeiro” a compra de letras de crédito do Master feita por fundos previdenciários de Estados e municípios. Só o RioPrevidência pagou cerca de R$ 1 bilhão.

Ele defende responsabilizar diretores desses fundos: “Regras mais rígidas quando se está cuidando do dinheiro de terceiros ajudariam bastante a eliminar esse risco”.

Estão entre as medidas que deveriam ser tomadas, segundo o presidente da Abai:

  • perfis mais técnicos para administrar esses recursos;
  • o gestor passa a responder pelas perdas financeiras com o próprio patrimônio quando houver comprovadamente má alocação.

QUANTIDADE DE FUNDOS

Ao todo, o Brasil tinha 31.454 fundos de investimento em 2025. O número é quase 3 vezes o total de fundos dos Estados Unidos (12.215).

A quantidade vultosa equivale a 19,3% do total do planeta (163,3 mil) e é quase o dobro do que tem a Coreia do Sul (16.369), segundo dados da IIFA (International Investment Funds Association). Isso faz o Brasil ser o líder mundial nesse quesito.

“Não é só o lado ruim. Há um lado bom que a própria regulação é capaz de cuidar e monitorar os fundos. Claro que 31.454 fundos é um número extremamente alto, isso porque tem várias gestoras hoje no Brasil que desempenham com fundos com o patrimônio pequeno”, declara Ramiro.

Assista à entrevista na íntegra (36min35s):

OFÍCIO AO BANCO CENTRAL

Em setembro de 2024, a Abai encaminhou ao Banco Central um ofício pedindo mais transparência na relação dos assessores de investimento na venda de fundos. Não houve resposta, segundo a associação.

Um novo envio foi feito em novembro de 2025, sem retorno. “A gente entende que a transparência não tem que ser só da indústria de fundos e valores mobiliários. Tem que ser da indústria como um todo, também dos produtos bancários”, afirma.

A referência é feita a produtos de renda fixa bancária, como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CDB (Certificado de Depósito Bancário) e Poupança. “Esses produtos não são transparentes”, acrescenta.

PERFIL DO INVESTIDOR BRASILEIRO

A Selic está em 15% ao ano. A taxa básica de juros está no maior nível desde 2006. Diego Ramiro afirma que isso contribui para moldar o perfil do investidor brasileiro.

“O investidor brasileiro é um investidor focado muito mais em renda fixa. Por quê? Para quê ele vai correr risco se a gente tem títulos do Tesouro, o próprio Tesouro Selic, pagando 15% ao ano? Para quê ele vai correr risco em outros tipos de investimento? E mais do que isso: o nosso mercado de capitais poderia ser muito maior se tivesse uma Selic mais atrativa […] O gringo, o capital externo está mais acostumado com renda variável, declara.


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