O mercado de ETFs de Bitcoin iniciou 2026 com uma pressão intensa e constante. Embora o setor tenha crescido rapidamente nos últimos dois anos, ele agora enfrenta seu período mais longo de enfraquecimento institucional. Desde o início de janeiro, os fundos vêm acumulando perdas relevantes e reacendendo o debate sobre o apetite dos grandes investidores.
Os dados mostram que os ETFs dos EUA já perderam quase US$ 4,5 bilhões em 2026. Esse movimento ocorre enquanto a incerteza macroeconômica global empurra o capital para ativos considerados mais seguros. Ainda assim, algumas semanas pontuais registraram entradas modestas, mas insuficientes para neutralizar a tendência.
As saídas ganharam força no final de janeiro e permaneceram firmes por cinco semanas seguidas. Nesse intervalo, os ETFs perderam aproximadamente US$ 4 bilhões, impulsionados pela queda no preço do Bitcoin e pela redução do apetite institucional. O cenário atingiu principalmente os maiores fundos do setor, que sentiram rapidamente a fuga de capital.
Fluxos semanais de ETFs de Bitcoin em 2026. Fonte: SoSo Value
O IBIT da BlackRock registrou mais de US$ 2,1 bilhões em saídas durante esse período. Logo depois, o FBTC da Fidelity também sofreu, com perdas superiores a US$ 954 milhões. Embora os dois fundos tenham liderado a fase positiva do mercado em 2025, agora enfrentam um desafio inverso e expressivo.
O analista JA Maartun, da CryptoQuant, destacou que as saídas acumuladas chegam a US$ 8,3 bilhões, abaixo do recorde histórico, mas suficientes para tornar este o ano mais fraco desde o lançamento dos ETFs. Mesmo assim, ele ressaltou que o comportamento atual revela apenas uma mudança temporária no sentimento institucional.
A política monetária dos Estados Unidos também reforçou a tendência. Nos últimos meses, o ambiente macroeconômico levou Wall Street a reduzir riscos e a priorizar instrumentos tradicionais. Como consequência, investidores migraram de ativos digitais para metais preciosos, especialmente ouro e prata.
Somente nos últimos três meses, os ETFs ligados ao ouro receberam US$ 16 bilhões, ampliando a distância entre os dois mercados. Essa migração indica que o investidor institucional voltou a buscar proteção, mesmo que ainda enxergue potencial de longo prazo nos ativos digitais.
Apesar da pressão atual, especialistas afirmam que a estrutura dos ETFs de Bitcoin continua sólida. O analista Eric Balchunas, da Bloomberg, destacou que os fundos permanecem muito acima das expectativas iniciais. Ele lembrou que o mercado previa entradas entre US$ 5 bilhões e US$ 15 bilhões no primeiro ano, enquanto os valores reais superaram esse intervalo com folga.
Ao final, os analistas afirmam que o setor enfrenta um ajuste natural após dois anos de forte expansão. No entanto, eles observam que o interesse institucional não desapareceu, apenas se encontra em um momento de pausa estratégica.
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