O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), atingiu pela primeira vez o patamar de 190 mil pontos nesta sexta-feira (20), encerrando o pregão em alta de 1,06%, aos 190.534,42 pontos, no 12º recorde de 2026.
O movimento foi impulsionado pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão reduziu incertezas sobre o comércio global e impulsionou bolsas ao redor do mundo.
Logo depois, Trump afirmou que assinaria um decreto impondo uma tarifa global de 10%, já reajustada para para 15%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio. Mesmo assim, prevaleceu o tom de alívio entre investidores, que enxergaram na decisão da Corte um freio a medidas mais amplas e imediatas.
Entre as ações de maior peso no Ibovespa, os papéis da Petrobras tiveram desempenho misto, com baixa de 0,61% (ON) e alta de 0,42% (PN). Já a Vale disparou 3,23%, encerrando o dia na máxima e exercendo forte peso positivo sobre o índice.
O setor financeiro liderou os ganhos e deu sustentação adicional ao rali. As ações do Bradesco subiram 2,07% (ON) e 2,02% (PN), enquanto o Santander (Unit) avançou 3,12% e o Banco do Brasil (ON) ganhou 2%. Itaú (PN) também fechou em alta, com avanço de 1,4%.
Entre as maiores altas do dia estiveram Vamos (+4,01%) e MRV (+3,09%). Na ponta negativa, Raízen caiu 3,23%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,98% ante o real, cotado a R$ 5,17, no menor valor desde maio de 2024, impactado pela decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender as tarifas impostas por Donald Trump.
No cenário internacional, repercute a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tensionar o comércio global ao elevar de 10% para 15% a tarifa anunciada após a Suprema Corte considerar ilegal o chamado “tarifaço” do Dia da Libertação. A nova sobretaxa passa a valer já nesta terça-feira (24) e será aplicada de forma cumulativa às tarifas que já estão em vigor.
A Casa Branca fundamenta a medida na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a imposição de tarifas de até 15% por um período de 150 dias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem necessidade de investigação prévia.
A decisão do tribunal coloca sob questionamento mais de US$ 133 bilhões já arrecadados pelo Tesouro americano com impostos de importação. A Corte, no entanto, não detalhou como o governo deverá proceder em relação à devolução desses recursos aos importadores.
Em entrevista à CBS, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reforçou que a estratégia permanece intacta. “A política não mudou, apenas as ferramentas mudaram. Outras bases legais continuam disponíveis”, afirmou, sinalizando que a Casa Branca não pretende recuar.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin avalia que a decisão da Suprema Corte pode afetar tanto a tarifa recíproca de 10% estabelecida em abril quanto a sobretaxa adicional de 40% anunciada em julho. Já as tarifas aplicadas a produtos específicos, como aço, alumínio e automóveis, baseadas em outras legislações, seguem válidas.
No front político, durante agenda oficial à Índia, o presidente Lula firmou 11 acordos governamentais e institucionais, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Entre os destaques está um memorando de entendimento para cooperação em terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos na transição energética e na indústria de alta tecnologia.
As Bolsas da Europa operam mistas, com viés majoritariamente positivo. O mercado reage ao aumento das incertezas comerciais após Trump anunciar uma nova tarifa geral, enquanto investidores monitoram a temporada de balanços, com resultados previstos de empresas como Telefónica e Casino.
Na Ásia, os índices encerraram o pregão desta segunda-feira majoritariamente em alta, apesar das tarifas comerciais anunciadas por Donald Trump. Com feriados na China e no Japão, os volumes de negociação ficaram reduzidos na região.
O índice Hang Seng, de Hong Kong, liderou os ganhos na Ásia ao avançar 2,53%, sustentado pelo forte desempenho das empresas de tecnologia e do setor automotivo. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,65% e renovou sua marca histórica, impulsionado pelas fabricantes de chips, com destaque para Samsung Electronics e SK Hynix.
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa nesta segunda-feira (23), em meio à incerteza sobre as novas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte derrubar as tarifas “recíprocas”, na sexta-feira (20).
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, a nova ofensiva comercial do presidente Donald Trump elevou a tensão entre Washington e seus parceiros, reacendendo dúvidas sobre o acordo comercial fechado em 2025 entre Estados Unidos e União Europeia.
Pelo pacto, a UE eliminaria tarifas sobre diversos produtos americanos em troca de uma alíquota de 15% sobre a maior parte de suas exportações para os EUA. Agora, o arranjo pode ser revisto. O eurodeputado Bernd Lange defendeu o adiamento da votação prevista para esta semana, citando o que chamou de “caos tarifário” provocado pela atual administração americana.
No setor de tecnologia, Nvidia e OpenAI teriam desistido de um acordo estimado em US$ 100 bilhões. A operação deve ser substituída por um investimento de US$ 30 bilhões da Nvidia na desenvolvedora de inteligência artificial, movimento que pode redesenhar a dinâmica de poder no setor.
Na agenda desta segunda-feira, o dirigente do Federal Reserve (Fede), Christopher Waller, discursa às 10h, enquanto a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, fala às 14h30.
Ao longo da semana, os investidores monitoram a inflação ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, na quarta-feira, e o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA, na sexta-feira (27).
No Brasil, a semana começa com a divulgação do Boletim Focus, termômetro das projeções do mercado. As atenções, porém, se voltam para sexta-feira, quando saem o IPCA-15 e os dados de emprego do Caged.
A poucas semanas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 17 e 18 de março, os números podem reforçar ou enfraquecer as apostas em um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, para 14,5%.
Nesta terça-feira (24), a Receita Federal divulga a arrecadação de janeiro; na quarta-feira (25), sai o Relatório Mensal da Dívida e na quinta-feira (26), o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne sob a condução de Fernando Haddad.
No campo jurídico, o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento da desoneração da folha de pagamentos. Também está na pauta a análise da liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu o pagamento de verbas extras consideradas ilegais, os chamados “penduricalhos”.
Em meio à agenda intensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre compromissos na Coreia do Sul, onde se reúne com o presidente Lee Jae-myung e empresários locais, reforçando a estratégia de aproximação comercial e tecnológica com a Ásia.
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