Por Icaro Moro* O bloqueio do Estreito de Ormuz representa um risco sistêmico que transcende a barreira geográfica. Mais do que a interrupção física de uma rotaPor Icaro Moro* O bloqueio do Estreito de Ormuz representa um risco sistêmico que transcende a barreira geográfica. Mais do que a interrupção física de uma rota

OPINIÃO: Crédito chinês pode ser a principal saída para importadores brasileiros com bloqueio de Ormuz

2026/03/04 23:17
Leu 2 min
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Por Icaro Moro*

O bloqueio do Estreito de Ormuz representa um risco sistêmico que transcende a barreira geográfica. Mais do que a interrupção física de uma rota, o evento desencadeia um aumento nos preços do petróleo e grande impacto nos fretes globais, com atrasos e aumento dos custos.

Esse “efeito dominó” desestabiliza cadeias de suprimentos mesmo em rotas que não cruzam a região — como o fluxo comercial entre China e Brasil —, e impacta severamente o planejamento e os ciclos de receita dos importadores. Todo esse cenário evidencia a vulnerabilidade logística e financeira dos importadores diante da instabilidade no Oriente Médio.

Somados aos desafios logísticos, os preços dos produtos chineses exportados também tendem a sofrer reajustes significativos, ocasionados pela crise energética que este bloqueio pode desencadear no país.

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Bloqueio em Ormuz eleva custos na China

Como a China é a maior importadora global de petróleo e depende amplamente do fluxo proveniente do Golfo Pérsico, qualquer bloqueio em Ormuz eleva os custos de manufatura e de eletricidade no país.

Esse contexto força os exportadores a repassarem a inflação de custos aos preços finais das mercadorias, encarecendo, desta forma, a maioria das importações brasileiras — visto que a China é nosso maior parceiro comercial.

Considerando este contexto, pequenas e médias empresas (PMEs), que carecem de contratos de longo prazo com preços prefixados, devem ser as mais afetadas e expostas a essa volatilidade. O impacto logístico vai além do simples atraso; navios podem ser retidos em portos aguardando autorização, elevando custos operacionais que levam fornecedores chineses a priorizar grandes compradores.

Para o pequeno e médio importador, isso cria uma barreira de entrada e perda de competitividade, forçando-o a recorrer ao mercado nacional, muitas vezes mais caro. Uma das formas de acessar o crédito chinês é por meio da agência de crédito à exportação chinesa, Sinosure — assinou memorandos anteriormente com a Petrobras —, que cobre riscos de crédito e políticos.

*Icaro Moro é gerente nacional de crédito à importação na Axton Global.

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