O Ibovespa opera em queda de 3,62%, aos 182.303 pontos, nesta terça-feira (3), pressionado pela aversão ao risco global em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Apenas quatro ações operam em alta no início da tarde, todas do setor de petróleo, influenciadas pela disparada da commodity no exterior.
Na mínima do dia, o principal índice da Bolsa brasileira despencou mais de 4,5%, aos 180.500 pontos. O giro financeiro já é superior a R$ 14,5 bilhões e o volume projetado para o fim do pregão era de R$ 54,2 bilhões.
Nesta manhã, os contratos futuros do petróleo avançaram até 9% em Londres e Nova York, diante de temores sobre a oferta global. No início da tarde, o barril do Brent era negociado a US$ 83,67 (+7,64%) e o WTI avançava 7,95% (US$ 76,83).
Uma das únicas em alta é a Petrobras. A ação ordinária (PETR3) sobe 2,08%, enquanto a preferencial avança 1,29%. Em março, PETR3 já acumula ganhos de 6%, enquanto PETR4 sobe mais de 4%.
Entre as demais petroleiras, Prio (PRIO3) avançava 0,73% após obter licença do Ibama para atuar no campo de Wahoo. Já Brava Energia (BRAV3) tinha alta de 1%.
Apesar da valorização do Brent, os ganhos foram limitados, refletindo a saída generalizada de capital de mercados emergentes.
O índice VIX, conhecido como “índice do medo”, avançou quase 27% no ponto mais crítico durante a manhã. O indicador mede a volatilidade esperada do mercado americano e costuma subir em momentos de incerteza.
Nos Estados Unidos e na Europa, as bolsas operam em queda. O aumento da tensão geopolítica elevou a busca por ativos considerados mais seguros, como títulos públicos americanos e o dólar.
No Brasil, a moeda norte-americana sobe 2,42%, cotada a R$ 5,29. O movimento reforçou a pressão sobre ativos locais.
A aversão ao risco atingiu principalmente ações de maior liquidez, que são mais usadas por investidores estrangeiros para entrada e saída rápida do mercado. É o caso dos grandes bancos.
Bradesco cai 5,20% (ON) e 4,71% (PN). Itaú Unibanco recua 4,16% (PN). Banco do Brasil perde 4,43%. BTG Pactual cai 6,89%, enquanto Santander Brasil recua 3,82%.
O EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, tinha queda superior a 5%, sinalizando retirada de recursos do país.
Já a Vale recua 4,8%, mesmo com o minério de ferro apresentando leve alta em Dalian e queda em Cingapura.
O mercado futuro de juros passou a precificar majoritariamente um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Copom, e não mais 50 pontos-base.
Com a alta do petróleo e do dólar, aumentaram as projeções de inflação. Esse cenário reduz o espaço para cortes mais intensos de juros, o que afeta principalmente empresas ligadas ao consumo e ao crédito.
As chamadas ações cíclicas — mais dependentes do ritmo da economia — registraram quedas expressivas. Entre elas, Vamos (VAMO3), Localiza (RENT3), Lojas Renner (LREN3), Magazine Luiza (MGLU3), MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3).
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior e encerrou o ano com alta de 2,3%. O dado ficou em linha com as projeções, mas tem impacto limitado nos negócios nesta terça.
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