Itamaraty confirma 23 mortes e 44 desaparecimentos; embaixada ucraniana fala em mais de 40 mortosItamaraty confirma 23 mortes e 44 desaparecimentos; embaixada ucraniana fala em mais de 40 mortos

Mais de 50 brasileiros morreram ou desapareceram na guerra da Ucrânia

2026/02/24 17:00
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A guerra entre Rússia e Ucrânia completa 4 anos nesta 3ª feira (24.fev.2026) e acumula dezenas de milhares de mortos. Entre soldados e civis de diferentes nacionalidades, há também brasileiros que morreram no conflito.

O Ministério das Relações Exteriores informou ao Poder360 que “foi notificado, por autoridades ucranianas ou russas, 23 mortes e 44 ‘desaparecimentos em combate’ até o momento”. Segundo o Itamaraty, “os números correspondem apenas aos casos formalmente comunicados ao Brasil pelos governos da Rússia e da Ucrânia”.

A confirmação das mortes enfrenta entraves práticos. O contato com familiares no Brasil nem sempre é imediato e depende de informações repassadas por autoridades locais ou por integrantes das unidades em que os brasileiros atuavam. A emissão de documentos, como certidões de morte, pode levar semanas ou meses.

As operações militares durante o inverno dificultam esses procedimentos. Temperaturas negativas e danos à infraestrutura afetam o deslocamento em áreas próximas ao front, fatores que podem atrasar a retirada de corpos, a realização de necrópsias e a comunicação oficial às famílias.

Parte dos brasileiros viaja à Ucrânia depois de contatos feitos nas redes sociais. Além de ex-militares e profissionais de segurança, há voluntários sem experiência prévia em combate que decidem integrar unidades internacionais. Entre as motivações estão promessas de remuneração elevada e alinhamento político.

Há casos em que o cenário encontrado difere do que foi divulgado on-line e nos contratos apresentados. Os brasileiros passam por treinamento acelerado, são enviados em pouco tempo a áreas sob ataque e enfrentam barreiras de idioma, limitações de estrutura e dificuldades logísticas nas zonas de confronto.

Em nota, a embaixada da Ucrânia no Brasil declarou: “Em geral somente a Embaixada do Brasil em Kiev tem dados completos sobre quantidade de brasileiros que morreram ou desapareceram: mais de 40 faleceram ou desapareceram em defesa da Ucrânia”.

GUERRA NA UCRÂNIA

O conflito começou em 24 de fevereiro de 2022, com a invasão russa ao território ucraniano. A guerra envolve disputas militares, econômicas, geopolíticas e culturais. Há consequências sociais e diplomáticas de longo prazo, incluindo o deslocamento de milhões de refugiados, tanto internos quanto externos, mudanças nas políticas de segurança da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –a aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos– e debates sobre soberania territorial e direitos humanos.

A comunidade internacional, com ênfase nos EUA e na UE (União Europeia), monitora o desenrolar do conflito, que parece distante de um desfecho.

A guerra impactou diretamente a economia regional e global, provocando inflação, interrupções nas cadeias produtivas e flutuações nos preços de energia e de alimentos.

Países aliados da Ucrânia passaram a fornecer apoio militar, financeiro e humanitário, ao mesmo tempo em que impuseram restrições econômicas e políticas à Rússia, buscando limitar sua capacidade de sustentar o esforço de guerra. Entre essas medidas estão a redução da compra de petróleo russo –principal insumo exportado pelo país– e restrições a setores estratégicos da economia.

Nos últimos meses, no entanto, o apoio internacional à Ucrânia tem dado sinais de perda de fôlego, seja por entraves políticos internos em países aliados, seja pelo desgaste econômico e social provocado por um conflito prolongado. A diminuição da ajuda militar e financeira e o recuo do apoio norte-americano impõem desafios adicionais a Kiev, que depende de auxílio externo para sustentar o esforço de guerra, repor equipamentos e manter sua capacidade de defesa.

Para a Europa, o cenário traz consequências diretas, como o aumento dos gastos com defesa, a pressão sobre orçamentos públicos e a necessidade de redefinir estratégias de segurança energética e política externa em um contexto de instabilidade prolongada no continente.

Nos EUA, o conflito se insere em um debate interno cada vez mais polarizado, que envolve prioridades econômicas, disputas eleitorais e o papel do país como fiador da segurança europeia.

No caso russo, a guerra reforça uma economia voltada ao esforço militar, amplia sua dependência de parceiros fora do Ocidente e aprofunda o isolamento diplomático, ao mesmo tempo em que o Kremlin consolida ganhos territoriais e projeta resiliência diante das sanções internacionais.


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Esta reportagem foi produzida pela trainee em jornalismo do Poder360 Isadora Vila Nova sob supervisão do editor João Vitor Castro.

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