O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encerrou o ano de 2025 com um crescimento de 2,3%, confirmando a desaceleração da economia em relação a 2024, quando a atividade havia avançado 3,4%, apontam dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
O desempenho revela ainda um ambiente pressionado pela política monetária restritiva, com a taxa de juros (Selic) em 15% ao ano ao longo do período, encarecendo o crédito para empresas e consumidores, além da redução de investimentos, que impacta o ritmo do crescimento.
Em valores correntes, a economia brasileira movimentou R$ 12,7 trilhões em 2025, enquanto o PIB per capita (indicador que divide a produção total pelo número de habitantes e mede a renda média gerada no país) alcançou R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior.
As três grandes atividades analisadas pelas Contas Nacionais Trimestrais cresceram em 2025: Agropecuária avançou 11,7%, enquanto o setor de Serviços cresceu 1,8% e a Indústria registrou alta de 1,4% no período.
O economista Maykon Douglas avalia que esses resultados consolidam a visão de uma economia em “dois trilhos” ao longo do ano, com crescimento mais notável em setores mais ligados às commodities (agro e indústria extrativa, sobretudo), enquanto há maior dificuldade em atividades sensíveis às condições financeiras.
Segundo o especialista, podemos encontrar um raciocínio parecido quando consideramos a ótica da demanda. “Com as medidas de expansão da renda do governo e o duradouro aperto no mercado de trabalho, a massa salarial manteve-se elevada. Isso beneficiou alguns segmentos mais do que outros, como o caso dos serviços.”
A Agropecuária foi o principal destaque do ano, com crescimento de 11,7%. O avanço decorreu, principalmente, do aumento da produção e de ganhos de produtividade em diversas culturas.
O milho registrou alta de 23,6% e a soja avançou 14,6%, ambos com produções recordes na série histórica. A pecuária também contribuiu positivamente para o resultado do setor.
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, destaca que “quatro atividades: Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista”.
Na indústria, o destaque positivo foi a extração de petróleo e gás. As indústrias extrativas fecharam 2025 com alta de 8,6% no valor adicionado.
A construção variou 0,5% no ano. Por outro lado, eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos registraram queda de 0,4%, enquanto as indústrias de transformação recuaram 0,2%.
O setor de serviços cresceu 1,8% em 2025, com alta em todas as atividades. Informação e comunicação avançou 6,5%, enquanto atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados subiram 2,9% e Transporte, armazenagem e correio cresceram 2,1%.
Outras atividades de serviços e atividades imobiliárias registraram alta de 2% cada. No período, o Comércio avançou 1,1%. Já administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social teve crescimento de 0,5%.
No quarto trimestre de 2025, o PIB variou 0,1% frente ao terceiro trimestre, na série com ajuste sazonal. Na comparação trimestral, os serviços cresceram 0,8% e a agropecuária avançou 0,5%, enquanto a indústria recuou 0,7%.
Entre as atividades industriais, houve queda na Construção (-2,3%) e nas Indústrias de Transformação (-0,6%). Já as indústrias extrativas cresceram 1,1%, e eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos avançaram 1,5%.
Nos serviços, houve crescimento em atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (3,3%), enquanto informação e comunicação avançou 1,5%.
Em outras atividades de serviços, o crescimento foi de 0,7% e em Administração pública, de 0,4%. Por fim, atividades imobiliárias ficaram estáveis em 0,2%; Comércio recuou 0,3% e Transporte, armazenagem e correio caiu 1,4%.
No acumulado de 2025, o Consumo das Famílias cresceu 1,3%, desacelerando frente aos 5,1% registrados em 2024. Já o Consumo do Governo avançou 2,1% no ano.
Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado principalmente pela melhora no mercado de trabalho, aumento do crédito e programas de transferência de renda, mas sofreu impacto da política monetária contracionista.
Rebeca Palis afirma: “o PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”.
A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede o volume de investimentos em máquinas, equipamentos, construção e tecnologia, avançou 2,9% em 2025, impulsionado pelo aumento das importações de bens de capital, pelo desenvolvimento de software e pela alta na indústria da Construção.
Esses fatores, segundo o IBGE, compensaram a retração na produção interna de bens de capital.
Com isso, a taxa de investimento do país ficou em 16,8% do PIB em 2025, ligeiramente abaixo dos 16,9% registrados em 2024. Já a taxa de poupança alcançou 14,4%, ante 14,1% no ano anterior.
Diante do cenário macroeconômico e geopolítico atual, CEO do Grupo Everblue, Gabriel Padula, avalia que a guerra EUA-Irã eleva risco de juros altos e desaceleração do consumo: “O conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB ao pressionar o petróleo, e o petróleo caro costuma se traduzir em inflação mais persistente e juros globais mais altos por mais tempo”.
Com base nos dados da economia no ano passado, Maykon Douglas prevê um crescimento de 2% do PIB em 2026, à medida que o governo implementar mais estímulos no primeiro semestre.
Na leitura de André Matos, CEO da MA7 Negócios, o crescimento de 2,3% do PIB em 2025 foi sólido, mas considera que a nova realidade geopolítica mudou o jogo e que a projeção de 2% para este ano já está defasada.
“Com o IPCA-15 vindo em 0,84%, a maior surpresa de alta em 2 décadas, o risco inflacionário disparou. Isso deve manter a Selic em 15% por muito mais tempo do que o mercado esperava, o que inevitavelmente encarece o crédito e inibe o consumo das famílias.”
Segundo Matos, agora, o cenário exige adiar investimentos em expansão e focar na preservação de caixa. “Não há como autorizar grandes aportes enquanto o conflito no Irã e a volatilidade no Estreito de Ormuz ameaçarem nossos custos logísticos e a estabilidade econômica”, conclui.
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