A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) aprovou, nesta 5ª feira (26.fev.2026), as quebras de sigilos fiscais e bancários de Fábio Luís Lula da Silva. Ele é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reunião começou com 1h30 de atraso. Um protesto próximo à entrada da Câmara dificultou a chegada de integrantes da comissão, incluindo o relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Houve também uma intensa articulação da base governista para retirar de pauta os pedidos de quebras de sigilos bancários e fiscais de Lulinha.
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No início da sessão, os governistas conseguiram aprovar, por 18 a 12, que a votação dos requerimentos fosse feita em bloco –quando os pedidos são avaliados em conjunto pela comissão, e não de maneira individualizada.
A estratégia fazia sentido porque, no cabo de guerra da CPMI do INSS, o governo contaria com o apoio circunstancial do Centrão, que tenta barrar a votação de requerimentos ligados a instituições bancárias –Master, Santander, BMG, PicPay e C6 Consignado.
No entanto, ao abrir para votação simbólica (quando não é nominal), a base governista saiu derrotada, o que levou a uma discussão e empurra-empurra na sessão, que foi suspensa.
Assista ao momento do empurra-empurra (1min25s):
“Para que a pauta fosse derrubada em bloco, era necessário que o governo apresentasse a maioria dos votos ou 15 parlamentares presentes, de acordo com o painel de 31. Apresentaram, e eu contei duas vezes, 7 votos contrários, portanto, a pauta está aprovada na sua integralidade”, afirmou o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI.
Viana disse também que não age “politicamente” e que o “jogo virou” ao se referir à derrota dos governistas: “O governo veio à CPMI hoje com a decisão de bloquear toda a pauta […] o resultado é que o jogo virou. Vieram para cá blindar toda a pauta, não tiveram os votos necessários, de acordo com o próprio regimento, a pauta está aprovada e vamos dar sequência”.
Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), “o que aconteceu hoje atenta contra a democracia” e foi uma “ação ilegal”. Segundo o
O artigo 14 do regimento do Senado diz que, em votações simbólicas, o que vale é a maioria física dos presentes, não a maioria qualificada (referente ao quórum total registrado no painel da sessão). Assim, a base governista argumenta que, no momento da votação em bloco dos requerimentos estavam presentes apenas 21 senadores e deputados, dos quais, 14 teriam votado pela rejeição.
São eles: senadora Soraya Thronicke, senador Randolfe Rodrigues, senadora Jussara Lima, senador Jaques Wagner, senadora Tereza Leitão, deputado Damião Feliciano, deputado Átila Lira, deputado Cleber Verde, deputado Orlando Silva, deputado Romero Rodrigues, deputado Paulo Pimenta, deputado Alencar Santana, deputado Neto Caleto e deputado Rogério Correia.
Pimenta pediu que o resultado seja anulado por erro material da contagem.
“Vamos até o presidente do Congresso nacional para solicitar a imediata anulação da votação e faremos uma representação no Conselho de Ética do Congresso Nacional por fraudar o resultado da eleição”, afirmou, dirigindo-se ao presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana. “Vossa excelência está dando um golpe na democracia e nós vamos buscar a responsabilidade regimental e a anulação dessa votação fraudulenta.”
A estratégia dos governistas era barrar essa votação enquanto não fossem incluídos na pauta os requerimentos de quebra de sigilo do empresário Fabiano Zettel, do ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Queremos uma investigação que atinja a Chico e a Francisco”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo na Casa. “Investigação de verdade não pode ser seletiva.”
Assista à sessão da CPI do INSS:

