O Bitcoin acelerou o movimento de alta e alcançou US$ 72.928, o maior nível em quatro semanas, ainda assim, dados onchain e do mercado de derivativos mostram cautela.
Apesar do salto recente, parte relevante dos investidores segue no prejuízo, o que limita o otimismo e mantém a resistência na faixa dos US$ 78 mil.
O Bitcoin acumula alta de 22% desde o fundo local de US$ 60 mil, registrado em 6 de fevereiro, mesmo assim, o mercado de opções revela postura defensiva.
Na plataforma Deribit, as opções de venda operam com prêmio de 10% sobre as de compra. Em condições neutras, o indicador varia entre -6% e +6%, esse padrão não aparece desde meados de janeiro, quando o Bitcoin rondava US$ 95 mil.
Além disso, o prêmio anualizado dos contratos futuros segue abaixo de 5%, nível considerado neutro, portanto, não há sinal claro de apetite por risco.
Outro dado preocupa, segundo a Glassnode, 43% da oferta circulante está no prejuízo, considerando o preço da última movimentação das moedas. No fim de janeiro, quando o BTC valia US$ 90 mil, esse percentual era de 30%.
Percentual da oferta circulante em lucro, estimativa – Fonte: Glassnode.
Por isso, muitos investidores temem pressão vendedora. À medida que o preço se aproxima do ponto de equilíbrio desses detentores, parte pode optar por zerar posições. Consequentemente, o avanço perde força.
O setor de mineração também enfrenta dificuldades. o índice Hashprice, que mede a receita diária esperada por terahash, caiu para US$ 30. Há três meses, estava em US$ 39.
Valor esperado diário de 1 TH/s de poder de hash – Fonte: HashRateIndex.
A demanda crescente por energia para inteligência artificial elevou custos, ao mesmo tempo, a atividade na rede diminuiu. Como resultado, margens recuaram para mínimas históricas.
Diante desse cenário, várias empresas listadas passaram a vender parte do BTC acumulado. Além disso, algumas migraram para computação de alto desempenho voltada à IA, em busca de receitas mais previsíveis.
No campo corporativo, a Strategy mantém 720.737 BTC comprados desde 2020, o preço médio gira em torno de US$ 76 mil. Esse patamar virou referência psicológica.
Acima desse nível, a empresa pode emitir ações com menor risco de diluição, abaixo dele, críticos questionam a estratégia. Portanto, muitos operadores veem interesse em manter o BTC contido sob essa faixa.
Se o mercado romper com força os US$ 76 mil, o caminho até US$ 78.700 — fechamento mensal de janeiro — pode ficar mais curto. Entretanto, enquanto derivativos e onchain indicarem cautela, o rali seguirá sob teste.
No curto prazo, o Bitcoin mostra força técnica. Porém, a sustentação dependerá de maior convicção compradora e da redução da pressão vendedora latente.
O mercado agora observa se o impulso atual é retomada estrutural ou apenas alívio temporário.
O post 43% dos holders no prejuízo: o que isso significa para o próximo rali do Bitcoin apareceu primeiro em BitNotícias.


