O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, refleO Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, refle

Morning Call: Mercados dividem atenção entre a guerra no Oriente Médio e o payroll dos EUA

2026/03/06 20:17
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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, refletindo a deterioração do cenário internacional com a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e consequente disparada dos preços do petróleo.

O movimento foi intensificado pelas preocupações em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 1/5 de todo o petróleo transportado no mundo. A possibilidade de interrupções no fluxo da commodity elevou os preços internacionais e aumentou a aversão ao risco entre investidores.

Com o ambiente mais tenso, os mercados passaram a precificar impactos inflacionários e possíveis efeitos sobre a trajetória global dos juros, o que reduziu o apetite por ativos de maior risco, como ações de países emergentes.

Com o resultado, o Ibovespa acumula queda de 4,41% tanto na semana quanto no mês. Se esse percentual se mantiver até o fechamento desta sexta-feira (6), o índice terá o pior desempenho semanal desde novembro de 2022.

Com impacto do mercado externo, a Petrobras registrou desempenho misto, com leve queda de 0,20% nas ações ordinárias, enquanto os papéis preferenciais avançaram 0,47%, refletindo a alta do petróleo no exterior. Já a Vale fechou em queda de 3,33%.

O setor financeiro também exerceu forte pressão negativa. Os papéis de Itaú Unibanco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Bradesco recuaram mais de 3% no pregão, ampliando o movimento de baixa.

Entre as maiores altas do dia, destaque para a disparada das ações da Braskem, que saltaram 16,94%. Também figuraram entre as maiores altas os papéis da PetroReconcavo (+2,80%) e da Prio (+2,59%), na esteira da valorização do petróleo. Já a Localiza liderou as quedas, recuando mais de 7% no pregão.

No câmbio, o dólar encerrou o dia com valorização de 1,32% ante o real, negociado a R$ 5,29, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio

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No cenário internacional, o mercado segue alerta diante da possibilidade de que a ofensiva militar contra o Irã se prolongue além do prazo esperado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia sinalizado expectativa de resolução até o fim do mês.

Apesar do recuo pontual nos preços do petróleo, o risco de um choque inflacionário global de curto prazo mantém os bancos centrais em estado de atenção. A escalada do petróleo amplia as preocupações com pressão sobre os preços e pode atrasar ou limitar movimentos de corte de juros nas principais economias.

Nesse ambiente de incerteza, o mercado volta as atenções para a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos. Mesmo que o payroll de fevereiro venha fraco, analistas avaliam que a inflação pode continuar sendo a principal preocupação dos investidores. As apostas majoritárias para a retomada dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) já migraram de julho para setembro.

O mercado de trabalho norte-americano deve mostrar desaceleração, com abertura de cerca de 55 mil postos em fevereiro. Mesmo no cenário mais otimista, com estimativas próximas de 90 mil vaga, o resultado ainda ficaria bem abaixo do observado no primeiro mês do ano. No extremo inferior das projeções, algumas casas chegam a prever o fechamento de até 9 mil vagas.

De forma geral, integrantes do Fed avaliam que o mercado de trabalho permanece relativamente estável. A leitura predominante dentro da instituição é de que não há sinais claros de deterioração significativa. Apenas a ala mais dovish, representada por diretores como Adriana Kugler Miran e Christopher Waller, vê indícios de enfraquecimento mais persistente, o que poderia justificar estímulos monetários adicionais.

No Brasil, a recente disparada do dólar e do petróleo tem aumentado a complexidade do cenário para o Comitê de Política Monetária (Copom). O diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, reafirmou a expectativa de corte da taxa Selic neste mês, conforme sinalizado anteriormente.

Durante participação em evento do Goldman Sachs em São Paulo, porém, ele ressaltou que a decisão não representa o início de um ciclo amplo de afrouxamento monetário, mas sim um processo de “calibração” da política de juros.

No campo político, novas revelações envolvendo o Banco Master seguem movimentando o noticiário. Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que mencionam diversas autoridades da República, vieram à tona após a investigação conduzida pela Polícia Federal.

De acordo com a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, horas antes de ser preso, em novembro, Vorcaro teria trocado mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Pouco antes de tentar deixar o país em um avião particular no aeroporto de Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, o banqueiro teria questionado o ministro se ele havia “conseguido bloquear”.

Segundo o relato, Moraes respondeu com três mensagens configuradas para visualização única, que desaparecem após serem abertas — o que impede a verificação do conteúdo da resposta.

Procurado pelo jornal, o ministro negou a existência das mensagens, apesar de o registro da comunicação constar no material apreendido pela investigação. “Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”, afirmou.

