Em entrevista à Bloomberg Línea, José Manuel Silva, vice-presidente de novos negócios, conta por que o fundo de venture capital da fabricante de cosméticos deciEm entrevista à Bloomberg Línea, José Manuel Silva, vice-presidente de novos negócios, conta por que o fundo de venture capital da fabricante de cosméticos deci

Além da Amazônia: Natura mira novos bioativos da Antártida com aporte em startup

2026/02/26 17:00
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Um dos pilares da Natura (NATU3) no desenvolvimento de produtos é sua atuação de 25 anos de pesquisas na Amazônia. A floresta tropical abriga a maior biodiversidade do planeta e se tornou a principal fonte de novos bioativos para uso cosmético na empresa.

A fabricante de produtos de beleza agora enxerga potencial para explorar outro ecossistema mais sul, o da Antártida.

Por meio do Natura Ventures, seu fundo de corporate venture capital (CVC), a companhia acaba de co-liderar uma rodada de investimento Seed de US$ 3,5 milhões (aproximadamente R$ 18 milhões) na Antarka, startup uruguaia de biotecnologia focada em soluções para longevidade da pele, que pesquisa o continente gelado.

Enquanto a Amazônia fornece uma ampla gama de matérias-primas exclusivas da região, o potencial da Antártida está nos microrganismos escondidos no gelo que conseguem viver em condições climáticas extremas.

“O investimento nos ajudou a descobrir que existem outras formas de conseguirmos nos diferenciar através de bioativos que não dominamos na Amazônia”, afirmou José Manuel Silva, vice-presidente de novos negócios da Natura, à Bloomberg Línea.

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A startup de biotecnologia tem um projeto que busca explorar o potencial cosmético das fotoliases antárticas, enzimas capazes de reparar o DNA danificado pela radiação ultravioleta (UV), responsável por cerca de 80% dos danos visíveis causados à pele humana. O objetivo da tecnologia é alcançar o núcleo da célula, revertendo o dano em sua origem.

“A hipótese que a equipe científica tinha naquele momento era que os microrganismos que sobreviveram às condições extremas da Antártida contavam com algo muito interessante do ponto de vista científico. E depois, como indústria, encontramos uma aplicação que é disruptiva”, disse Stefano Valdesolo, cofundador e CEO da Antarka, na mesma entrevista.

O modelo tem potencial de representar uma mudança de paradigma nas estratégias de combate ao envelhecimento da pele pela indústria de cosméticos.

“Essa talvez seja a primeira tecnologia que realmente regenera a célula. Nós da Natura e o mercado em geral temos soluções que retardam o envelhecimento da pele mas não vão até o núcleo celular. Isso foi o que mais nos chamou a atenção para realizar o investimento”, disse o vice-presidente de novos negócios da Natura.

“Estamos com um pipeline bem agressivo, e com o desafio de fazer as escolhas certas no Natura Ventures±, afirmou

A Natura não foi a única interessada. O fundo de corporate venture capital da empresa, gerido pela Vox Capital, dividiu a liderança da rodada com o Zentynel, fundo de venture capital latino-americano especializado em biotecnologia.

Também participaram da rodada o GS Futures, braço de venture capital dos Estados Unidos pertencente ao conglomerado sul-coreano de energia e construção GS Group, e a CTK, uma das principais fabricantes de cosméticos da Coreia do Sul.

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Disrupção na saúde da pele

A descoberta do potencial das enzimas nasceu de um projeto científico realizado pela Faculdade de Ciências da Universidade da República do Uruguai, com apoio do Instituto Antártico Uruguaio e do Ministério de Defesa do país.

A startup foi fundada em 2023, e, dois anos depois, foi firmado um acordo de transferência tecnológica que permitiu à Antarka buscar a comercialização da tecnologia.

No mesmo ano, a startup recebeu um aporte de capital de risco global por meio de um investimento da SOSV, líder em investimentos em deep tech em estágio inicial, via seu programa de aceleração em biotecnologia, batizado Indie Bio.

A SOSV também participou da rodada Seed fechada este mês via follow-on, junto a outros investidores.

“Essa rodada nos permite começar a comercializar a tecnologia, fechar parcerias e escalar a operação comercial com parceiros a nível global. A Natura é um deles, especialmente para a América Latina”, afirmou Valdesolo.

José Manuel Silva, da Natura, reforçou que o aporte na Antarka opera no conceito smart money. O modelo permite que, além do capital, a empresa investida tenha acesso aos laboratórios e centros de pesquisa da fabricante brasileira.

Como líder da rodada, a Natura conta ainda com uma exclusividade do primeiro ciclo de desenvolvimento para os próximos 24 meses.

“Nosso grande interesse não é em si a exclusividade, mas sim ajudar cada vez mais a Antarka a encontrar outras enzimas semelhantes para outros perfis em um segmento em um perfil de mercado que cresce cada vez mais: o da geração prateada”, disse Silva.

O termo geração prateada faz referência aos cabelos grisalhos do público acima de 50 anos, que cresce em relevância acompanhando o envelhecimento da população, e é um dos principais alvos de investimento da Natura para os próximos anos.

Inicialmente, as descobertas devem ser usadas para evoluir linhas já existentes, como Renew e Chronos, para depois entrar em lançamentos.

A estimativa da empresa é que o aporte da Antarka diminua pela metade o tempo de desenvolvimento de novos produtos focados em soluções para saúde e envelhecimento da pele.

Atualmente, o processo entre a descoberta de um bioativo e aplicação no produto final é de seis anos e meio.

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Próximos passos do Natura Ventures

O investimento na Antarka foi o primeiro aporte em biotecnologia do Natura Ventures e o quarto da história do fundo.

Lançado em 2024 com capital inicial de R$ 50 milhões, o fundo aportou recursos na brasileira Abbiamo e na chilena WareClouds, voltadas à logística inteligente, e na norte-americana Mango Materials, que aposta em soluções para substituição de plástico com biopolímeros renováveis.

Como próximos passos, Silva enxerga oportunidade para investimento ainda no setor logístico, além de oportunidades em deep tech e inteligência artificial associada ao futuro da venda por relacionamento. “Estamos com um pipeline bem agressivo, e com o desafio de fazer as escolhas certas”, diz.

A empresa segue com apetite para realizar até três investimentos por ano, com aportes em média de R$ 2 milhões e R$ 10 milhões.

“Continuamos com o apetite inicial, mas os aportes variam por segmentos. Algo de deep tech precise de um bolso maior, por exemplo”, afirmou o executivo.

A empresa não abriu qual foi sua participação na rodada de US$ 3,5 milhões na Antarka.

Com a entrada da startup uruguaia no portfólio, a Natura Ventures reforça posição na América Latina, uma vez que três de suas quatro investidas estão na região. A estratégia do fundo segue o posicionamento da empresa-mãe, que foca suas operações na região após tentativa de expansão global.

Na última semana, a companhia confirmou a venda da Avon Rússia, último passo de simplificação das operações que envolveu ainda a venda de outros ativos globais como a Aesop e a The Body Shop.

O processo durou três anos e meio e, segundo fato relevante divulgado pela empresa, a última venda “consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina”.

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