O Nubank comunicou um lucro líquido recorde de US$ 895 milhões no quarto trimestre do ano passado. Em termos anuais, a receita líquida de juros subiu para US$ 2,8 bilhões, informou o banco nesta quarta-feira. Parte desse crescimento é creditado pela própria empresa a novas ferramentas de inteligência artificial (IA). O banco sediado em São Paulo superou 130 milhões de clientes em três países.
O lucro líquido ajustado da empresa com sede em São Paulo foi de US$ 943 milhões, alta de cerca de 55% em relação ao ano anterior, superando a estimativa média de analistas ouvidos pela Bloomberg.
A implementação de um novo modelo de crédito que utiliza IA para avaliar melhor o risco de cada cliente teve o seu papel no desempenho do resultado financeiro da fintech. Implantada inicialmente no Brasil, a estratégia aumenta a disposição da empresa em elevar os limites para determinados grupos de tomadores.
— Tivemos nosso maior ganho de participação de mercado em cartões de crédito no Brasil nos últimos dez trimestres — disse o diretor financeiro Guilherme Lago em entrevista antes da divulgação dos resultados.
Parte desse crescimento ainda não está refletida nos números porque os clientes ainda não estão utilizando totalmente os limites de crédito ampliados, afirmou Lago.
A qualidade de crédito da carteira de empréstimos melhorou, com a taxa de inadimplência acima de 90 dias recuando 0,1 ponto percentual, para 6,6% até dezembro. Excluindo fatores sazonais que tendem a melhorar o crédito no quarto trimestre, o Nubank vê uma carteira amplamente estável, disse Lago.
O Nubank encerrou o trimestre com 131 milhões de clientes, ante os 131,5 milhões estimados por analistas. Tornou-se a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes em dezembro, segundo dados do banco central.
A fintech também está nos estágios iniciais de estabelecimento de um banco nos Estados Unidos, após receber a primeira aprovação condicional das autoridades locais. Esse processo normalmente leva até dois anos, disse Lago. O Nubank não divulga números sobre seus planos para os EUA.
O Brasil, onde o Nubank tem sua maior e mais lucrativa operação, prepara-se para um ciclo amplamente esperado de queda de juros após as condições monetárias mais restritivas em quase duas décadas.
No México, a fraqueza do consumo, a queda do investimento e a valorização do peso frente ao dólar indicam que o banco central mexicano tem espaço para mais cortes de juros. A inflação cheia já está abaixo do teto de 4% da meta há vários meses.
O Nubank afirmou que manterá o mesmo apetite por crescimento neste ano.
— Com os dados que temos atualmente, não planejamos reduzir nosso ímpeto de crescimento — disse Lago. A empresa costuma operar com um cenário de projeção relativamente “pessimista” ao fazer premissas de crédito, acrescentou o diretor financeiro.


