A Azul Linhas Aéreas (AZUL53) anunciou na última sexta-feira (20) que concluiu seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11. A companhia havia iniciado o procedimento em maio de 2025.
Segundo a empresa, o processo resultou na redução de cerca de US$ 1,1 bilhão em dívidas de empréstimos e financiamentos. Considerando também a queda nas obrigações de arrendamento de aeronaves, a redução total chega a aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
Em maio de 2025, quando anunciou o início da recuperação, a Azul estimava a eliminação de mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,28 bilhões) em obrigações e um aporte financeiro de US$ 950 milhões.
A companhia informou que seu novo capital social totaliza R$ 21,8 bilhões, dividido em 54,73 bilhões de ações ordinárias.
Caso as três séries de bônus de subscrição sejam integralmente exercidas, o número total de ações poderá subir para 66,85 bilhões.
A Azul informou que reduziu em 36% os custos de arrendamento de aeronaves e também reportou redução de cerca de um terço nos custos recorrentes de leasing.
Durante a recuperação judicial, a empresa encerrou operações em 14 cidades e realocou ativos para preservar caixa.
Segundo o CEO da Azul, John Rodgerson, a empresa reduziu a tolerância a rotas deficitárias. “Nossa paciência com o mercado que não era rentável era mínima. Então, nós tivemos que reconstruir a Azul, reconstruir nosso balanço”, afirmou.
O executivo disse ainda que a companhia deve receber entre cinco e dez aeronaves por ano, número inferior a ciclos anteriores, quando mais de 20 aviões eram incorporados anualmente. “Quando você tem mais de 20 aeronaves, você vai errar em alguns mercados”, declarou.
A estratégia, segundo ele, é crescer com menor risco operacional e maior foco em rentabilidade. “Vamos ser muito mais conservadores alocando onde precisa e onde nós podemos ser mais rentáveis”, disse.
Rodgerson afirma que o crescimento será “mais responsável” e que a empresa pretende investir na experiência do cliente.
“Quando você paga uma fortuna de juros por causa da Covid, não tem flexibilidade para crescer. Agora, limpando isso, podemos crescer”, afirmou. O foco de expansão inclui os hubs de Campinas (SP), Confins (MG) e Recife.
Durante o processo, a Azul captou aproximadamente US$ 1,37 bilhão por meio da emissão de Notas Sênior (títulos de dívida com prioridade de pagamento) e recebeu US$ 950 milhões em compromissos de investimento em ações (equity).
A empresa afirmou que reduziu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros, na comparação com os níveis anteriores ao Chapter 11. A dívida líquida caiu de US$ 7 bilhões para cerca de US$ 3,7 bilhões.
A alavancagem ajustada (indicador que mede a relação entre dívida líquida e geração de caixa operacional) estava em 4,9 vezes no segundo trimestre de 2025 e agora está abaixo de 2,5 vezes, segundo a companhia.
A saída do Chapter 11 consolida a entrada das companhias norte-americanas American Airlines e United Airlines no capital da Azul. Cada empresa irá aportar US$ 100 milhões e terá aproximadamente 8% de participação acionária, após aprovação regulatória.
No caso da American, o acordo ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Segundo a Azul, American e United se tornarão acionistas de referência, embora nenhuma das duas tenha direito automático de indicar membros ao conselho, conforme previsto no plano aprovado na Justiça dos Estados Unidos.
Rodgerson afirma que as companhias estrangeiras miram a conectividade da Azul no Brasil. “O que eles estão mirando na Azul é que nós temos muito mais conectividade no país. A gente voa para muito mais destinos que qualquer outra empresa aérea”, disse.
A United é parceira da Azul há mais de uma década e já teve assento no conselho da companhia, enquanto a American passa a integrar a estrutura como nova parceira e deverá firmar acordo de compartilhamento de voos (codeshare), modelo já existente entre Azul e United.
Antes mesmo do anúncio do fim da recuperação judicial, a Azul havia comunicado três acordos para investimentos de US$ 300 milhões, realizados pelas duas companhias norte-americanas e por outros credores, como parte do plano.
A Azul entrou com pedido de recuperação judicial em maio de 2025 como parte de um movimento observado no setor aéreo latino-americano após a pandemia. Empresas como Gol Linhas Aéreas e LATAM Airlines também passaram por processos semelhantes.
Segundo a companhia, o Chapter 11 permitiu reduzir dívidas e obrigações de arrendamento em cerca de US$ 2,5 bilhões, além de viabilizar a captação de quase US$ 1,4 bilhão em dívidas e US$ 950 milhões em capital.
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