Com o objetivo de evitar cortes na produção de petróleo, a Saudi Aramco, maior empresa de petróleo do mundo, estuda redirecionar parte de suas exportações de petróleo bruto para Yanbu, porto no Mar Vermelho localizado fora do Golfo Pérsico.
A alternativa é analisada como forma de driblar o bloqueio do Estreito de Ormuz, que permanece fechado e sob forte ameaça de bombardeios em meio à escalada do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O aumento do risco de ataques acabou reduzindo o transporte marítimo a um ritmo quase nulo nesta terça-feira (3), de forma que dezenas de navios permanecem parados na região do Golfo.
Segundo os relatos locais, Teerã atacou navios e instalações energéticas, fechando a navegação no Golfo e forçando a paralisação da produção do Qatar ao Iraque.
Análise exclusiva publicada pelo Monitor do Mercado nesta segunda-feira (2) antecipou a tendência sobre a diversificação geopolítica e logísticas alternativas ao Estreito de Ormuz.
Com o impacto dos conflitos, os preços globais do petróleo e do gás natural mantêm a tendência de alta nesta terça-feira (3), à medida que os conflitos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã afetam a produção e as exportações de energia no Oriente Médio.
Por volta das 12h (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent para maio (que serve como base para contratos internacionais) avançavam 7,4%, cotados a US$ 83,49.
Projeções já consideram o preço do barril entre US$ 90 e US$ 100 em caso de choque persistente de oferta.
A rota pelo Mar Vermelho, segundo especialistas, não é isenta de riscos. O grupo militante Houthi do Iêmen, apoiado pelo Irã, ameaçou retomar ataques contra embarcações que navegam pela região.
Não há, até o momento, registro de incidentes, mas as preocupações levaram algumas das maiores companhias de navegação a recuar de planos anteriores de retomar a rota.
Os carregamentos de petróleo em Yanbu atingiram um pico de pouco menos de 1,5 milhão de bpd em abril de 2020, segundo dados da Kpler.
A maior petroleira do mundo espera evitar cortes na produção ao enviar petróleo para Yanbu por meio do Oleoduto Leste-Oeste. O duto tem 746 milhas de extensão e capacidade de 5 milhões de barris por dia (bpd).
Em 2019, a empresa conseguiu operar temporariamente com 7 milhões de bpd após a conversão de dutos de líquidos de gás natural para transporte de petróleo bruto.
Apesar disso, fontes — incluindo compradores, traders e analistas — afirmam que a capacidade é limitada e pode não ser suficiente para cobrir todas as vendas externas do país.
A Arábia Saudita produz cerca de 10 milhões de barris por dia e exportou aproximadamente 7,2 milhões de barris diários no mês passado. Em janeiro, a produção foi pouco superior a 10 milhões de bpd, segundo fontes secundárias da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
Além da limitação operacional, o oleoduto pode se tornar alvo de ataques de aliados do Irã.
A Aramco consultou alguns clientes na Ásia sobre a possibilidade de retirar cargas a partir de Yanbu. Transportadoras marítimas também estariam sendo sondadas para avaliar a troca dos pontos de carregamento do Golfo Pérsico para o porto no Mar Vermelho.
Segundo fontes, a companhia teria informado alguns compradores de seu petróleo Arab Light que deverão carregar as cargas em Yanbu.
A empresa ainda deve avaliar a demanda e a disponibilidade de petróleo antes de confirmar os embarques aos clientes.
Nesta segunda-feira (2), a Aramco interrompeu as operações na maior refinaria de petróleo do reino, em Ras Tanura, após um ataque com drone na região.
A refinaria foi fechada por precaução enquanto se avaliavam os danos. Um incêndio “limitado” foi causado por destroços da interceptação de dois drones.
Uma fonte do setor já havia afirmado à Reuters que a companhia está avaliando todas as opções para contornar o estreito, incluindo o uso do oleoduto que parte do campo petrolífero de Abqaiq.
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