Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana imprimiram cautela aos mercados globais desde as primeiras horas das negociações desta segundaOs ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana imprimiram cautela aos mercados globais desde as primeiras horas das negociações desta segunda

Conflito no Irã deve reposicionar rotas logísticas e geopolítica do petróleo, diz especialista

2026/03/03 19:30
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Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana imprimiram cautela aos mercados globais desde as primeiras horas das negociações desta segunda-feira (2), com o anúncio sobre o bloqueio da navegação no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da oferta global e 25% do comércio marítimo de petróleo.

Luís Gustavo Budziak, especialista em negociações estratégicas de empresas e sócio-diretor da Quartzo Capital, avalia que restrições prolongadas no Estreito de Ormuz tendem a reposicionar as cotações da commodity para países com grande demanda, como China e Índia, e aumentar o acesso a fornecedores alternativos, como Cuba e Venezuela.

Segundo ele, esse cenário pode ser uma estratégia calculada dos Estados Unidos para reposicionar geopoliticamente o mercado de petróleo, de forma que compradores passem a depender de países como a Venezuela e inclusive com a possibilidade de que o mercado suspenda algumas sanções à Rússia, para que retorne como mercado alternativo ao Irã, inclusive com logística alternativa ao Estreito de Ormuz.

Atualmente, o Irã produz cerca de 3,5 milhões de barris/dia, pouco menos de 3,5% da oferta global, mas acima do volume produzido pela Venezuela (1 milhão de barris/dia), e próximo da capacidade ociosa da Opep.

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Um movimento que sinaliza essa possibilidade foi a autorização dos Estados Unidos a empresas privadas em Cuba, nesta segunda, que começaram a importar combustível diante da crise energética.

De acordo com publicações da agência internacional de notícias AFP, Washington teria flexibilizado a venda e envio de petróleo e gás para a ilha com exigência de comprovação do uso por civis e negócios privados.

Mercados devem absorver os impactos no curto prazo

Em um cenário em que o bloqueio da rota comercial dure poucos dias, estoques globais devem absorver o choque. No entanto, se o fechamento por tempo prolongado tende a imprimir preços mais altos e persistentes, além de elevar o risco de escassez pontual de petróleo e derivados.

Além da restrição logística para o petróleo, Budziak também destaca um possível comprometimento para outros setores para países árabes, como o de proteína animal, especialmente embarques de carne de frango, o que pode afetar o Brasil, maior exportador para países árabes e player relevante no mercado halal.

Nos próximos dias, segundo Budziak, choques geopolíticos devem gerar um movimento inicial de aversão a risco, mas com impacto limitado e não muito duradouro, considerando as janelas de três a seis meses.
Dessa forma, o especialista prevê que deve haver uma atenuação da reação dos mercados e a busca dos países exportadores por políticas logísticas alternativas a fim de que os embarques programados não sejam afetados ou, até mesmo, políticas de exceção para entrada desses embarques que já eram previstos tanto no Irã como a passagem para outros mercados de grande demanda como a China e a Índia.

Conflito no Irã aumenta risco inflacionário e impacta o câmbio

Analistas avaliam que a alta do petróleo pode elevar a inflação, sobretudo via combustíveis. João Duarte, sócio da ONE Investimentos, destaca a alta do dólar nesta segunda-feira, refletindo a maior aversão ao risco global após a escalada do conflito.

A moeda chegou a subir 1,5% no intraday e avançava cerca de 1% desde a abertura, mas encerrou em alta de 0,62%, cotada a R$ 5,16, enquanto o DXY subiu próximo de 1%.

Duarte explica que há dois canais centrais para o câmbio: “o petróleo mais caro aumenta o risco inflacionário, reduz o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) e fortalece o dólar globalmente. Em paralelo, moedas emergentes devem sofrer com o reposicionamento defensivo de portfólio”.

No Brasil, ele contextualiza a alta do dólar acompanhada da abertura da curva de juros futuros e queda do Ibovespa, ainda que ações ligadas ao petróleo tenham limitado as perdas.

Ouro sobe e títulos dos EUA perdem força

Com o aumento do risco, é um movimento esperado que investidores busquem proteção no ouro. O metal avançou 2,5% no pregão, atingindo US$ 5.434,10 a onça-troy, aproximando-se da máxima histórica. O contrato para abril fechou em alta de 1,21% na Comex, a US$ 5.311,60 por onça-troy.

Em paralelo, títulos do governo dos EUA enfraqueceram, enquanto o rendimento dos papéis alemães de dois anos subiu 0,07 ponto percentual, para 2,08%.

