Fundador da Cardano, Charles Hoskinson, alertou o mercado nesta semana que a nova proposta legislativa dos EUA, conhecida como CLARITY Act, pode forçar a inovação cripto a deixar o país, enquanto a Casa Branca perdeu um prazo crucial para a definição de regras sobre stablecoins. O atraso na entrega do relatório governamental, que deveria balizar o tratamento de ativos como USDT e USDC, ampliou o vácuo regulatório, permitindo que projetos de lei controversos ganhem tração no Congresso. Enquanto Hoskinson classifica a proposta como “horrível”, gigantes bancários como o JPMorgan veem na medida um catalisador necessário para a entrada institucional.
A tensão em Washington reflete um momento decisivo para a indústria, onde a busca por clareza jurídica colide com o medo de restrições severas sobre novos projetos. Esse cenário de incerteza nos Estados Unidos tem repercussões diretas na liquidez global, um tema que, conforme analisado anteriormente pelo CriptoFácil, é um dos eventos cruciais que ditarão o ritmo do mercado até 2026.
Para compreender a gravidade desse atraso, é preciso voltar ao relatório do Grupo de Trabalho do Presidente (PWG) sobre Mercados Financeiros, divulgado no final de 2022. Aquele documento enfatizava a necessidade urgente de aplicar regras estritas de combate à lavagem de dinheiro (AML) e identificação de clientes (KYC) para emissores de stablecoins. O governo Biden havia ordenado um estudo abrangente em 2023, prometendo um arcabouço coordenado entre a SEC, CFTC e o Tesouro.
No entanto, o prazo para a entrega de diretrizes específicas sobre stablecoins — especialmente aquelas que geram rendimentos (yield) — foi ultrapassado sem consenso. A ausência de uma diretriz executiva clara abriu espaço para o Legislativo avançar com o H.R. 3633, o Digital Asset Market Clarity Act de 2025 (CLARITY Act). Este projeto busca substituir a atual “regulação por aplicação da lei” (enforcement), mas enfrenta resistência por supostamente favorecer grandes incumbentes financeiros em detrimento de startups descentralizadas, um dilema recorrente no debate sobre a aprovação de leis cripto nos EUA.
Em termos simples, imagine que o mercado de criptomoedas é um grande canteiro de obras em expansão. O governo (Casa Branca) prometeu entregar um código de obras atualizado (regras para stablecoins) para garantir que os alicerces fossem seguros, mas os fiscais nunca apareceram com o manual.
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Diante desse atraso, o Congresso decidiu propor sua própria lei de zoneamento (o CLARITY Act). O problema, segundo críticos como Hoskinson, é que essa nova lei exige que qualquer um que queira construir algo — mesmo uma pequena casa (startup de cripto) — tenha as mesmas licenças, seguros e advogados que uma imensa construtora de arranha-céus (como o JPMorgan).
Para os grandes bancos, isso é ótimo: limpa a concorrência “amadora” e torna o bairro seguro para investidores institucionais. Para os inovadores menores, a regra torna a construção inviável, forçando-os a levar seus projetos para terrenos em outros países (offshore). A disputa, portanto, não é apenas sobre segurança, mas sobre quem terá permissão para operar no futuro mercado americano.
Conforme reportado pelo CryptoSlate, a discussão envolve cifras bilionárias e interesses estratégicos conflitantes:
Embora a batalha legislativa ocorra em Washington, as ondas de choque atingem diretamente a carteira do investidor. O primeiro impacto é na disponibilidade de produtos de renda passiva. Muitos investidores utilizam exchanges internacionais ou plataformas locais conectadas a serviços globais para obter rendimentos em dólar via stablecoins (como USDC ou USDT). Se o CLARITY Act ou a Casa Branca proibirem o pagamento de juros sobre stablecoins parados em carteira — uma demanda forte dos bancos americanos lobby — esses produtos “Earn” podem ser descontinuados globalmente para evitar sanções.
Além disso, se os EUA classificarem a maioria dos novos tokens como valores mobiliários (securities) por padrão, isso pode encorajar uma postura mais rígida em relação a ICOs e lançamentos de tokens, impactando a oferta de novos ativos nas corretoras nacionais.
Uma mudança na tipificação desses ativos nos EUA pode complicar a classificação fiscal aqui, especialmente se houver distinção legal entre “rendimento de juros” e “valorização de capital” baseada na nova lei americana.
O principal risco de curto prazo é a volatilidade em projetos de “segunda camada” e novos protocolos DeFi, que seriam os mais prejudicados pelas exigências do CLARITY Act. Se a percepção de que a inovação será expulsa dos EUA se consolidar, tokens de plataformas de contratos inteligentes (como Cardano, Solana e o próprio Ethereum) podem sofrer pressão vendedora diante da incerteza sobre sua utilidade no maior mercado do mundo.
O investidor deve monitorar a reunião técnica da Casa Branca agendada para o início de março e a movimentação do H.R. 3633 no comitê bancário. Se houver consenso sobre o banimento de yields (rendimentos) em stablecoins não bancárias, o cenário é pessimista para receitas de exchanges e produtos de renda passiva; caso o projeto trave por falta de acordo, a incerteza continua, mas o status quo operacional se mantém.
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