O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, refletindo a deterioração do cenário internacional com a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e consequente disparada dos preços do petróleo.
O movimento foi intensificado pelas preocupações em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 1/5 de todo o petróleo transportado no mundo. A possibilidade de interrupções no fluxo da commodity elevou os preços internacionais e aumentou a aversão ao risco entre investidores.
Com o ambiente mais tenso, os mercados passaram a precificar impactos inflacionários e possíveis efeitos sobre a trajetória global dos juros, o que reduziu o apetite por ativos de maior risco, como ações de países emergentes.
Com o resultado, o Ibovespa acumula queda de 4,41% tanto na semana quanto no mês. Se esse percentual se mantiver até o fechamento desta sexta-feira (6), o índice terá o pior desempenho semanal desde novembro de 2022.
Com impacto do mercado externo, a Petrobras registrou desempenho misto, com leve queda de 0,20% nas ações ordinárias, enquanto os papéis preferenciais avançaram 0,47%, refletindo a alta do petróleo no exterior. Já a Vale fechou em queda de 3,33%.
O setor financeiro também exerceu forte pressão negativa. Os papéis de Itaú Unibanco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Bradesco recuaram mais de 3% no pregão, ampliando o movimento de baixa.
Entre as maiores altas do dia, destaque para a disparada das ações da Braskem, que saltaram 16,94%. Também figuraram entre as maiores altas os papéis da PetroReconcavo (+2,80%) e da Prio (+2,59%), na esteira da valorização do petróleo. Já a Localiza liderou as quedas, recuando mais de 7% no pregão.
No câmbio, o dólar encerrou o dia com valorização de 1,32% ante o real, negociado a R$ 5,29, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio
No cenário internacional, o mercado segue alerta diante da possibilidade de que a ofensiva militar contra o Irã se prolongue além do prazo esperado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia sinalizado expectativa de resolução até o fim do mês.
Apesar do recuo pontual nos preços do petróleo, o risco de um choque inflacionário global de curto prazo mantém os bancos centrais em estado de atenção. A escalada do petróleo amplia as preocupações com pressão sobre os preços e pode atrasar ou limitar movimentos de corte de juros nas principais economias.
Nesse ambiente de incerteza, o mercado volta as atenções para a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos. Mesmo que o payroll de fevereiro venha fraco, analistas avaliam que a inflação pode continuar sendo a principal preocupação dos investidores. As apostas majoritárias para a retomada dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) já migraram de julho para setembro.
O mercado de trabalho norte-americano deve mostrar desaceleração, com abertura de cerca de 55 mil postos em fevereiro. Mesmo no cenário mais otimista, com estimativas próximas de 90 mil vaga, o resultado ainda ficaria bem abaixo do observado no primeiro mês do ano. No extremo inferior das projeções, algumas casas chegam a prever o fechamento de até 9 mil vagas.
De forma geral, integrantes do Fed avaliam que o mercado de trabalho permanece relativamente estável. A leitura predominante dentro da instituição é de que não há sinais claros de deterioração significativa. Apenas a ala mais dovish, representada por diretores como Adriana Kugler Miran e Christopher Waller, vê indícios de enfraquecimento mais persistente, o que poderia justificar estímulos monetários adicionais.
No Brasil, a recente disparada do dólar e do petróleo tem aumentado a complexidade do cenário para o Comitê de Política Monetária (Copom). O diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, reafirmou a expectativa de corte da taxa Selic neste mês, conforme sinalizado anteriormente.
Durante participação em evento do Goldman Sachs em São Paulo, porém, ele ressaltou que a decisão não representa o início de um ciclo amplo de afrouxamento monetário, mas sim um processo de “calibração” da política de juros.
No campo político, novas revelações envolvendo o Banco Master seguem movimentando o noticiário. Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que mencionam diversas autoridades da República, vieram à tona após a investigação conduzida pela Polícia Federal.
De acordo com a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, horas antes de ser preso, em novembro, Vorcaro teria trocado mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Pouco antes de tentar deixar o país em um avião particular no aeroporto de Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, o banqueiro teria questionado o ministro se ele havia “conseguido bloquear”.
Segundo o relato, Moraes respondeu com três mensagens configuradas para visualização única, que desaparecem após serem abertas — o que impede a verificação do conteúdo da resposta.
Procurado pelo jornal, o ministro negou a existência das mensagens, apesar de o registro da comunicação constar no material apreendido pela investigação. “Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”, afirmou.
As Bolsas da Europa operam em queda e caminham para a pior semana em quase um ano, pressionadas pelas incertezas sobre a escalada da guerra no Oriente Médio. As ações do setor de defesa estão entre os principais destaques de alta.
Na Ásia, os índices tiveram desempenho misto durante a sessão, mas registraram fortes perdas na semana, pressionados pela escalada do conflito no Oriente Médio e pela alta do petróleo.
O avanço da commodity, impulsionado pelo risco de interrupções na oferta, afetou o sentimento dos investidores e pressionou ações e moedas de países importadores de energia, como a Coreia do Sul.
O KOSPI cedia cerca de 12% na semana, fechando estável hoje (+0,02%); já o Nikkei, do Japão, subiu 0,62% no dia e fecha a semana em queda de 6%.
Em Nova York, os índices futuros operam em leve baixa nesta sexta-feira (6), à espera pelo relatório de empregos dos EUA (payroll), que pode oferecer novas pistas sobre a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve (Fed).
Confira os principais índices do mercado:
Nos EUA, o governo Trump sofreu nesta quinta-feira mais um revés na política comercial. O Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, com sede em Manhattan, determinou que o governo americano reembolse importadores afetados pelas tarifas impostas pela Casa Branca, incluindo o pagamento de juros.
A Justiça marcou uma audiência para esta sexta-feira (6) para discutir os planos de ressarcimento da alfândega. Segundo a agência Associated Press, ao menos 24 estados americanos já abriram processos contra as novas tarifas.
No Brasil, a agenda econômica desta sexta-feira traz a divulgação do IGP-DI de fevereiro, indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas. A expectativa do mercado é de deflação de 0,63%, após alta de 0,20% registrada em janeiro. As projeções entre analistas variam de queda de 1,10% a retração mais moderada de 0,50%.
O indicador será acompanhado de perto em meio às dúvidas sobre a intensidade do próximo movimento da taxa básica de juros.
Entre os compromissos do dia, diretores do Banco Central participam nesta sexta-feira de reuniões trimestrais com economistas em São Paulo, divididas em dois encontros ao longo do dia.
O post Morning Call: Mercados dividem atenção entre a guerra no Oriente Médio e o payroll dos EUA apareceu primeiro em Monitor do Mercado.


