Levantamento da CNN mostra que maioria considera provável confronto prolongado; 60% dizem que Trump não tem plano claroLevantamento da CNN mostra que maioria considera provável confronto prolongado; 60% dizem que Trump não tem plano claro

59% dos norte-americanos desaprovam operação militar contra o Irã

2026/03/03 12:26
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Uma pesquisa da CNN conduzida pelo instituto SSRS (Soluções de Pesquisa em Ciências Sociais, na tradução do inglês) mostra que 59% dos estadunidenses desaprovam a operação militar dos Estados Unidos contra o Irã. O levantamento foi realizado no sábado (28.fev.2026) e no domingo (1º.mar). A maioria dos entrevistados considera provável um confronto militar prolongado entre as duas nações.

Forças armadas norte-americanas iniciaram um ataque militar depois de um bombardeio realizado por Israel contra a capital persa no sábado (28.fev). O ataque israelense foi realizado próximo ao escritório do líder supremo do Irã e edifícios governamentais. Leia a íntegra (PDF-437kB). Ao menos 11 autoridades, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, foram mortas no ataque.

Segundo a pesquisa, quase 6 entre 10 norte-americanos são contra a ofensiva. Do total de entrevistados, 41% aprovam a decisão inicial de atacar o Irã.

A maioria dos estadunidenses ainda tem dúvidas sobre a forma como Trump está lidando com a situação. Os entrevistados afirmam não confiar na capacidade de Trump de tomar as decisões corretas sobre o uso da força pelos EUA no Irã.

Entre entrevistados, 56% afirmam que um confronto militar de longa duração entre os EUA e o Irã é pelo menos um tanto provável. Para 30%, é muito provável. Quanto à derrubada do governo iraniano, 44% se declaram favoráveis a uma tentativa dos EUA nesse sentido. 56% se opõem a essa ideia.

Sobre o envio de tropas terrestres americanas ao Irã, só 12% são favoráveis. 60% se opõem a essa medida. 28% estão indecisos.

Ainda, só 27% dos entrevistados acreditam que os EUA se esforçaram o suficiente na diplomacia com o Irã antes de usar a força militar. 39% disseram que os EUA não se esforçaram o suficiente na diplomacia. 33% não tinham certeza sobre essa questão.

Aprovação entre republicanos

Entre os republicanos, 77% aprovam a operação militar do fim de semana. Entre os independentes, 32% aprovam. Entre os democratas, 18% aprovam.

Quanto à capacidade de reduzir a ameaça iraniana, 58% dos republicanos acreditam nisso. Entre os independentes, 21% acreditam. Entre os democratas, 9% acreditam.

Uma maioria de 83% dos republicanos afirma que Trump tem um plano claro para lidar com a situação. Em contraste, 70% dos independentes e 88% dos democratas duvidam que ele o tenha.

Os republicanos estão divididos sobre a probabilidade de a operação levar a um confronto militar de longa duração com o Irã. 44% dizem que é pelo menos um tanto provável. Outros 44% dizem que não é.

Sobre o envio de tropas terrestres ao Irã, 38% dos republicanos se opõem. 35% estão incertos. 27% apoiam tal iniciativa. Esse apoio representa um aumento de 11 pontos percentuais em comparação com o ano passado.

MAGA

Dentro do Partido Republicano, existe uma divisão acentuada entre aqueles que se consideram parte do movimento MAGA (Make America Great Again) e aqueles que não se consideram.

Os republicanos apoiadores do movimento MAGA (Make America Great Again) têm 30 pontos percentuais a mais de probabilidade do que os republicanos não apoiadores de aprovar fortemente a decisão de tomar medidas militares.

Os apoiadores também têm 34 pontos percentuais a mais de probabilidade de afirmar que isso reduzirá a ameaça iraniana. Eles têm quase 50 pontos percentuais a mais de probabilidade de ter muita confiança em Trump para tomar as decisões corretas sobre o uso da força no Irã.

A maioria rejeita a medida em quase todos os principais subgrupos demográficos. Isso inclui homens e mulheres, adultos brancos, negros e latinos. Todas as faixas etárias também rejeitam a medida.

Uma pesquisa separada da CNN, realizada em janeiro (2026), constatou que 89% dos americanos consideram o Irã um país hostil ou inimigo dos EUA. Nas pesquisas da CNN, que remontam aos anos 2000, o Irã tem sido consistentemente visto como hostil ou inimigo por mais de 7 em cada 10 americanos.

ESCALADA NA TENSÃO

O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.


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