Analistas do BlackRock Institute avaliam que “os títulos do governo de longo prazo não são um lastro confiável para portfólios, dados os potenciais riscos de estagflação decorrentes de uma escalada deste último conflito no Oriente Médio”.

Já o Goldman Sachs observa que altas do petróleo motivadas por choque de oferta costumam ter impacto mais moderado sobre curvas de inflação e taxas nominais do que choques de demanda. Ainda assim, podem sustentar o movimento recente de achatamento na parte curta da curva americana e o melhor desempenho dos vencimentos intermediários.

O banco aponta que parte desses riscos já vinha sendo precificada, com expectativas de inflação de curto prazo subindo antes do ataque coordenado ao Irã.

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Reação do mercado já era esperada

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, tranquiliza ao dizer que a reação negativa na abertura já era esperada, assim como o aumento da aversão ao risco e o índice de volatilidade saltando 7%, além do preço do gás na Europa subindo 20%.

Ele diz ainda que o fechamento do Estreito de Ormuz pode ser bom para os mercados no sentido de limitar altas adicionais no petróleo.

Alves também pontuou que o anúncio da Opep de aumentar a produção em 200 mil barris por dia, acima da expectativa de 130 mil, deve atenuar maiores altas da commodity.

Segundo ele, o fluxo estrangeiro deve migrar dos países emergentes ou reduzir exposição a eles, enquanto mercados como o da Arábia Saudita podem se beneficiar.

O especialista acrescenta que, pelo fato de o Brasil ser exportador relevante para o Oriente Médio, especialmente no setor de proteínas, interrupções podem contribuir para a retração da atividade econômica. No médio prazo, entre seis meses e um ano, esses vetores tendem a se dissipar.

Conflito no Irã impulsiona ações no mercado brasileiro

Em meio à escalada do conflito no Irã, a alta dos preços do petróleo acabou por beneficiar o setor no Brasil. O país produz cerca de 4 milhões de barris por dia, está entre os dez maiores produtores do mundo e tem o petróleo como um dos principais itens da pauta de exportações, representando cerca de 15%.

Ações de petroleiras como Prio (PRIO3) e Petrobras (PETR3;PETR4) lideraram o Ibovespa, uma vez que o petróleo tem peso relevante no índice, representando quase 13% da carteira, incluindo a estatal, e também no ETF brasileiro negociado no exterior, o EWZ.

Segundo analistas, a Prio deve ser a mais beneficiada com a alta dos preços, por ser a única que vende 100% do seu petróleo no mercado internacional e a maior entre as petrolíferas juniores como Brava Energia e PetroReconcavo, visto que essas duas vendem petróleo internamente e também produzem e vendem gás no Brasil.

Petrobras descarta interrupções

Diante das preocupações com a oferta em caso de uma evolução dos conflitos, a Petrobras informou que não há risco de interrupção de importações e exportações.

Segundo a estatal, seus fluxos de importação são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas existentes podem ser redirecionadas.

A empresa também afirmou que possui rotas alternativas à região de conflito, o que dá segurança e custos competitivos às operações, preservando margens.

Em momentos de grandes flutuações de preços no mercado internacional devido a fatores extemporâneos — como as guerras Rússia x Ucrânia, Hamas x Israel e EUA+Israel x Irã — a Petrobras costuma esperar pouco mais de um mês para reajustar preços de derivados, aguardando maior estabilização do petróleo antes de repassar os preços.

Impactos do conflito no Irã sobre a política monetária no Brasil

Pedro Cutolo, estrategista da ONE Wealth Management, analisa que “embora esse ambiente de incerteza recomende maior cautela, a posição periférica do Brasil no mercado internacional de petróleo sustenta a decisão do Copom de manter a orientação já indicada no comunicado e na ata da última reunião, conduzindo a mais um corte de juros na próxima decisão.

A ressalva está no tamanho desse corte, que poderá ser reduzido para 25 bps, com possibilidade de aceleração posteriormente, dependendo da evolução do conflito envolvendo o Irã.”

Cutolo acrescenta que “é crucial interpretar o conflito iraniano no contexto mais amplo da disputa estratégica entre Estados Unidos e China.

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O episódio se soma à ação norte-americana na Venezuela, que praticamente interrompeu o acesso chinês à maior reserva comprovada de petróleo do mundo (303 bilhões de barris). Agora, a restrição ao Irã volta a limitar o acesso chinês a outra fonte relevante de energia, já que o país detém a 3ª maior reserva mundial, com 209 bilhões de barris.”

Segundo ele, esses movimentos reforçam a natureza geoeconômica do conflito e seus possíveis desdobramentos sobre preços internacionais, incerteza global e condução da política monetária em economias emergentes como o Brasil.

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