A Eneva (ENEV3) terminou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 57 milhões, revertendo o prejuízo registrado no mesmo período de 2024, segundo dados divulgados após o fechamento desta quinta-feira (5).
O resultado foi atribuído principalmente ao maior despacho das usinas do Complexo Parnaíba, à antecipação de contratos do Leilão de Reserva de Capacidade de 2021 e ao início da operação comercial parcial do negócio de gás natural fora da malha de gasodutos (off-grid).
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia somou R$ 1,49 bilhão entre outubro e dezembro de 2025, crescimento de 19,7% na comparação anual.
Segundo a empresa, o resultado operacional foi impactado por diversos fatores. Entre eles, o aumento de R$ 657,8 milhões no Ebitda relacionado às usinas a carvão, impulsionado principalmente pela ausência de um efeito negativo registrado em 2024.
No quarto trimestre daquele ano, a companhia reconheceu perdas por expectativa de recuperabilidade (impairment) de R$ 634,7 milhões nesses ativos.
A Eneva explicou que, à época, o ajuste refletiu premissas relacionadas à recontratação das usinas e à possibilidade de conversão das plantas para gás natural, diante da falta de previsibilidade sobre novos leilões que mantivessem o carvão como combustível.
Já a receita operacional líquida totalizou R$ 6,05 bilhões no quarto trimestre, aumento de 24,5% na comparação com igual período do ano anterior.
O resultado financeiro líquido da Eneva ficou negativo em R$ 403,1 milhões no quarto trimestre, com melhora de R$ 1,05 bilhão em relação ao mesmo período de 2024.
Ao fim de 2025, a dívida líquida consolidada atingiu R$ 16,95 bilhões, acima dos R$ 15,5 bilhões registrados no terceiro trimestre do ano.
A alavancagem da companhia — medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses — ficou em 2,6 vezes, ante 2,7 vezes no trimestre anterior e 2,4 vezes no quarto trimestre de 2024.
O resultado operacional também foi influenciado pelo aumento do Ebitda em diferentes frentes da companhia. Entre os fatores positivos estiveram:
O Hub Sergipe contribuiu com a expansão do Ebitda, impulsionada pelo reajuste da receita fixa da usina termelétrica Porto de Sergipe I e pelo desempenho das operações de trading voltadas à recomposição de lastro no mercado de energia.
Por outro lado, o segmento de exploração e produção (upstream) registrou queda no Ebitda, pressionado por maiores despesas com exploração, especialmente relacionadas a campanhas sísmicas nas bacias do Amazonas e do Paraná.
Também houve redução no resultado da área de holding e outros negócios, refletindo principalmente aumento nas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A).
Em 2025, a companhia reportou lucro líquido de R$ 1,16 bilhão, avanço de 2.655,3% em relação ao resultado de 2024.
O Ebitda ajustado da empresa alcançou R$ 6,51 bilhões no ano, crescimento de 43,4% frente a 2024. Já a receita operacional líquida somou R$ 18,41 bilhões em 2025, alta de 61,7% na comparação anual.
Analistas do UBS BB afirmaram que o resultado financeiro da Eneva ficou um pouco abaixo do esperado. O banco destacou que o Ebitda ajustado ficou cerca de 8% abaixo de suas estimativas.
Segundo os analistas, o desempenho foi impactado por custos variáveis mais elevados nas usinas do Complexo Parnaíba, o que reduziu a margem Ebitda para 33%, abaixo da estimativa de 54%.
Apesar disso, o banco destacou fatores positivos, como o avanço inicial nas operações com gás natural liquefeito (GNL), a atualização do relatório de auditoria das reservas de gás em Parnaíba e o aumento de investimentos no projeto Azulão 950.
O relatório também apontou que a dívida líquida subiu para cerca de R$ 17 bilhões no trimestre, enquanto a alavancagem recuou levemente para cerca de 2,6 vezes.
O UBS BB mantém recomendação de compra para as ações da Eneva, com preço-alvo de R$ 27.
Analistas do Itaú BBA também classificaram o resultado como abaixo das expectativas. Segundo o banco, o desempenho foi impactado por maiores despesas de exploração e aumento nas despesas administrativas.
O relatório também mencionou efeitos pontuais em operações de trading de gás, geração no Complexo Parnaíba e na holding.
Ainda assim, o banco mantém visão positiva para a companhia e recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 23,80.
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