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PF diz que Vorcaro comandava “milícia” para bater em jornalista

2026/03/04 21:14
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A representação da Polícia Federal que embasou a 3ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta 4ª feira (4.mar.2026), afirma que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, comandava um núcleo responsável por intimidar adversários com violência física e espionagem.

Com base nas trocas de mensagens, os investigadores identificaram um grupo de WhatsApp, denominado “A Turma”, que tinha a função de coordenar as atividades de intimidação. Em uma das mensagens, Vorcaro fala para os seus funcionários forjarem um assalto contra um jornalista e “quebrar todos os dentes”.

Vorcaro acionou o grupo para ameaçar o jornalista Lauro Jardim, que é colunista do “O Globo”, que divulgou uma notícia “contrária aos seus interesses“. Segundo a PF, o núcleo de intimidação monitorava os jornalistas, acompanhando sua rotina e coletando informações sigilosas. “Quero dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse Vorcaro.

Um dos investigados, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, respondeu dizendo que vai “olhar isso”. Para os investigadores, Mourão confirmou que cumpriria a missão criminosa.

As mensagens de Vorcaro com Mourão demonstram que o empresário orientava que o grupo “assustasse” seus adversários, como um funcionário e um chefe de cozinha, citados como delatores do empresário. “O bom é dar uma sacudida no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar“, disse Vorcaro.

Leia trechos de conversas atribuídas a Vorcaro, reproduzidas por Mendonça na decisão a partir de mensagens obtidas na investigação da PF:

  • ameaça contra jornalista: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”;
  • monitoramento de jornalista: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”;
  • intimidação de pessoas: “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”;
  • ameaça a funcionária: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”;
  • ordem para levantar informações: “Puxa endereço tudo”;
  • ordem para intimidar alvo: “Levantar tudo dos dois”.

O QUE DIZ A DEFESA DE VORCARO

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “colaborou de forma transparente com as investigações desde o início”. Em nota, os advogados negam “categoricamente as alegações atribuídas” a Vorcaro e dizem confiar que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, reiterando confiança “no devido processo legal e no funcionamento das instituições”.

Eis a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

“Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

3ª fase da Operação Compliance Zero

Na decisão que autorizou a 3ª fase da Operação Compliance Zero, Mendonça entendeu que há indícios de que o grupo contratado por Vorcaro para intimidar adversários teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol. O ministro decretou a prisão dos investigados por considerar que há risco à vida de possíveis vítimas dos ilícitos citados na investigação.

Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:

  1. Núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
  2. Núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central;
  3. Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
  4. Núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Foram presos preventivamente:

  • Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa;
  • Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
  • Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como um dos integrantes do grupo “A Turma”.

Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. Mendonça determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.

Há robustos indícios de que as pessoas jurídicas listadas na representação policial foram criadas exatamente com esse intento delitivo, não havendo indicação de qualquer elemento que aponte para o real desempenho de atividades econômicas lícitas. O que se nota, pelo teor da representação, é que tais estruturas jurídicas foram engendradas exclusivamente para viabilizar a lavagem de dinheiro e dificultar a identificação do percurso dos recursos ilícitos obtidos“, considerou Mendonça.

CASO MASTER

As investigações começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que solicitou a verificação de indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.

Estão no centro das investigações o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito. 


Leia mais: 

  • Operação da PF prende Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master
  • PF prende Vorcaro e grupo investigado por intimidar adversários do Master
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