MANILA, Filipinas – O advogado de defesa principal Nicholas Kaufman utilizou a inação de nove anos do Supremo Tribunal (SC) sobre petições que contestavam a guerra contra as drogas de Rodrigo Duterte para apoiar a alegação da defesa de que o termo "neutralização" não significa legalmente matar.
Durante o terceiro dia das audiências pré-julgamento no Tribunal Penal Internacional, Kaufman salientou que o SC "recusou-se a emitir qualquer decisão declarando a campanha inconstitucional, recusou-se a invalidar circulares e recusou-se a decidir até à data que 'neutralizar' ou 'neutralização' significa matar."
Os grupos jurídicos Centro de Direito Internacional e Grupo de Assistência Jurídica Gratuita apresentaram as suas petições ao SC em janeiro e outubro de 2017, respetivamente. O Supremo Tribunal realizou argumentos orais durante a última parte do mesmo ano.
Kaufman também afirmou que o SC já havia salientado que o termo havia sido previamente utilizado nas Filipinas mesmo antes do mandato de Duterte, que registou pelo menos 6.200 mortes apenas em operações policiais até maio de 2022.
"O tribunal esclareceu ainda que a mera inclusão do termo numa circular não torna esse instrumento inconstitucional, especialmente quando a circular ordena expressamente o cumprimento de princípios jurídicos internacionalmente aceites, políticas públicas e a plena observância dos direitos humanos, como lhe mostrámos anteriormente," disse.
O advogado de defesa de Duterte poderá estar a referir-se à interpelação do então juiz associado sénior do SC António Carpio durante os argumentos orais sobre as diretrizes que regem a guerra contra as drogas da Polícia Nacional Filipina.
No entanto, o então advogado da FLAG José Manuel "Chel" Diokno disse que os termos "poderiam facilmente ser interpretados como incluindo a autoridade para matar."
"Se o chefe da PNP simplesmente pretendia prender e processar, então deveria ter usado apenas esses termos, e não termos que estão sujeitos a fácil má interpretação por parte do polícia no terreno," respondeu então Diokno a Carpio.
Uma investigação da Rappler publicada em 2021 descobriu que ficheiros incompletos e desorganizados submetidos pelo Gabinete do Procurador-Geral sob o então procurador-geral e aliado próximo de Duterte José Calida paralisaram os procedimentos.
– Rappler.com

