O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), mostrou resiliência em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e encerrou esta segunda-feira (2) em leve alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos, apesar do ambiente global de aversão ao risco.
O fôlego do índice veio, sobretudo, do rali das petroleiras. A disparada do petróleo no mercado internacional, com o Brent saltando 6,68% e o WTI avançando 6,28% no fechamento, impulsionou as ações do setor. Nesse momento, prevalece o temor de que o conflito comprometa o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% da oferta global.
Nesse cenário, a Petrobras foi o principal motor do Ibovespa, encerrando o dia com ganhos de 4,63% (ON) e de 4,58% (PN). Já a Vale fechou em leve queda de 0,35%, limitando um avanço mais robusto do Ibovespa.
No setor financeiro, o tom foi misto: o Itaú Unibanco (PN) recuou 1,8%, o Bradesco (PN) avançou 0,38%, e o Banco do Brasil (ON) encerrou o dia estável.
As maiores altas do pregão foram lideradas pelas petroleiras. A Prio liderou o ranking com valorização de 5,12% e além da Petrobras, a PetroReconcavo também ficou em destaque com alta de 3,33%, refletindo o apetite por ativos atrelados ao petróleo. Na ponta negativa, a Braskem liderou as perdas, com recuo de 3,55%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em alta de 0,62% ante o real, cotado a R$ 5,16, em meio à aversão a risco e à alta do preço do petróleo, atrelados aos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã.
No cenário internacional, os conflitos entre os Estados Unidos, Israel e Irã chegam ao quarto dia, estendendo clima de incerteza e cautela pelos mercados globais diante das discussões sobre a interdição prolongada do Estreito de Ormuz.
Na noite desta segunda-feira, a Defesa dos Estados Unidos afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto, apesar do anúncio da Guarda Revolucionária iraniana de que teria fechado a rota e da ameaça de incendiar qualquer navio que tentasse atravessá-la.
O presidente Donald Trump projeta que a ofensiva pode durar até cinco semanas, mas deixou claro que está preparado para um embate mais prolongado. “Nem começamos a atacar com força”, disse, ao mencionar que uma “grande onda” de ataques ainda está por vir.
No Pentágono, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, reforçou que o confronto não será resolvido “da noite para o dia”, destacando a dimensão do campo de batalha.
No Brasil, o foco se divide entre a turbulência externa e a agenda doméstica. O mercado acompanha a divulgação do PIB do quarto trimestre e os dados de janeiro do Caged, em meio ao debate sobre o ritmo de cortes da Selic. A surpresa com o IPCA-15 e a disparada do petróleo embaralharam as apostas para o Copom.
A percepção de risco maior esvazia as chances de uma Selic terminal em 12%, diante da possibilidade de o Banco Central adotar uma postura mais conservadora. Para a reunião deste mês, a expectativa predominante ainda é de corte de 0,5 ponto percentual, mas abril entrou no radar e perdeu força a hipótese de aceleração para 0,75 ponto.
O principal fator de pressão é o petróleo. Em caso de choque persistente de oferta, analistas já trabalham com a possibilidade de o barril atingir entre US$ 90 e US$ 100 — cenário que poderia limitar o espaço para o afrouxamento monetário.
Os impactos inflacionários também entram na conta. Segundo o ASA, uma alta de 10% na gasolina adicionaria de 20 a 25 pontos-base ao IPCA. Já a Tendências estima que, se o petróleo permanecer ao redor de US$ 80 até o fim do ano, o IPCA de 2026 pode subir até 0,3 ponto percentual.
Do lado da atividade, o PIB deve confirmar a perda de fôlego da economia. A mediana do mercado aponta crescimento de 0,1% no quarto trimestre, repetindo o desempenho do período anterior. As estimativas variam de retração de 0,2% a expansão de 0,4%, reforçando o cenário de desaceleração gradual.
As Bolsas da Europa aprofundam as perdas diante das incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio. Os setores de serviços públicos e bancos lideram as quedas, enquanto energia registra leve alta, acompanhando o avanço da véspera.
Na Ásia, os mercados fecharam o pregão desta terça-feira em queda com a persistência dos conflitos envolvendo EUA e Irã. As ações também realizam lucros após forte desempenho em fevereiro.
Os mercados da Coreia do Sul lideram as perdas, com o Kospi despencando 7,24%. Na China, as bolsas também operam no vermelho — Xangai recua 1,43% e Shenzhen cai 3,07%, enquanto investidores aguardam novos sinais de estímulos nas próximas reuniões de política econômica.
O Nikkei caiu 3,06%, pressionado por dados domésticos mistos, que revelaram alta nos investimentos no 4º trimestre, mas avanço do desemprego em janeiro. O mercado japonês reagiu ainda a sinalizações mais duras do Banco do Japão (BoJ), após o vice-governador Ryozo Himino indicar nesta segunda-feira que o BC deve continuar elevando juros.
Em Nova York, os índices futuros abriram em forte queda após o Irã intensificar ataques contra EUA e aliados no Oriente Médio. A escalada pressiona o petróleo e reacende temores inflacionários.
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o conflito no Oriente Médio segue no centro das atenções e mantém os mercados em estado de alerta. Após um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica afirmar que o Estreito de Ormuz está fechado e ameaçar incendiar navios que tentem atravessá-lo, Israel anunciou uma nova onda de ataques contra Teerã, ampliando a ofensiva.
Os confrontos se espalham pela região. Israel também bombardeou o Líbano em resposta a ações do Hezbollah, enquanto o Irã manteve ataques com mísseis e drones contra países do Golfo. O risco geopolítico ganhou dimensão com a paralisação da produção de gás natural no Catar após ofensivas iranianas, alimentando temores de uma nova crise energética.
Em Nova York, o estresse inicial derrubou as bolsas, mas a queda abriu espaço para uma onda compradora ao longo da tarde.
A melhora no humor coincidiu com a declaração de Donald Trump de que a guerra pode durar de quatro a cinco semanas, reduzindo o temor de um conflito prolongado por meses.
No radar dos investidores também estão as falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed), em busca de pistas sobre os próximos passos dos juros. John Williams discursa às 11h55, Jeffrey Schmid às 12h10 e Neel Kashkari às 13h45.
No Brasil, além da divulgação do PIB do quarto trimestre, o mercado também acompanha o Caged de janeiro, com projeção de criação de 104 mil vagas formais.
Em Brasília, o caso BRB adiciona tensão ao cenário doméstico. Em reunião com deputados, o presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição pode interromper suas atividades caso não receba socorro do governo do Distrito Federal.
No entanto, a consultoria da Câmara Legislativa apontou inconsistências e recomendou a rejeição do projeto de capitalização, segundo apuração do Valor.
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