O valor de mercado das empresas listadas na B3 encolheu R$ 166,4 bilhões apenas na sessão desta terça-feira (3). A capitalização total dessas empresas passou de R$ 5,52 trilhões na sessão anterior para R$ 5,35 trilhões no fechamento, aponta levantamento da Elos Ayta.
A desvalorização ocorreu em meio à forte queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, que encerrou o dia em queda de 3,28%, impactado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.
O índice brasileiro não foi uma situação isolada. Os principais mercados globais também acentuaram suas perdas diante da disparada dos preços do petróleo, que aumentou o risco de choque global com a notícia do fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota para escoamento da demanda global de petróleo.
Dados da pesquisa apontam que a perda desta terça-feira representa o recuo mais intenso desde 5 de dezembro do ano passado, denominado “Flávio Day, quando o índice registrou queda de 4,3%.
A análise da Elos Ayta revela que a correção foi concentrada nas 10 maiores empresas da Bolsa, que responderam por R$ 97,7 bilhões da perda total em valor de mercado, o equivalente a 58,7% de toda a retração registrada no pregão.
O bloco das dez maiores companhias saiu de R$ 2,46 trilhões para R$ 2,36 trilhões em capitalização.
Confira as empresas com maiores perdas em termos absolutos:
Segundo análise de Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, há uma mudança no balanço de risco do curto prazo, mas não necessariamente uma mudança estrutural da tese de investimento no Brasil.
No entanto, considerando que as altas e recentes recordes do Ibovespa foram sustentados pelo fluxo estrangeiro e a proximidade do início do ciclo de corte de juros, a expectativa de queda de juros deve promover uma melhora no cenário doméstico, político, e o enfraquecimento do dólar, aponta o especialista.
No atual contexto geopolítico, o conflito que acontece no Oriente Médio imprime incerteza ao mercado, com volatilidade atrelada aos preços do petróleo.
Na leitura de Noernberg, uma possível escalada no preço do Brent, que pode chegar a 100 dólares o barril, pressionaria a inflação global e consequentemente a do Brasil, alterando a perspectiva sobre a queda de juros, que poderia vir numa intensidade menor e, por efeito, impactar o desempenho do Ibovespa.
No entanto, o especialista avalia que o Brasil continua relativamente bem se comparado aos seus pares emergentes.
“Somos exportadores de commodities e empresas como Petrobras, Prio se beneficiam desse movimento. Elas estão de maneira geral saudáveis, comparando-se com outros ciclos. Então, vejo as empresas brasileiras mais preparadas para suportar possíveis estresses de mercado”, analisa.
Considerando esse cenário, Noernberg afirma que há espaço para mais altas do Ibovespa, considerando a média histórica dos múltiplos sobre preço/lucro e preço sobre valores patrimoniais que, na sua avaliação, “não estão muito fora do que ocorreu nos últimos anos”.
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