O bitcoin (BTC) operou em baixa nesta quinta-feira (26), após se aproximar da marca de US$ 70 mil na parte da manhã. Em sessão volátil, o ativo perdeu força no fim da tarde, mesmo com o impacto positivo do balanço da Nvidia sobre o setor de tecnologia.
Por volta das 17h (de Brasília), o bitcoin caía 2,14%, a US$ 67.575,01. O Ethereum (ETH) recuava 1,96%, a US$ 2.031,70, segundo dados da Binance.
A maior parte da alta recente do bitcoin ocorreu antes da divulgação dos resultados da Nvidia, publicados após o fechamento do mercado na véspera.
Embora a empresa tenha superado expectativas de lucro, persistiram receios sobre o ritmo de expansão dos investimentos em inteligência artificial (IA).
Para Iliya Kalchev, analista da Nexo, os números da Nvidia ajudaram a sustentar o apetite por risco nos mercados globais. Ele afirma que, apesar da possibilidade de maior volatilidade, o bitcoin pode ter atingido um piso local.
Segundo o Broadcast, do Estadão, a avaliação não é consenso. Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote, pondera que, mesmo com um trimestre forte, a Nvidia pode não ser suficiente para sustentar sozinha o apetite global por risco. Segundo ela, o mercado ainda convive com incertezas sobre o ciclo de investimentos em tecnologia e os efeitos da concorrência em IA.
Ozkardeskaya também cita a Salesforce, que apresentou projeções abaixo do consenso para o ano fiscal de 2027. Para a analista, o guidance reforça preocupações com desaceleração dos gastos corporativos em tecnologia.
Na avaliação de Lucas Veronezzi, economista e sócio da Blue3 Investimentos, o bitcoin reagiu com força nos últimos pregões, saltando de cerca de US$ 64 mil no início da semana para acima de US$ 67 mil.
Segundo ele, nas últimas 24 horas houve aumento de US$ 55 bilhões no volume negociado, e o valor de mercado do bitcoin atingiu US$ 1,44 trilhão.
Veronezzi aponta ainda a contribuição relevante do investidor institucional. O ETF IBIT, da BlackRock, registrou mais de US$ 297 milhões em entradas líquidas em 25 de fevereiro, sinalizando maior alocação em BTC.
Ele também menciona a aprovação do projeto de lei HB 1042 no estado de Indiana, nos Estados Unidos, que autoriza planos públicos de aposentadoria a investir em criptoativos. Para o economista, a medida representa avanço institucional para o setor.
Dados do Google Trends para o termo “como comprar bitcoin” atingiram o maior nível em cinco anos, indicando aumento do interesse de investidores de varejo.
Apesar da recuperação recente, o mercado ainda reflete as quedas dos últimos dias. O índice Fear and Greed, que mede o sentimento dos investidores, permanece em “medo extremo”.
Historicamente, segundo Veronezzi, o bitcoin tende a reagir em momentos de pessimismo acentuado, quando ocorre liquidação de posições vendidas — operações em que investidores apostam na queda do ativo.
Já Fabio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase, afirma que a correlação entre ativos digitais e gigantes de tecnologia indica maior integração das criptomoedas ao sistema financeiro.
“As criptomoedas não são mais um mercado de nicho, mas uma peça central do ecossistema financeiro global focado na inovação”, disse Plein em nota enviada ao Monitor do Mercado.
Para ele, embora o bitcoin ainda esteja abaixo das máximas de 2025 e o ambiente macroeconômico siga incerto, o mercado estaria avançando para uma fase de crescimento mais ligada à utilidade dos ativos e à inovação tecnológica.
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