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Manchetes desta manhã

  • Venda de fazenda liga ex-diretor do Banco Central a entorno de Vorcaro (Valor)
  • EUA e Israel ampliam ataques em nova fase da guerra no Irã (Folha)
  • Incêndio atinge principal refinaria de petróleo do Equador e país declara estado de emergência (Estadão)
  • Enquanto demite no Brasil, dona da Keeta enfrenta guerra ‘sem precedente’ na China (O Globo)
  • Guerra gera custo milionário a exportador de carnes do Brasil (Globo Rural)

Mercado global

As Bolsas da Europa operam em queda e caminham para a pior semana em quase um ano, pressionadas pelas incertezas sobre a escalada da guerra no Oriente Médio. As ações do setor de defesa estão entre os principais destaques de alta.

Na Ásia, os índices tiveram desempenho misto durante a sessão, mas registraram fortes perdas na semana, pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela alta do petróleo.

O avanço da commodity, impulsionado pelo risco de interrupções na oferta, afetou o sentimento dos investidores e pressionou ações e moedas de países importadores de energia, como a Coreia do Sul.

O KOSPI cedia cerca de 12% na semana, fechando estável hoje (+0,02%); já o Nikkei, do Japão, subiu 0,62% no dia e fecha a semana em queda de 6%.

Em Nova York, os índices futuros operam em leve baixa nesta sexta-feira (6), à espera pelo relatório de empregos dos EUA (payroll), que pode oferecer novas pistas sobre a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve (Fed).

Confira os principais índices do mercado:

  • S&P 500 Futuro: -0,35%
  • FTSE 100: -0,22%
  • CAC 40: -0,43%
  • Nikkei 225: +0,62%
  • Hang Seng: +1,72%
  • Shanghai SE Comp: +0,38%
  • Ouro (abr): +0,35%, a US$ 5.095,2 por onça troy
  • Índice do dólar (DXY): +-0,12%, aos 99,198 pontos
  • Bitcoin: -0,91% a US$ 70.546
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Commodities

  • Petróleo: preços mantêm a trajetória de alta, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, promete adotar medidas para reduzir a pressão sobre os preços da commodity. Entre elas está a concessão de uma isenção temporária de 30 dias para permitir que cargas de petróleo russo retidas no mar sejam vendidas à Índia.
    A medida pode aliviar pontualmente as restrições de oferta, mas analistas avaliam que não altera de forma relevante o cenário de preços elevados.
    O Brent/maio valoriza 2,74%, negociado a US$ 87,75 e o o WTI/abril sobe 4,16%, a US$ 84,38.
  • Minério de ferro: fechou em alta de 1,38% em Dalian, na China, cotado a US$ 111,9/ton.
    Segundo Especialistas da ANZ Research, planejadores econômicos na China indicaram cortes graduais na capacidade de produção de aço, medida que pode elevar os preços do produto e melhorar as margens das siderúrgicas, sustentando a demanda por matérias-primas como o minério de ferro.

Cenário internacional

Nos EUA, o governo Trump sofreu nesta quinta-feira mais um revés na política comercial. O Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, com sede em Manhattan, determinou que o governo americano reembolse importadores afetados pelas tarifas impostas pela Casa Branca, incluindo o pagamento de juros.

A Justiça marcou uma audiência para esta sexta-feira (6) para discutir os planos de ressarcimento da alfândega. Segundo a agência Associated Press, ao menos 24 estados americanos já abriram processos contra as novas tarifas.

Cenário nacional

No Brasil, a agenda econômica desta sexta-feira traz a divulgação do IGP-DI de fevereiro, indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas. A expectativa do mercado é de deflação de 0,63%, após alta de 0,20% registrada em janeiro. As projeções entre analistas variam de queda de 1,10% a retração mais moderada de 0,50%.

O indicador será acompanhado de perto em meio às dúvidas sobre a intensidade do próximo movimento da taxa básica de juros.

Entre os compromissos do dia, diretores do Banco Central participam nesta sexta-feira de reuniões trimestrais com economistas em São Paulo, divididas em dois encontros ao longo do dia.

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Destaques do mercado corporativo

  • Petrobras: lucro de US$ 2,9 bilhões no quarto trimestre ficou abaixo das estimativas e a estatal propôs dividendos de R$ 8,1 bilhões.
  • Embraer: o mercado projeta lucro de US$ 156 milhões no quarto trimestre e empresa aprovou recompra de até 10,9 milhões de ações.
  • Ambev: o JPMorgan reiterou recomendação neutra e apontou leve aumento nos preços de cerveja em fevereiro.
  • Enjoei: a B3 suspendeu prazo para reenquadramento de cotação após ações se manterem acima de R$ 1.
  • Iguatemi: BlackRock reduziu participação para 4,97% das ações preferenciais.
  • Sabesp: liquidou debênture de R$ 6,3 bilhões, a maior emissão da história da companhia.
  • Cosan / Compass: pediu registro para oferta secundária e migração ao Novo Mercado visando IPO.
  • Simpar / Vamos / Movida: aprovaram aumentos de capital privados com participação da BNDESPar.

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