O Bitcoin (BTC) inicia a semana sob forte pressão e sem sinais consistentes de recuperação no curto prazo. Analistas do mercado apontam que o cenário macroeconômico, fatores técnicos e eventos relevantes previstos para os próximos dias reduzem significativamente a probabilidade de alta da criptomoeda nesta semana.
O ambiente global mais restritivo segue como principal obstáculo para o avanço do ativo. Juros elevados nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e incertezas políticas mantêm investidores cautelosos e limitam o fluxo para ativos de maior risco, como o mercado cripto.
De acordo com Marco Aurélio, CIO da Vault Capital, a semana concentra eventos decisivos para o comportamento do mercado financeiro global. Entre eles estão discursos de dirigentes do Federal Reserve, divulgação de dados de inflação ao produtor (PPI) e resultados corporativos relevantes.
Esses fatores podem alterar expectativas sobre juros e liquidez, elementos fundamentais para ativos voláteis. Pequenas mudanças no discurso do Fed, por exemplo, têm potencial para influenciar diretamente o apetite por risco.
Além disso, o mercado acompanha o resultado da Nvidia, que pode intensificar ou reduzir preocupações sobre uma possível bolha no setor de inteligência artificial. Dependendo do desempenho da empresa, o sentimento global pode oscilar entre alívio temporário e aumento da cautela.
No campo técnico, a estrutura do Bitcoin permanece fragilizada. O mercado observa uma região crítica entre US$ 60 mil e US$ 65 mil, considerada zona-chave de suporte no curto prazo.
De acordo com Marco Aurélio, o chamado “put wall” retornou para US$ 60 mil, enquanto US$ 65 mil continua sendo um suporte relevante. Entre esses níveis, a região de US$ 62 mil ganhou peso técnico.
Para que o ativo volte a mostrar força estrutural, seria necessário superar e sustentar níveis acima de US$ 68 mil, o que ainda não ocorre. Sem essa confirmação, o mercado segue sem base sólida para iniciar um novo movimento de alta.
Outro fator relevante é o vencimento expressivo de opções previsto para o dia 27, com liberação de cerca de 31% do gamma. Esse evento reduz as proteções que hoje sustentam determinadas faixas de preço.
Na prática, isso pode aumentar a volatilidade e permitir movimentos mais rápidos de queda, reduzindo ainda mais a previsibilidade de recuperação imediata.
O cenário macro também reforça o viés negativo. Segundo Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX, o Bitcoin permanece em tendência de baixa no gráfico diário e sem sinais claros de reversão.
Analistas projetam que o ativo deve oscilar entre aproximadamente US$ 62 mil e US$ 72 mil nos próximos dias, refletindo um mercado em busca de equilíbrio após a forte queda recente. Dentro dessa faixa, a probabilidade maior é de consolidação com leve pressão negativa.
Enquanto permanecer abaixo das principais resistências e sob condições financeiras globais restritivas, o ativo tende a continuar lateralizado.
Dados recentes também mostram um mercado dominado por vendas. Segundo Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, os volumes indicam dinâmica predominante de saída de capital e medo elevado entre investidores.
O Bitcoin chegou a sustentar níveis entre US$ 67 mil e US$ 68 mil na semana passada, mas recuou cerca de 2,6% após a abertura das bolsas asiáticas. O movimento foi acompanhado por quedas generalizadas nas altcoins.
A incerteza política também pesa sobre os mercados. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos envolvendo tarifas comerciais gerou dúvidas sobre impactos econômicos futuros, enquanto tensões entre Estados Unidos e Irã aumentaram a busca global por ativos de proteção, como o ouro.
Ao mesmo tempo, os ETFs de Bitcoin registraram cinco semanas consecutivas de saídas líquidas, acumulando cerca de US$ 315 milhões negativos. Esse fluxo indica redução de exposição institucional ao ativo.
Dados on-chain também reforçam a cautela. Segundo Sarah Uska, analista do Bitybank, as reservas de Bitcoin em exchanges aumentaram enquanto o preço perdia força, sinalizando maior pressão vendedora no curto prazo.
O crescimento da oferta disponível, combinado com sentimento de medo extremo, indica um mercado mais vulnerável a novas oscilações negativas.
Já Guilherme Prado, country manager da Bitget, destaca que o Bitcoin segue abaixo das principais médias móveis e apresenta RSI em níveis que confirmam predominância do momentum baixista.
Nesse contexto, o ativo tende a operar de forma lateral ou levemente pressionada, com risco de testar novamente a região de US$ 60 mil caso o suporte atual seja perdido.
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