O aiatolá Alireza Arafi foi indicado para integrar grupo juntamente com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, e com o chefe do Judiciário, Gholamhossein MohsO aiatolá Alireza Arafi foi indicado para integrar grupo juntamente com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, e com o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohs

Irã forma conselho provisório e novo líder será escolhido em 2 dias

2026/03/01 22:44
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O governo do Irã formou neste domingo (1º.mar.2026) o Conselho Provisório de Liderança para comandar o país até que um novo líder supremo seja escolhido. De acordo com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, um novo nome será definido em 1 ou 2 dias pela Assembleia dos Peritos. O então líder supremo, Ali Khamenei, de 86 anos, foi morto em Teerã no sábado (28.fev.2026) em um ataque coordenado pelos Estados Unidos e por Israel.

O colegiado de 12 integrantes do Conselho dos Guardiões indicou seu representante na junta provisória: o aiatolá Alireza Arafi. Ele terá poderes semelhantes ao líder supremo neste período, segundo a agência de notícias iraniana ISNA. Integram também o conselho o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

“O Conselho de Discernimento escolheu o aiatolá Arafi como membro do Conselho para que a liderança continue sem interrupção e para que a Assembleia dos Peritos eleja, o mais rapidamente possível, o líder permanente”, afirmou o porta-voz Moshen Denhavi, segundo a Isna.

A morte de Khamenei foi confirmada por Teerã na madrugada de sábado (28.fev) para domingo (1º.mar), horas depois de o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), ter divulgado a informação.

De acordo com a mídia iraniana, também morreram nos ataques uma das filhas de Khamenei, 1 neto, 1 genro e uma nora. A família estava no palácio que servia de sede do governo iraniano em Teerã. Khamenei estava em seu escritório no momento do ataque. O gabinete de governo iraniano decretou 40 dias de luto.

QUESTÃO SUCESSÓRIA

Mesmo antes dos ataques contra o Irã, a questão sucessória já estava posta na mesa. Khamenei, que governava desde 1989, detinha amplos poderes sobre o regime teocrático, combinando as funções de representante de Deus e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Ele possuía a palavra final em todas as questões-chave do Estado.

Segundo reportagem do The New York Times, em junho de 2025, durante uma operação dos EUA e de Israel contra as instalações nucleares iranianas, Khamenei indicou 3 candidatos que poderiam sucedê-lo.

De acordo com 8 autoridades ouvidas pelo jornal norte-americano, que não quiseram ser identificadas, os 3 favoritos de Khamenei eram: o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni Ejei; o chefe de gabinete de Khamenei, Ali Asghar Hejazi; e Hassam Khomeini, um clérigo moderado da facção reformista, neto do líder da Revolução Islâmica de 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

O Exército israelense, no entanto, informou que Hejazi também foi morto nos ataques de sábado (28.fev)

O líder supremo iraniano deve ser um religioso xiita sênior e nomeado pela Assembleia dos Peritos, um comitê de clérigos.

ALI KHAMENEI

Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, Khamenei participou ativamente da Revolução Islâmica de 1979. Tornou-se aliado próximo de Khomeini, e, depois da morte dele, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos para assumir o posto máximo da República Islâmica.

Inicialmente não possuía o grau religioso exigido pela Constituição, que foi posteriormente alterada.

Ao longo de mais de 3 décadas no poder, consolidou controle sobre as instituições iranianas. Fortaleceu a Guarda Revolucionária e adotou uma política externa marcada pelo apoio a grupos armados. Seu governo enfrentou sucessivas ondas de protestos internos, reprimidas com rigor. Manteve postura hostil em relação a Israel e aos Estados Unidos.

ESCALADA NA TENSÃO

O ataque dos EUA e de Israel ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.


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