ANJ e Fenarj criticam mensagens que mostram que fundador do Banco Master queria mandar agredir fisicamente o jornalista; conversas constam em decisão de André MANJ e Fenarj criticam mensagens que mostram que fundador do Banco Master queria mandar agredir fisicamente o jornalista; conversas constam em decisão de André M

Entidades repudiam plano de agressão de Vorcaro contra Lauro Jardim

2026/03/05 00:49
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A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgaram notas nesta 4ª feira (4.mar.2026) em defesa do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após relatório da PF (Polícia Federal) apresentar mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Mastar, para forjar um assalto e agredir o jornalista.

O caso foi descrito em decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Leia a íntegra da decisão (PDF – 384 kB).

Nas conversas pelo WhatsApp, Vorcaro menciona querer mandar agredir fisicamente o jornalista. Os diálogos foram realizados em um grupo chamado “A Turma”. Segundo a decisão, o grupo era utilizado para monitorar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do empresário.

Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Em outra conversa, afirmou: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. Na sequência, determinou que fosse levantado o endereço dela.

Na decisão, Mendonça registrou: “A partir de todos esses diálogos, verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Eis a íntegra (PDF – 389 KB).

A ANJ manifestou solidariedade ao jornal e ao colunista e afirmou que a tentativa de intimidação representa um ataque à liberdade de imprensa. A entidade também elogiou a atuação da Polícia Federal e as medidas adotadas pelo STF para garantir o livre exercício da atividade jornalística.

Já a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro afirmaram que o episódio representa “um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia”. As entidades defenderam a apuração rigorosa do caso e a responsabilização dos envolvidos.

Eis a íntegra da nota da ANJ:

“A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista.

A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.

A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística.”

Eis a íntegra da nota da Fenaj:

“A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) manifestam seu mais veemente repúdio às gravíssimas denúncias reveladas pelas investigações da Polícia Federal, que apontam a existência de um plano criminoso para intimidar e agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo e da Rádio CBN.

Segundo as apurações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria articulado ações de monitoramento, perseguição e violência física com o objetivo explícito de calar um jornalista em razão do exercício de sua atividade profissional. Trata-se de um ataque direto à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos pilares fundamentais da democracia.

A Fenaj e o Sindicato reafirmam que qualquer tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado, mas parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil. Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente.

Exigimos a apuração rigorosa dos fatos, a responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação. A FENAJ e o SJPMRJ se solidarizam com Lauro Jardim e com todos os jornalistas que, diariamente, seguem exercendo seu trabalho sob risco e pressão.

Não aceitaremos o silenciamento da imprensa. Sem jornalismo livre, não há democracia.”

CASO MASTER NO STF

O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A relatoria do ministro foi marcada por rumores, críticas, decisões consideradas controversas e embates com a PF. Leia as principais:

  • 29.nov.2025 viajou de jatinho a Lima, Peru, para ver a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O dono do avião é o empresário Luiz Osvaldo Pastore, que convidou também o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende Luiz Antonio Bull, diretor de Compliance do Banco Master e preso na operação Compliance Zero;
  • 2.dez.2025 decretou sigilo sobre o pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para reconhecer a Justiça Federal como incompetente para lidar com o seu caso;
  • 3.dez.2025 determinou que todas as novas diligências da operação Compliance Zero contra o Master sejam previamente autorizadas pelo STF;
  • provas e peritos determinou que as provas ficassem lacradas e acauteladas no STF, e não com a PF, e retirou da Polícia Federal o poder para periciar os materiais coletados sobre o caso do Banco Master. Também indicou 4 peritos de sua confiança para acessar os dados dos celulares de Daniel Vorcaro e as demais provas coletadas nas investigações relacionadas ao caso;
  • Resort Tayaya – um investidor ligado a Daniel Vorcaro foi acionista de 2021 a fevereiro de 2025 do resort Tayaya, que pertence à família do magistrado (inclusive a ele próprio). Toffoli diz nunca ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro e que todas as transações sobre o resort estão registradas na Receita Federal.

Essas e outras relações de Toffoli com o caso Master elevaram a pressão para que o ministro deixasse a relatoria.

A temperatura subiu quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou em 11 de fevereiro um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que sugeria a declaração de suspeição de Dias Toffoli na relatoria do caso Master.

A decisão de Andrei, considerada ousada, uniu 8 dos 10 ministros da Corte em defesa do colega, como mostraram diálogos exclusivos da reunião publicados pelo Drive e pelo Poder360. Na ocasião, foi decidido que Toffoli deixaria a relatoria da investigação em busca de uma autopreservação da Corte. Com a saída do ministro, a relatoria foi redistribuída para André Mendonça.

ACAREAÇÃO

O Poder360 revelou em 29 de janeiro de 2026, com exclusividade, os depoimentos dos principais citados no caso Master.

A PF realizou uma acareação entre Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para esclarecer contradições dos depoimentos sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre o BRB e o Banco Master.

O procedimento foi conduzido pela delegada Janaina Pereira Lima Palazzo em 30 de dezembro de 2025 na sede do Supremo Tribunal Federal. Tudo foi gravado em vídeo e o Poder360 teve acesso.

São 32 reportagens, 8 vídeos com as íntegras dos depoimentos, 15 vídeos com cortes de trechos dos depoimentos e uma apuração extensa. Acesse todos os materiais aqui.

Leia outras reportagens sobre o Caso Master já publicadas pelo Poder360:

  • Mendonça autoriza PF a fazer perícias sem restrição no caso Master;
  • Vorcaro não vai prestar depoimento à CPI do INSS;
  • Rombo dos bancões é quase metade do lucro dos bancões em 2025;
  • Pressão política empurrou STF para tirar Toffoli do caso Master;
  • Oposição a Lula atinge 280 assinaturas e protocola CPI do Master;
  • BC não explica como créditos falsos do Master ficaram de fora do radar;
  • Delegada da PF no caso Master diz ser leiga no sistema financeiro;
  • Lula disse a Vorcaro que BC tomaria decisões técnicas;
  • Master e BRB divergiram em acareação sobre origem de créditos podres;
  • BRB passou ações do próprio banco ao Master durante tentativa de compra;
  • Nikolas critica conexões de ministros do STF com o Master;
  • MP junto ao TCU diz que não cabe ao BC questionar inspeção no caso Master;
  • Mudança na relatoria do Master pressiona Alcolumbre;
  • Liquidações ligadas ao Master criam rombo de quase R$ 52 bi no FGC;
  • Lula recebeu Vorcaro, dono do Master, sem registro na agenda;
  • Galípolo não contou a Campos Neto sobre reunião com Lula e Vorcaro.

Depoimentos:

  • Eis o que disse Daniel Vorcaro:
    • BRB só teve lucro com negócios do Master;
    • conversou com Ibaneis sobre venda do Master (Ibaneis negou);
    • Will Bank seria vendido no dia da liquidação do Master;
    • defesa pediu para apurar vazamento de informações da acareação;
    • fiscalização do BC recomendou venda do Master ao BRB;
    • negou senha de celular à PF para proteger “relações pessoais”.
  • 📹 Assista à íntegra do depoimento de Vorcaro: parte 1, parte 2 e parte 3.Eis o que disse Paulo Henrique Costa:
  • falava com Ibaneis porque governo é maior acionista;
  • não havia evidência de problemas nas carteiras do Master;
  • sabia que Banco Master poderia quebrar;
  • não pediu ressarcimento para não quebrar o Master;
  • Master nunca pagou Tirreno pelas carteiras de crédito;
  • cobrou Vorcaro por informações sobre Tirreno;
  • sugeriu que Vorcaro deixasse a sociedade do Master.
  • 📹 Assista à íntegra do depoimento de Costa: parte 1 e parte 2 e parte 3.Eis o que disse Ailton Aquino:
    • governança do BRB deveria ter identificado fraude;
    • Master tinha R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação;
    • não houve pressão do governo para liquidar o Master;
    • caso Master é muito similar ao do Cruzeiro do Sul;
    • BC teve certeza de fraude após reunião realizada em junho.

📹 Assista à íntegra do depoimento de Aquino: parte 1 e parte 2.

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